Novo Blog para o Concelho de Ourém. Rumo à Excelência. Na senda da Inovação
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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 18.09.10 às 19:06link do post | | adicionar aos favoritos

 

A rentrée do “Notícias de Ourém”, após umas merecidas férias, deixou-nos particularmente satisfeitos por termos constatado que os deputados oureenses à Assembleia da República, eleitos pelo distrito de Santarém, aparecem agora lado a lado, com colunas distintas, a falar-nos de “Actualidades”, no caso de Carina João, e de um sortido de temas sobre o concelho e o país, coluna embora não epigrafada, no caso de António Gameiro.

Aos dois apresentamos desde já as nossas mais sinceras e cordiais felicitações por terem aceite tal desafio, o que acaba também por revelar que ambos estão animados por um verdadeiro espírito democrático de partilha de pontos de vista e de confronto salutar de ideias.

Agora que se inicia este “frente-a-frente” político, que coloca na coluna da esquerda o PSD e na coluna da direita o PS, impõe-se, todavia, fazer duas análises acerca destas colunas de opinião, uma relativa à forma, e outra relativa à substância.

Quanto à forma, nada temos a apontar. A cada uma das reflexões foi atribuído um terço de página, numa lógica equitativa, o que achamos justo, e ambas têm um cariz claramente partidário, arreigadas à ideologia que representam e formalmente dependentes das respectivas forças partidárias, pese embora o facto de parecerem reflectir as opiniões pessoais dos seus autores.

Há ainda a referir o facto de António Gameiro ter optado por se socorrer de frases célebres de outros autores para, de forma recorrente e sistemática, terminar as suas reflexões.

Trata-se de um pormenor formal que embeleza e enriquece o texto, com a particularidade de pôr os leitores a reflectir sobre o que acabaram de ler, ainda que por vezes essas frases estejam carregadas de simbolismo e/ou de “indirectas”.

Quanto à substância, a realidade impõe que olhemos para estas duas colunas com outros olhos, mais perscrutantes, diríamos nós, ou vistas por outro prisma.

 

 

Na verdade, a coluna da direita, a de António Gameiro, tem vindo, ao longo do tempo, a evidenciar um conjunto de pontos de vista que abordam, como dissemos atrás, várias vertentes da vida política, económica, social e cultural do concelho e do país.

Mas, há em quase todos eles, e já são muitos, um denominador comum: o facto de estarem ao serviço da actual maioria camarária, ou não fosse uma constante verificarmos que o que ali se diz são autênticos elogios directos ao trabalho desenvolvido pelo executivo do PS na Câmara Municipal de Ourém.

Até parece que o actual executivo precisa de uma figura supostamente “independente” para promover a sua gestão, uma espécie de “relator principal” da Câmara, um promotor público da imagem do presidente, fiel guardador da honra do convento e astuto arauto das boas novas socialistas.

Para além disso, verificamos, não raro, que as reflexões do nosso estimado amigo António Gameiro acabam por desancar no trabalho feito pela anterior gestão municipal promovida pelo PSD, desferindo muitas vezes duros golpes sobre os seus adversários políticos, através de um discurso que, achamos, está muito próximo daquilo a que se chama comummente bota-abaixo ou crítica fácil.

Temos para nós que a crítica pela crítica não gera soluções para os problemas com que estamos confrontados, não abonam a favor do próprio nem são uma mais-valia para o concelho.

E não está em causa a veracidade (pois que ela existe) de alguns ataques que são proferidos, mas antes a oportunidade e a maneira como são feitos.

Se, para afirmarmos as nossas ideias, precisamos de andar constantemente a rebuscar no passado os podres social-democratas em termos da gestão da autarquia oureense, ficará sempre a ideia, para quem está de fora, que os seus autores têm tudo menos ideias para o nosso concelho.

O que está feito, está feito, e os oureenses não precisam que lhes relembrem semanalmente que tiveram uma Câmara que cerceou o desenvolvimento da sua terra por longas e angustiantes décadas.

Diferente seria se os agora ilustres colunistas, Carina João e António Gameiro, enveredassem por outro caminho.

 

Dizemos isto, porque, a avaliar pelas “Actualidades” que Carina João nos trouxe no seu primeiro texto, ou seja, a proposta de Revisão Constitucional apresentada pelo PSD, os seus contornos e o seu alcance, estamos em crer que a sua coluna irá também desembocar numa “feira de vaidades”, numa promoção partidária das políticas do PSD, baseada em elogios precários e que só muito indirectamente resolvem os problemas concretos dos oureenses.

E qual é esse caminho?

Bem, esse caminho é aquele que é calcorreado pelas estradas do nosso concelho, pelos meandros dos nossos problemas, pela vida quotidiana de todos nós oureenses.

É um facto que Carina João e António Gameiro foram eleitos deputados pelo círculo de Santarém e são oureenses.

É nessa qualidade que, do nosso modesto ponto de vista, deviam outorgar as suas colunas, preocupando-se mais em explicar aos oureenses o que andam a fazer pelos corredores de São Bento em prol do concelho de Ourém, do que propriamente desfiarem um “rosário” que pertence a outros “campeonatos”.

Seria certamente mais importante e profícuo para todos nós que os nossos deputados nos dissessem semanalmente quais foram as iniciativas que levaram a cabo na Assembleia da República tendo em vista o progresso do concelho de Ourém.

Dir-nos-ão que basta clicarmos no site da Assembleia da República ou termos um perfil no Facebook para nos inteirarmos das vossas iniciativas parlamentares. É verdade. Mas, não é menos verdade que nem todos têm o privilégio de dominar as novas tecnologias, e a curta distância a que está um clique para alguns, transforma-se num oceano intransponível e incompreensível para muitos outros, precisamente aqueles para quem o jornal ou as conversas de café são os únicos meios de que dispõem para obter as respostas para os problemas que os preocupam e com que são confrontados todos os dias.

É por tudo isto, mas certamente por muito mais, que valia a pena vermos as vossas colunas no “Notícias de Ourém” a servir construtivamente o nosso querido concelho de Ourém, ao invés de serem meras caixas de ressonância partidária e servir unicamente para promover os vossos partidos, as vossas próprias paixões e vaidades pessoais.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 18.09.10 às 01:52link do post | | adicionar aos favoritos

 

1. O governo anunciou finalmente a anulação do concurso para a construção do troço Lisboa – Poceirão do TGV, que incluía a terceira travessia do Tejo, mas manteve a intenção, até porque já está para breve, de construir a ligação Poceirão – Caia.

Diga-se, desde já, que somos totalmente a favor da Alta Velocidade (vulgo TGV) entre Lisboa e Madrid (pelo menos numa primeira fase).

É uma infra-estrutura estratégica para o nosso país (e não só para Espanha, como se diz erradamente e à boca cheia), que nos vai ligar à Europa, é geradora de investimento e de emprego, irá gerar riqueza para o país e potenciar o crescimento económico. Disso não temos dúvidas absolutamente nenhumas.

Aliás, quem pensa pequeno, é medíocre, tem vistas curtas e nunca saiu de Portugal é que pode dizer o contrário.

Assente este ponto, vamos à segunda parte, que é como quem diz à oportunidade do investimento.

Como o próprio governo sabia, a oportunidade deste investimento, tendo em conta a situação financeira do país e o futuro que não é risonho em termos económicos, era completamente inusitada e extemporânea.

Perante uma nação falida e endividada até ao pescoço, ou melhor, até à cabeça, seria um suicídio persistirmos neste projecto e endividarmos as futuras gerações, não já os nossos filhos e netos, mas a quarta ou quinta geração.

Era um disparate, uma irresponsabilidade e um crime digno de julgamento sumaríssimo.

O país não comporta e os portugueses não podem admitir que se ande a esbanjar o pouco dinheiro que temos, a maior parte emprestado, em megalomanias que só fazem sentido se vivêssemos, conjuntural e estruturalmente, num “Eldorado”.

Mas, em particular, não é essa a realidade do país, mas também da Europa e do mundo.

Estamos cercados por dificuldades nunca antes experimentadas e absorvidos por uma crise imensa que não podem ser maquilhadas nem escamoteadas, principalmente por quem nos governa.

A actualidade é deveras complexa e difícil para que nos demos ao luxo de “masturbarmos” as nossas vaidades em prol de experiências pessoais que custam um preço demasiado elevado aos portugueses, a todos nós que continuamos a sentir sair dos bolsos o dinheiro que os desgovernos que temos tido ao longo das últimas décadas têm insistido, deliberada e vergonhosamente, a usurpar-nos.

Não podemos tolerar que haja mil e cem milhões de euros para pagar uma tolice de dois submarinos, que daqui a uns anos nem peças nem dinheiro temos para os pôr operacionais, quando todos os dias os portugueses sentem na carteira os desvarios infames de uma certa classe política corrupta, irresponsável, arrogante e sem qualquer sentido de serviço público.

E logo agora que tanto se fala em serviço público e naquilo que a educação e a saúde representam para a maioria dos portugueses.

Não podemos andar, por um lado, a apregoar para as televisões a defesa intransigente do Estado Social, e ao mesmo tempo, por outro, a brincar com as finanças do país.

Qualquer português ou qualquer família sabe, e não é preciso ser doutor ou engenheiro, que se o seu rendimento mensal disponível é de 1000, não pode gastar 2000. Se gastar 2000, vai precisar de pedir outros mil emprestados para cumprir os seus compromissos. E, nessa altura, ou tem um amigo do peito que lhe empresta e perdoa a dívida, ou vai ter que recorrer à banca para pagar os mil que pediu emprestado, mais os juros. Se, no mês seguinte, em vez de 1000, vai gastar 1500, tendo o mesmo rendimento de 1000, então a sua dívida já não vai ser de 1000 mas de 2500, mais os respectivos juros. E assim por diante.

É deste modo execrável que anda o nosso Estado. Contrai dívida para pagar a dívida acumulada anterior.

Isto tem de ter um fim. E, se trocarmos as letras, dá FMI. Infelizmente.

Ora, TGV ou submarinos não são efectivamente o “pão” que os portugueses precisam neste momento.

Aceitaríamos esses investimentos se não conhecêssemos a nossa realidade presente.

 

 

2. Mas, a realidade presente mostra-nos à evidência que os políticos têm de ter mais contenção, sentido de oportunidade e responsabilidade e, acima de tudo, têm de deixar-se de tacticismos políticos eleitoralistas, que só visam a manutenção do poder, revelam o desprezo com que encaram os cidadãos seus eleitores, para além de que tristemente só vão adiando a resolução deste grande problema que se chama Portugal.

Só que, para quem quiser, ainda há uma saída, ou uma luz ao fundo do túnel.

 

 

3. José António Saraiva dizia há uns anos que a política portuguesa caminhava em direcção à mediania, e que “os grandes homens não são aqueles que se acomodam ao seu tempo mas exactamente os que se sabem antecipar. Pelo actual caminho, teremos líderes partidários certinhos mas medianos”.

Passados estes anos todos, permitam-nos que actualizemos a frase: em vez de termos líderes partidários certinhos e honestos, temos gente mediana e medíocre.

De facto, os líderes políticos dizem cada vez menos o que pensam. E, o que é mais grave, tudo o que pensam, dizem e fazem já não é novidade.

É por isso que os políticos devem falar menos de si próprios, dos seus programas, das suas rivalidades, das suas competências, e falar mais das questões superiores à política que devem comandar as suas opções políticas.

Os partidos políticos constituem apenas um dos elementos da vida política.

Mais importantes são os movimentos sociais que defendem valores, que combatem a injustiça e, entre ambos, os movimentos de opinião animados pelos “media” e pelas organizações, e também pelos intelectuais.

Daí que hoje não é a reconstrução de um qualquer partido político que é urgente, nem sequer a formação de movimentos sociais, na medida em que estes surgem espontaneamente numa sociedade.

É necessário, isso sim, criar associações, organizações, movimentos de opinião e lançar debates de ideias.

É que, “há muito que vivemos uma política da oferta, devemos regressar a uma política da procura”.

Os políticos devem preocupar-se mais com a procura social do que com a sua própria oferta política. É preciso que voltem a dar à nossa democracia a força de representatividade que ela perdeu.

É preciso que os políticos nos dêem a sensação de sermos, mais do que eleitores, cidadãos, e, sobretudo, que façam renascer dentro de todos nós a convicção de que os políticos não são os dirigentes de um país, da sua economia e da sua administração, mas antes que estão ao serviço de grandes causas e daquilo que cada um de nós considera os seus direitos e a sua liberdade.

Mas, também é necessário que não voltemos a escutar mais aqueles que fazem da política uma profissão.

Vamos regressar ao espírito democrático, o qual assenta na subordinação da acção política a princípios superiores à política: a liberdade, a igualdade, a solidariedade.

Sem política democrática, ou seja, representativa, ficaremos condenados a encerrarmo-nos na defesa dos lobbies muito bem organizados, em detrimento quer dos mais empreendedores quer dos mais fracos.

Os políticos não devem, por isso, contentar-se em ser meros técnicos de partido, mas antes, pelo contrário, seguir o caminho mais longo para o poder, aquele caminho que lhes permitirá encontrar os actores sociais reais para maior proveito da reflexão inovadora.

Neste princípio de século, precisamos todos de uma renovação total da vida política.

Para novos problemas são necessárias novas ideias, novos actores e novas formas de acção.

E quanto mais depressa se empreender este grande trabalho de renovação, mais depressa os políticos serão conduzidos ao poder por eleitores há muito descontentes por já não se sentirem verdadeiramente cidadãos.

Se os políticos apresentarem uma nova política, verão definitivamente renascer por toda a parte ideias, iniciativas e movimentos para os apoiar e incentivar.

Quando isso acontecer, os políticos voltarão a ser os verdadeiros representantes do povo!


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