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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 21.06.10 às 00:55link do post | | adicionar aos favoritos

As Razões

 

Paulo Fonseca conquistou, nas eleições autárquicas de Outubro último, a presidência da Câmara Municipal de Ourém, a nossa terra de eleição, de coração e de paixão, e, com isso, pôs fim a um ciclo acumulado de quase 30 anos de governação social-democrata no nosso Concelho, facto que merece ser louvado, sobretudo se tivermos em conta que o Partido Socialista (PS), desde 1976 até 1993, obteve, para a Câmara Municipal, um resultado eleitoral médio de apenas 13,5%. Para isso, contribuiu, em muito, por exemplo, os desastres eleitorais de Eduardo Graça (1976 - 16,49%), de Gonçalves Marques (1979 - 16,76%), de Joaquim da Silva (1982 - 12,91%) ou de António Agostinho (1989 - 12,10%). Já para não falar dos 8,46% alcançados nas eleições de 1985, resultado de má memória para o PS, que não podemos ignorar nem esquecer. Já mais recentemente, porém, inverteu-se a tendência desses resultados, tendo o PS, já sob a égide de Paulo Fonseca, passado dos escassos 14,33% obtidos em 1993 para os 35,96% alcançados nas eleições de 1997. A tendência manteve-se em 2001, com 35,20% dos votos, baixou ligeiramente com José Alho em 2005 (33,77%) e culminou com a vitória de Paulo Fonseca nas eleições de Outubro passado, em que o PS atingiu uns confortáveis e históricos 47,35%, ainda que com o Partido Social Democrata (PSD) a escassos 4,03% de distância.

É caso para dizer, no que a Paulo Fonseca diz respeito, que à terceira foi efectivamente de vez.

A realidade dos números não mostra, todavia, algumas das razões que reputamos de importantes para percebermos esta vitória eleitoral do Partido Socialista nas autárquicas do ano passado.

Com efeito, comecemos pelo que designamos de “efeito alavancagem Serrano Rodrigues”.

Não temos dúvidas de que a participação de um dos fundadores do Partido Social Democrata de Ourém na campanha levada a cabo pelo PS teve o seu mérito e produziu os seus resultados.

Foi uma boa “tirada” do Partido Socialista, levou muitos habituais eleitores do PSD a votar no PS, por causa do seu descontentamento, mas poderá ter um “efeito boomerang”.

Na verdade, estes eleitores descontentes, assim como não tiveram qualquer problema em depositar o seu voto no Partido Socialista, acaso as circunstâncias se alterem, não terão qualquer pejo em voltar a votar no seu partido habitual, ou seja, no PSD. É, por isso, um eleitorado flutuante, que mudará o seu voto ao sabor das circunstâncias e conveniências, e, por tal, um eleitorado “perigoso”.

Até mesmo Serrano Rodrigues e respectivos seguidores não ficarão eternamente descontentes com o seu partido, nem eternamente temerários das alegadas ameaças de que têm sido alvos, bastando a assunção de altas responsabilidades governativas do seu filho João Moura para “virarem o bico ao prego” e mandarem o PS às urtigas.

Como se costuma dizer, a vingança serve-se fria. “Ontem”, foi Mário Albuquerque a passar uma rasteira à família Serrano; “hoje”, foi Serrano Rodrigues a passar uma rasteira a Mário Albuquerque e ao PSD; “amanhã”, poderá muito bem ser Natálio Reis ou João Moura a passar uma rasteira ao PS…

O PSD é, assim, um saco de gatos. Estão todos à espera da primeira oportunidade para pôr as garras de fora. E o PS, que Paulo Fonseca também representa, tem de estar em alerta constante.

Serrano Rodrigues teve, portanto, um “efeito alavancagem” na vitória do Partido Socialista em Ourém, mas a questão que se coloca agora é saber até quando. O tempo o dirá.

Por outro lado, a instabilidade que ainda hoje se continua a assistir no seio do PSD local, fruto de uma crise de liderança que nunca ficou suficientemente sanada com a saída de Mário Albuquerque, tem contribuído, de modo larvar, para a precipitação destas desorganizações internas.

Acresce que a saída de David Catarino veio trazer às evidências o clima de mal-estar vivido pelas hostes sociais-democratas concelhias, a que também não é alheia a presidência de Vítor Frazão, cujo estigma de homem fatimense nunca perdeu, e que não soube granjear grande fama, nem conseguir aglutinar todas as vontades e tendências dentro do seu próprio partido.

Não esqueçamos, também, que a figura sempre omnipresente de Mário Albuquerque, agora encarnada no seu filho Luís, é um foco desestabilizador da unidade do PSD e criador de anti-corpos por demais evidentes.

Esta instabilidade interna do PSD, do nosso ponto de vista, para além do efeito de desagregação interna, constituiu também uma das razões que levaram muitos eleitores descontentes do PSD a darem a vitória ao PS – uma espécie de cartão vermelho aos seus dirigentes e um aviso à navegação social-democrata no Concelho de Ourém. Cabe ao PS, mas também a Paulo Fonseca, velar para que esta tendência não se inverta.

Finalmente, o Partido Socialista teve também uma boa “almofada” que soube aproveitar com arte e engenho: construiu uma campanha em bloco, bem estruturada e organizada, tornada visível com bastante antecedência e aproveitando ao máximo o facto de o PS ser governo, com todas as “vantagens logísticas” que a máquina eleitoral nacional bem montada proporciona, e que são sobejamente conhecidas de todos: facilidade de acesso a um leque vasto de recursos, sejam eles técnicos, humanos ou financeiros, que só com o apoio nacional do partido (do governo) são possíveis numa campanha eleitoral.

Há agora um triplo desafio que se impõe a Paulo Fonseca e ao PS: “segurar” Serrano Rodrigues e os seus seguidores fervorosos, rezar para que o caos permaneça instalado no PSD concelhio por muito mais tempo e esperar que Passos Coelho não chegue ao Governo, o que parece ser coisa cada vez mais improvável, já que tantos têm sido os disparates cometidos por José Sócrates, pelo seu governo e por alguns boys que continua a teimar em chamar de amigos honestos e impolutos.

 

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