Novo Blog para o Concelho de Ourém. Rumo à Excelência. Na senda da Inovação
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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 07.08.10 às 01:03link do post | | adicionar aos favoritos

 

Este foi um projecto antigo que nasceu de meia dúzia de jovens albicastrenses que fizeram o favor de expressar a sua veia poética numa altura, 1984, em que fazer poesia, segundo alguns, era um mito e um privilégio de “pessoas letradas”, de homens e mulheres distantes que deveriam viver noutro mundo, quem sabe…

Havia, mesmo assim, vozes novas, nessa praça velha.

No entanto, estes intervenientes fizeram estes escritos a título plural.

Foi uma aposta ganha e um novo desafio através da revelação de pequenas “estórias”.

Foi, por exemplo, a história de um grupo de pessoas que se conheciam do fluir da cidade e do tempo.

Encontravam-se, às vezes, em manifestações culturais diversas: fosse no teatro, nas exposições ou no cinema.

Tinham interesses e necessidades culturais próximas.

Mas, com o tempo, foram descobrindo que tinham algo mais em comum: gostavam, afinal, de poesia.

Alguns tinham já ousado, em edição de autor, contactar com o público; outros, por seu lado, aguardavam pacientemente uma oportunidade.

Houve um dia em que alguém lançou a hipótese de se reunirem e lerem os seus trabalhos.

A ideia, que bom são as ideias, germinou e rapidamente cresceu e foi acto.

Surgiram outros interessados.

Leram-se poemas, trocaram-se sugestões, agarraram-se algumas ideias perdidas.

O convívio sugeriu o contacto directo com o público

O velho celeiro da Ordem de Cristo, ali à Praça Velha – o novo espaço do Grupo de Animação Cultural, Amato Lusitano – foi o primeiro palco.

Foi uma noite quente.

Os novos poetas sentiram-se apoiados.

A ideia de alargar o público foi ganhando força: tentar uma publicação colectiva e continuar a propor Serões com a poesia, naquele ou noutros espaços.

Estiveram na Cadeia de Castelo Branco.

Levaram, com o abraço fraterno, sonhos de liberdade com mais amor. Trouxeram alguma dor no olhar e os ouvidos mais despertos.

A tal publicação colectiva, a Colectânea, aqui está: recolha de vozes, sem idade, exprimindo sensibilidades e olhares diferentes; são registos de emoções, protestos, apreensões, problemas do quotidiano.

Às vezes, simples apontamentos, desabafos, gritos reprimidos…

As VOZES NOVAS aqui estão. Delas não vamos falar, nem dos poemas. Isso é a tarefa dos leitores.

Em jeito de saudação, deixamos aqui um outro aviso à “Navegação” que, hoje, nos apeteceu fazer chegar às vossas mãos:

 

“Neste rio apressado dentro de mim,

Sou um momento presente, cadente,

Cisne branco, deselegante,

Limo, nenúfar, verde rosa,

Corrente castor,

Que represa o rio que corre em mim”.

 

Zézinha D’Almeida e Friends

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