Novo Blog para o Concelho de Ourém. Rumo à Excelência. Na senda da Inovação
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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 02.10.10 às 03:05link do post | | adicionar aos favoritos

 

Portugal abanou quando o governo proclamou a redução de 5% na massa salarial bruta dos funcionários públicos.

A cadavérica e desossada liderança da CGTP (Confederação-Geral dos Trabalhadores Portugueses – permitam-me a explicação do acrónimo, já que o Blog é seguido internacionalmente), saiu a terreiro com a ameaça frontal de uma greve geral, piscando olhinhos à sua congénere UGT (União Geral de Trabalhadores), no sentido de ambas promoverem a maior greve geral no país de que há memória, já para Novembro.

Pergunto eu: quando Sócrates, não há muitos anos atrás, anunciou em plena campanha eleitoral o aumento, se a memória não me falha, de 2,9% nos salários da função pública, o que era, aliás, à época um aumento muito acima da inflação, onde estavam os sindicatos e, mais em concreto, o que estava a fazer o Sr. Carvalho da Silva (Secretário-Geral da CGTP há “duzentos anos”) para não se aperceber desse aumento? Veio para a rua, de sobreaviso, alertar para o problema que era o governo estar a prometer mais do que podia, e a contribuir para a pré-falência do Estado, situação com que estamos hoje todos confrontados?

Alguém viu alguma dessas raposas velhas, mal cheirosas até, preocupar-se com o facto de a despesa pública aumentar por causa desse aumento irresponsável e eleitoralista?    

Não. As velhas raposas retiram-se para as suas tocas, o governo cumpriu o que prometeu (quem promete, só lhe fica bem cumprir o que promete) e, no Estado, quem ganhava 1.500, passou a ganhar mais 50, quem ganhava 2000, passou a ganhar mais 60, quem ganhava 3000, passou a ganhar mais 90, quem ganhava 4000, passou a ganhar mais 120, e por aí em diante…

São pequenos bolos como estes que, todos juntos, fazem um bolo de noiva enorme.

Significa isto que, se eu não tenho dinheiro para pagar um bolo de noiva enorme aos meus convidados, então só me resta oferecer um pastel de bacalhau a cada um.

O pior, porém, é quando aparecem aqueles (ou aquelas) que não são convidados. É nesta altura que o caldo se entorna, porque não há comida que chegue para todos.

E falo dos bois, perdão, dos “boys”, que também são uns brutos a comer. Aqueles que aparelham o Estado e sorvem a riqueza do país. Aqueles que sabem da podridão dos seus padrinhos, mas que se falarem perdem a manjedoura ou a oportunidade de estar no próximo casamento.

Agora imaginem o Estado a ter de aturar esta gente toda e, pior do que isso, a ter de sustentar a sua frenética e provinciana vontade de comer.

Eu diria que mais vale sustentar mil burros a pão-de-ló. Era mais barato e o país agradecia.

Vai daí, o que temos assistido no passado, ontem e hoje, é que quem mama do Estado é feliz.

Não importa qual é a teta que deita mais leite, o que interessa é que vá pingando.

Se o Estado não tem dinheiro para fazer cantar um cego? O que é isso? Nós estamos bem, os outros que se lixem! Primeiro nós, o clã dos chupistas, depois os outros, que trabalham para nós!

Não, meus caros leitores.

Os 5% em relação aos quais hoje tanto se chora, não significam o Estado a entrar na bolsa dos portugueses.

Acho que é o contrário. Penso que é o Estado a reivindicar aquilo que uma leva de irresponsáveis, incompetentes e inúteis têm roubado (ou levado que outros roubem) estes anos todos dos cofres do Estado, dos nossos bolsos, porque o Estado somos todos nós.

O que está em causa não é o facto de vir agora um qualquer governo exigir aos portugueses que se sujeitem aos sacrifícios que nos têm sido pedidos. Qualquer governo, com olhos na testa e com sentido de estado, só poderia chegar a essa conclusão.

O que está em causa é que, enquanto uns se deleitavam pornograficamente a comer o bolo da nossa noiva chamada República e, por causa disso, a engordar o Estado de uma forma absolutamente deselegante, egoísta e rasca, outros contentavam-se, à força, a ficar com as sobras ou a roer um qualquer osso que sobrasse.

Não são os 5% que me preocupam, até porque, mais uma vez o digo, esse é o imposto que esta corja maldita nos impôs.

Continuo a achar que o Estado, num espectacular assalto de que todos temos memória, tem sido delapidado ao longo de todos estes anos, obrigado que foi a alimentar esta seita maldita de vociferantes bem-falantes, mas, na mesma linha, pérfidos e bacocos, os quais, se ninguém meter travão, hão-de vir num futuro, que não é longínquo, a emagrecer ainda mais o nosso Estado.

Nós, portugueses, que somos o Estado, só temos de reclamar o que nos tem sido deliberadamente roubado e, nessa altura, que bom vai ser poder assistir à abertura do verdadeiro banquete, aquele que vai trazer à maioria dos convidados a certeza de que não mais voltaremos a precisar de sustentar nenhum burro (ou centenas deles) a pão-de-ló, ou melhor, a peso de ouro.

 

Sou, atenciosamente, João Carlos Pereira


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