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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 12.10.10 às 00:53link do post | | adicionar aos favoritos

 

O Relatório “Índice da Fome no Mundo 2010”, divulgado ontem, traça um cenário negro para vinte e cinco países, nos quais “o aumento da forme é alarmante”.

Nepal, Tanzânia, Cambodja, Sudão, Zimbabué, Burkina Faso, Togo, Guiné-Bissau, Ruanda, Djibuti, Moçambique, Índia, Bangladesh, Libéria, Zâmbia, Timor-Leste, Níger, Angola, Iémen, República Centro-Africana, Madagáscar, Ilhas Comores, Haiti, Serra Leoa e Etiópia são os vinte e cinco países que, a par de outros, compõem a “lista-negra” agora divulgada, onde a pobreza, os conflitos e a instabilidade política constituem os principais factores responsáveis por acentuarem a fome no mundo.

Para chegar a estas conclusões, foram tidos em conta em cada país não só a proporção da população com subnutrição, como também o baixo peso infantil e as taxas de mortalidade infantil.

Destacam-se desta lista quatro países que pertencem à CPLP – a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa –, o que faz ressurgir a questão do espaço da lusofonia e dos laços de solidariedade em relação a estes povos, que são “caros” a Portugal, sobretudo em relação a este flagelo da fome que leva a que morram por ano centenas de milhares de pessoas em todo o mundo.

 

 

No começo do século XXI, é incompreensível para nós que ainda haja pessoas que morram por não terem nada para comer ou por estarem mal nutridas.

Sobretudo, quando nos lembramos que a manutenção de uma guerra consome recursos financeiros incalculáveis, já para não falar das vidas humanas que ceifa.

Apesar de conhecermos as respostas, ainda assim vale a pena perguntar: quantas vidas teriam sido salvas no planeta se os recursos (ou parte deles) gastos com a guerra do Iraque e do Afeganistão tivessem sido canalizados para auxílio destas vítimas inocentes que não têm nada para além da própria miséria em que vivem?

Quando assistimos, no final de 2008, ao desmoronar do sistema financeiro norte-americano que viria, por arrastamento, a contagiar a Europa e o resto do mundo, quando assistimos aos Estados, através dos seus governos, despender quantias incalculáveis de dinheiro para acudir a este mesmo sistema financeiro que deu azo a que à crise financeira se sucedesse uma crise económica e social sem paralelo na história, e de que ainda hoje se fazem sentir por todo o lado os seus efeitos nefastos, quando o que vemos por esse mundo fora é um gritante alheamento, por parte dos países ditos desenvolvidos, em relação às tremendas dificuldades e carências dos países mais pobres, quando o que vemos é a Comunidade Internacional a demitir-se das suas responsabilidades solidárias de ajuda e assistência a estas populações famintas e as ONG’s a tentarem desesperadamente suprir a responsabilidade dessa Comunidade Internacional, quando assistimos a isto tudo e a muito mais, só nos apetece ter vergonha do mundo em que vivemos, não porque o mundo nos desperte qualquer sentimento de repulsa ou desilusão, mas porque os decisores políticos não têm feito o trabalho que deviam, mas apenas olhado para os seus interesses particulares em vez de olharem para os interesses da comunidade que governam.

 

Basta olharmos para Angola e Moçambique, dois países com imensos recursos e com excelentes capacidades de suprirem as suas próprias necessidades, para descobrirmos que existem nestes países sociedades a duas velocidades, onde a opulência de uma minoria contrasta com a pobreza da maioria, onde os recursos só são reprodutivos para alguns e onde o fosso que separa estas duas espécies de sociedades equivale à distância que separa a Terra da Lua.

A culpa é de todos e não é de ninguém. Como sempre, há-de morrer solteira.

Só que, no relógio do tempo, a cada segundo que passa morre uma pessoa com fome no mundo.

E isso devia envergonhar todos aqueles para quem a vida humana é uma simples estatística ou uma nota de rodapé num qualquer relatório sobre a fome no Planeta Terra. Até quando?

   


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