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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 26.11.10 às 23:49link do post | | adicionar aos favoritos

 

 

Só uma hecatombe eleitoral poderá não dar a vitória de Cavaco Silva nas próximas eleições presidenciais.

Quer Eanes, quer Soares, quer Sampaio foram eleitos para um segundo mandato, por isso nada faz antever que com Cavaco as coisas sejam diferentes.

Todas as sondagens dão, aliás, a vitória mais que certa ao actual presidente, conseguindo mesmo a maioria absoluta logo na primeira volta.

Manuel Alegre, por seu lado, arrisca-se até a obter um resultado menos expressivo do que aquele que granjeou nas últimas eleições (2006), muito por força do facto de ter tido à cabeça o apoio do Bloco de Esquerda e, só mais tarde, do próprio Partido Socialista, que o teve de “engolir” amargamente para desgosto de algumas alas socialistas.

Esse é, precisamente, um dos dilemas de Alegre: ao não querer desiludir bloquistas e socialistas, só lhe resta o silêncio, um sacrifício que não lhe está no sangue e que o leva a contradizer uma das suas expressões mais emblemáticas: “a mim, ninguém me cala”.

Este amargo de boca que José Sócrates impôs ao seu partido podia muito bem parecer-se com aquela famosa tomada de posição do Partido Comunista na segunda volta das eleições presidenciais de 1986, quando aconselhou os seus camaradas a engolir um sapo e a votar em Mário Soares, tampando para o efeito a sua foto no boletim de voto, para evitar que o candidato da direita, Freitas do Amaral, fosse eleito para Belém.

 

A fórmula deu os seus frutos, e Soares lá ganhou as eleições.

Ora, também agora o primeiro-ministro podia aconselhar os seus correligionários a proceder do mesmo modo, tapando a foto e votando maciçamente em Manuel Alegre. Mais sapo, menos sapo.

No entanto, os tempos são outros. Por maior que seja o sapo a engolir, ele nunca será tão grande quanto o resultado de Cavaco Silva nas próximas eleições.

Quer queiram ou não, os portugueses, nos próximos cinco anos, irão continuar a ter no Palácio de Belém alguém que fala pouco, que nunca se engana e raramente tem dúvidas, uma pessoa que gosta de fazer férias cá dentro e que é um fiel e fervoroso consumidor de Bolo-Rei… haja é dinheiro para o comprar!


Carlos Gomes a 3 de Dezembro de 2010 às 17:07
A questão a saber qual vai ser o próximo Presidente da República parece-me de pouca relevância porquanto, qualquer que ele seja - e venha de um quadrante político mais à esquerda ou à direita - terá de personificar o quadro constitucional vigente ou seja, o regime político instituído e consagrado com a actual Constituição da República Portuguesa. O Professor Dr. Cavaco Silva não será no actual contexto histórico em que vivemos um General De Gaulle nem o PSD possui a matriz reformista original que llhe possibilitariam protagonizar uma reforma do actual regime político que, tal como sucedeu em 1910, 1926 e 1974, se encontra prestes a cair de pôdre. E, assim sendo, resta-nos o receio fundado na experiência histórica de que, na incapacidade de se implementar reformas, o caminho seja uma vez mais a ruptura!

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