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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 14.03.11 às 21:07link do post | | adicionar aos favoritos

24 DE AGOSTO DE 79: DEZ HORAS DA MANHÃ

Num ribombar de trovão, os gases e o vapor acumulados durante séculos no seio do Vesúvio, por todos considerado extinto, fazem soltar a rolha de lava que obstruía o cone do vulcão; os pedaços mais pesados recaem perto dos bordos da cratera, enquanto o magma, rico em gás sob pressão, explode, projectando fragmentos de lava em todas as direcções, por vezes a vários quilómetros de altura. Ao arrefecerem e ao perderem os gases, estes fragmentos transformam-se em pedras-pomes, que, acompanhadas por cinzas pulverulentas, caiem num raio de quinze quilómetros, formando, pouco a pouco, uma camada de cinco a sete metros de espessura. A esta chuva de cinzas e de pedras mistura-se em breve a água do céu. O vento, que se levantou, impele as cinzas para Sueste, quer dizer, para Pompeia.

Um pouco mais tarde, produz-se uma abertura no cimo da cratera, num sítio onde a parede cedeu, formando-se imediatamente um rio de lava que, escorrendo pelas encostas do Vesúvio, atinge a cidadezinha de Herculano, imediatamente submersa por espessas ondas com quinze metros de altura.

Os habitantes de Herculano foram, de certo modo, favorecidos pela natureza do flagelo que se abatia sobre eles: perante esta maré lamacenta, que acabava de derrubar o muro da Cena e as estátuas do teatro, não poupando sequer uma pesada quadriga que encimava um edifício público e que ficou quebrada em mil bocados, era preciso fugir. Depressa e para longe.

Ficar era morrer da maneira mais atroz.

Os que tinham um cavalo, um burro, um carro, fugiram à luz das tochas, rumo ao mar ou rumo a Nápoles. Só alguns doentes ou anciãos inválidos pereceram nos escombros.

Protegendo a cabeça com almofadas ou peças de roupa, todos se precipitavam na escuridão, meio asfixiados pelos vapores de enxofre que o vento impelia atrás deles; muitas vezes abriam-se-lhes debaixo dos pés valas intransponíveis: era preciso contorná-las, não se perder, procurar os pais, os filhos, à luz dos relâmpagos lívidos ou dos géisers de lava em fusão, que continuavam a coroar, lá ao longe, a Leste, o gigante em erupção.

A lama líquida descia em direcção ao mar; chegando ao limite das águas, continuou a avançar, projectando a margem cerca de duzentos metros. Às dezoito horas não havia um sopro de vida em Herculano.

A lama tinha abalado, abatido, recoberto riquezas artísticas sem igual. O templo de Cíbele, reconstruído por Vespasiano, as colecções de estátuas e de bronzes da Vila Pisónia, todos os monumentos públicos, o Fórum, a biblioteca riquíssima do filósofo Filodemo (centenas de papiros, muitos deles ainda por ler) e todos os objectos raros e frágeis de que os ricos proprietários das vilas se rodeavam – de tudo isso, nada restava, pelo menos assim se poderia pensar.

(Continua…).


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