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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 25.03.11 às 16:11link do post | | adicionar aos favoritos

 

Resta-nos o consolo de que certamente a História, se for justa o suficiente, registará para as gerações vindouras o quão miseráveis foram os fazedores de política neste dealbar do século XXI… ao ponto de se terem revelado políticos fúteis e medíocres, de não se terem entendido uns com os outros e de terem deixado cair o país numa profunda e repugnante merda.

 

O chumbo, na quarta-feira, do Programa de Estabilidade e Crescimento nº 4 (PEC 4) no parlamento desencadeou a inevitável crise política que todos já antevíamos há alguns meses.

Perante a recusa dos partidos da Oposição em votar favoravelmente este novo pacote extraordinário de medidas adicionais de combate ao défice, o primeiro-ministro não teve outra alternativa senão apresentar a sua demissão.

A despeito de termos sido sempre muito críticos em relação à figura de José Sócrates e a determinadas opções políticas que o governo socialista impôs aos portugueses, há um ponto em relação ao qual convergimos com o primeiro-ministro: o maior partido da Oposição não apresentou aos portugueses uma única medida alternativa àquela PEC, restando apenas um silêncio ensurdecedor, seguindo pelo presidente da república, e uma desresponsabilização perante as dificuldades do país.

O PSD deixou-se enredar pela já gasta ideia das tricas político-partidárias, da mera luta pelo poder em detrimento dos superiores interesses nacionais, uma espécie de partido faminto que, ao mínimo sinal de rebate, se apressa a juntar as suas tropas para, num golpe de pura sorte, assaltar a manjedoura e instalar-se à sombra de uma bananeira chamada Portugal.

Àquele silêncio ensurdecedor seguiu-se o soante latir desta matilha faminta e esquizofrénica: afinal, se calhar, o IVA vai ter que subir para 24 ou 25%!

Vemos agora finalmente o que o PSD queria com aquele silêncio: esconder aos portugueses aquilo que tem inevitavelmente de ser feito, seja pelo PS, seja pelo PSD – ou seja, fazer aplicar um conjunto de medidas austeras que ainda consigam salvar a honra do convento, apesar de já irmos muito tarde, tarde demais.

A partir de 2009, começámos a questionar-nos sobre a oportunidade das opções políticas do governo de Sócrates – recordamo-nos, por exemplo, daquela medida populista e eleitoralista, precisamente em ano de eleições, de aumentar os funcionários públicos bem acima da inflação, num momento em que a crise internacional já dava os primeiros passos e o futuro se começava a perfilar incerto.

Para além disso, ao longo destes últimos (sobretudo) dois anos tantas foram as trapalhadas cometidas por este governo que nos obrigaram a reformular a nossa opinião sobre ele: autismo, arrogância, persistência na execução de obras públicas fundamentais para o país, é certo, mas completamente descontextualizadas do tempo e das dificuldades que vivemos, os sucessivos escândalos que abalaram não só a figura do primeiro-ministro como também figuras cinzentas do seu núcleo íntimo de amigos ou staff mais próximo, a insistência em combater o défice pelo lado da receita em vez de cortar na despesa, o fanatismo de ignorar o apelo nacional a uma convergência de esforços e a um consenso, alargado e transversal, que permitisse uma ampla base de apoio na Assembleia da República e um fortalecimento da acção política do governo, o modo como encarou a maioria relativa que obteve nas legislativas de 2009 e a relação que estabeleceu com o parlamento, como se essa maioria relativa se houvesse transformado de um momento para o outro em absoluta, ou, já nos últimos dias, a descompostura democrática e a falta de respeito (deliberada?) que revelou pelo protocolo aquando da tomada de posse do presidente da república… todos estes exemplos (e muitos outros se podiam aliar ao rol) ajudaram-nos, com efeito, a sedimentar uma péssima imagem deste primeiro-ministro, figura com a qual, estamos certos, o país não poderá (nem deverá) voltar a contar.

Afinal, para que serve ter um país evoluído tecnologicamente, quadros jeitosos e interactivos nas escolas, as criancinhas a falar inglês quase logo à nascença, se esse mesmo país está teso que nem um carapau, se os pobres estão cada vez mais pobres, se são sempre os mesmos que passam pelos sacrifícios, se o Estado esbanja por um lado para vir a seguir roubar por outro, se esse mesmo país está falido e não oferece perspectivas de futuro a ninguém?

Mas, onde estão as alternativas? Este PSD de Passos Coelho? Não brinquemos com coisas sérias…

O país não está em condições financeiras nem psicológicas para suportar mais este triste e lamentável embate.

A trupe que rodeia o actual líder do PSD é mais do mesmo, é farinha do mesmo saco, que, e nisso não podemos deixar de concordar com Sócrates e com os dirigentes socialistas, apenas pretende chegar ao poder a qualquer custo, ainda que o preço se revele demasiado pesado para Portugal.

A luz ao fundo do túnel que os social-democratas já dizem ver, não é mais do que a chama de uma lamparina que ao mínimo sopro do vento se apaga – por tal frágil que é.

De resto, os dirigentes do PSD, horas depois do pedido de demissão apresentado pelo primeiro-ministro, começaram logo a limpar as armas e apresentaram ao país o seu PEC: aumentar impostos!

O PEC apresentado pelo PS não prestava, impunha demasiados sacrifícios aos portugueses; o do PSD é que é bom!

Então, qual é a diferença entre o PEC do PS e o do PSD? A diferença é que o PEC do PS foi apresentado por um governo que estava no pleno e legítimo exercício das suas funções governativas, e o PEC do PSD já começou às pinguinhas a ser apresentado por um partido irresponsável que quer a todo o custo chegar ao poder – ainda que para isso tenha aberto no país a maior crise política dos últimos trinta anos. É que, de gente cínica e mentirosa andamos todos fartos.             

Resta-nos o consolo de que certamente a História, se for justa o suficiente, registará para as gerações vindouras o quão miseráveis foram os fazedores de política neste dealbar do século XXI… ao ponto de se terem revelado políticos fúteis e medíocres, de não se terem entendido uns com os outros e de terem deixado cair o país numa profunda e repugnante merda.


Carlos Gomes a 27 de Março de 2011 às 23:14
A foto corresponde a uma brincadeira inventada por brasileiros e que há algum tempo correu na net... não é para levar a sério!

Almeida a 31 de Março de 2011 às 22:36
A situação é de tal forma grave que não basta a troca de governo, entre eles "o diabo que escolha".
Temos um poder democrático fraco e outros poderes fortes que às vezes nem o rosto se lhes conhece e não se consegue sequer combater devidamente.
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1797926
Há corrupção quase em todo o lado, há um poder que não resulta de eleições e cujas decisões se sobrepõem a todas as outras e que não é controlado, eles estão acima da lei. Acabamos com os reis e metemos outros piores no seu lugar. A verdadeira crise é a de valores e princípios, mas como algumas pessoas só vêm dinheiro à sua frente! Os noticiários abrem com noticias de futebol como se não houvesse nada mais importante, é este o país que temos, não admira estarmos em crise.

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