Novo Blog para o Concelho de Ourém. Rumo à Excelência. Na senda da Inovação
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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 06.12.10 às 21:47link do post | adicionar aos favoritos

PARA UMA CIDADE NOVA, ARTES NOVAS E NOVAS TÉCNICAS

Esquecer! Todos tentavam fazê-lo, menos o banqueiro Cecílio Jucundo. No dia fatal, retido no Fórum pelos seus negócios, tinha prometido aos deuses Lares, em troca da sua vida, um imponente sacrifício, que os seus meios, aliás, lhe permitiam. Teve a sorte de conservar a vida, mas os deuses protectores não alargaram a sua generosidade até à casa do banqueiro, que ficou em ruínas; assim, quando Cecílio Jucundo a manda reconstruir, encarrega um artista de esculpir um baixo-relevo para o novo átrio e nele manda representar algumas cenas do sinistro de que fora testemunha. Mas, por endinheirados que fossem, os Pompeus não tinham possibilidades de reconstruir sozinhos a sua cidade; por isso, enviaram a Roma um grupo de emissários, escolhidos entre os edis e os notáveis da cidade, encarregado de solicitar o auxílio do imperador e do Senado. Nero era favorável, mas o Senado achou as despesas muito elevadas. Sem que disso se apercebessem, estava em jogo a última oportunidade dos Pompeus.

Estes insistiram e mandaram nova delegação, composta pelas mais elevadas personagens da cidade.

O Senado acabou por ceder e decretou a reconstrução de Herculano e de Pompeia. Visto que nada ou quase nada restava, surgiu a tentação de elaborar uma espécie de plano urbanístico, ou, pelo menos, de unificar o aspecto exterior das novas construções. Foi resolutamente adoptado o estilo romano contemporâneo: como, por ocasião do sismo, os últimos vestígios oscos e samnitas haviam desaparecido quase por completo, com raras excepções, os construtores voltaram costas ao passado e enveredaram por um caminho novo.

Antes de tudo, era preciso apaziguar os deuses, cuja cólera fora evidente, e agradecer àqueles que, com a sua protecção, lhes tinham salvo a vida. Foi, entretanto, solicitado aos templos que haviam ficado de pé que acolhessem as divindades momentaneamente desalojadas. Júpiter, Juno e Minerva, reduzidos às dimensões de maquetas de cerâmica – as suas estátuas colossais tinham caído – foram instalar-se em casa do seu colega heleno Zeus. Quanto a Apolo, ficou ao ar livre, enquanto os deuses Lares tomaram sob sua protecção a cidade destroçada: construíram-lhes à pressa um enorme átrio, enquadrado por dois nichos, no centro da cidade. Ísis, foi a primeira a ser realojada.

Era, pois, necessário, para abrigar rapidamente as pessoas sem tecto e pôr de novo em movimento as indústrias anteriormente tão florescentes, andar depressa sem, no entanto, se meterem em despesas demasiado elevadas.

 

Começaram por servir-se dos materiais de recuperação, aplicando-os desde logo nos edifícios comuns: os templos, o Fórum, as termas; os particulares e os funcionários municipais usaram largamente da «cunha» para conseguirem os serviços dos arquitectos e dos operários, disputados a peso de ouro. Certos proprietários, duramente atingidos no plano financeiro pelo desaparecimento dos seus haveres, resignaram-se a abrir loja de uma forma menos discreta do que dantes: as salas destinadas ao negócio deixaram de ser tão cuidadosamente isoladas da zona residencial, da casa, e mais de um Pompeu sacrificou um pouco da sua intimidade ao desejo de refazer a sua fortuna.

Esta construção quase total forneceu ocasião para uma ruptura com o passado. Ao mesmo tempo que se substituía o estilo puro e simples da ocupação grega por um estilo romano onde o estuque pintado, o tijolo colorido e o abuso dos ornatos acentuavam a carácter «novo-rico» ou «arrivista» da cidade, eliminavam-se todos os vestígios de um passado político mais ou menos agitado. Este desejo de cortar com o passado traduziu-se até na existência de funcionários encarregados de apagar as mais insignificantes inscrições oscas ou samnitas. Pompeia reconstruída será «romana». Aliás, muitos romanos ricos adquiriram por uma bagatela villas danificadas para depois mandarem reconstruí-las, empenhando-se em multiplicar os exemplos de uma decoração de estilo moderno, onde o sarapintado só cedia o passo à abundância dos mais diversos motivos. Data desta época, por exemplo, a preocupação em adaptar a decoração das salas à sua finalidade: naturezas mortas para o triclínio ou sala de jantar, cenas da mitologia para as salas de recepção, rústicas para o átrio, sem omitir os frescos impudicamente sugestivos para as salas reservadas aos prazeres do amor. Preocupavam-se, além disso, em voltar a utilizar da melhor maneira os materiais recuperáveis; parece que o conseguiram, pois o conteúdo dos vazadouros públicos (descoberto e examinado minuciosamente) era composto apenas por materiais ligeiros e frágeis: telhas partidas, tijolos quebrados, cascos de louça, com exclusão de qualquer pedra ou laje que pudesse voltar a servir.

 

As paredes que apenas estavam rachadas foram consolidadas com o auxílio de anéis horizontais, com motivos em tijolo; as abóbadas em perigo foram sustidas por pilastras e arcos em tijolo, cujos tons vão do amarelo-palha até ao havana, passando pelo famoso vermelho-coral um pouco baço, chamado «vermelho pompeiano». As colunas da Grande Palestra, por seu turno, serão postas em pé e soldadas ao soco por meio de uma camada de chumbo derretido. O tijolo é utilizado por todo o lado: ligado por finas camadas de cimento, alternado em motivos decorativos com a pedra e o tufo, confere à paisagem uma nota colorida, quente, alegre, contrastando com o azul do céu, novamente sereno.

Herculano, mais duramente atingida, porque mais próxima do suposto epicentro do sismo, mesmo assim ergueu-se primeiro das suas ruínas. A presença de ricos proprietários entre os seus habitantes favoreceu esta rápida ressurreição.

(Continua…).


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 06.12.10 às 18:11link do post | adicionar aos favoritos

 

Um avião das linhas aéreas angolanas (TAAG) que descolou hoje em Lisboa com destino a Angola teve de fazer uma aterragem de emergência na Portela, poucos minutos após ter levantado voo.

Aparentemente, a causa foi problemas técnicos que o Boeing 777 teria experimentado durante a descolagem.

Vários pedaços da fuselagem teriam mesmo se soltado do avião, acabando por gerar o pânico em algumas zonas da cidade de Almada, com os objectos a caírem do céu e a danificar algumas casas e viaturas que se encontravam estacionadas na rua.

Há até relatos que o incidente terá alegadamente ferido sem gravidade algumas pessoas, que não imaginariam decerto que hoje iriam levar com alguns bocados de um avião na cabeça.

Não fosse o caricato da história e não ter havido uma tragédia de maior, a situação até poderia ter passado relativamente despercebida aos olhos da opinião pública.

No entanto, a verdade é que estamos perante um aparelho da TAAG, a mesma companhia aérea que tem visto nos últimos tempos a União Europeia a incluí-la na lista negra das companhias de aviação proibidas de voar no espaço aéreo comunitário, precisamente pelo seu péssimo historial de segurança.

Mesmo para Portugal, a companhia angolana já esteve por diversas vezes interdita de voar, uma vez que alguns dos aviões da sua frota, por falta de manutenção, oferecem condições de segurança muito duvidosas, pondo assim em risco não só passageiros como também a integridade dos territórios que sobrevoam (pessoas e bens).

 

Ainda há apenas dois anos, um dos motores de um Boeing 747 da TAAG, que fazia a ligação entre o Rio de Janeiro e Luanda, explodiu em pleno oceano atlântico. A tragédia só não ocorreu, porque os 747 possuem quatro motores e os estilhaços provocados pela explosão não atingiram por milagre a fuselagem, o que, a acontecer, levaria à despressurização da cabina e a uma possível desintegração e consequente queda do avião.

No caso de hoje, foram apenas umas peças que se soltaram do aparelho, o que fez com que o piloto, conscientemente, regressasse ao aeroporto e aterrasse em segurança.

Porém, esta história levanta-nos um velho problema que é a localização do aeroporto de Lisboa.

Todo o tráfego aéreo do aeroporto da portela tem obrigatoriamente que utilizar os sentidos norte ou sul para aterrar ou levantar voo, o que, pela orientação das pistas, conduz inevitavelmente os aviões a sobrevoar zonas de grande densidade populacional.

O caso paradigmático é o lado sul, com os aviões a sobrevoar a baixa altitude o pleno coração da capital portuguesa.

 

Até que não ocorra uma verdadeira tragédia sobre Lisboa, aquele punhado de gente saudosista e bairrista vai continuar a fazer finca-pés à não deslocalização do aeroporto seja para que parte for. Eles querem ter o aeroporto dentro de casa, se possível à porta, para sua inusitada e exclusiva comodidade.

Querem lá saber do ruído (já estão habituados), importam-se lá com a segurança dos seus concidadãos… o que interessa é estar em cinco minutos no aeroporto, ou até mesmo ir a pé, o resto que se lixe! Afinal, o mal só acontece aos outros…!

Por agora foram peças, por estes dias, quem sabe, um motor e, depois (longe vá o agoiro), o avião todo.

Nessa altura, queremos ver a “tromba” de todos aqueles para quem a Portela é a verdadeira e única jóia da coroa nacional.

É que os tempos que vivemos neste dealbar do século XXI não se compadecem com visões mesquinhas e preconceitos retrógrados. Com esta gente e a pensarmos assim, muito dificilmente sairemos da cepa torta ou deixaremos de ser um pequeno país à beira-mar plantado…


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