Novo Blog para o Concelho de Ourém. Rumo à Excelência. Na senda da Inovação
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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 12.12.10 às 18:41link do post | adicionar aos favoritos

 

Para pôr termo ao lamentável folhetim da iluminação de Natal, quer em Ourém quer em Fátima (ou Cova de Iria?), eu, João Pereira, me confesso.

Falando apenas de Ourém, já que Fátima, sendo a jóia da coroa para muito boa gente (que se esquece que Ourém sempre foi, é e, se o bom senso imperar, há-de continuar a ser a sede do concelho) não é chamada hoje para este texto, posso dizer que percorri todas as artérias da minha querida cidade (na qual eu nasci) à procura de algo novo que me lembrasse o Natal.

O que constatei foi, à excepção da árvore de Natal gigante junto aos Paços do Concelho, um arraial folclórico que me lembrou as festas populares. Julguei que o Santo António tinha chegado mais cedo, ou então que as estações do ano haviam sido trocadas.

A iluminação é, com efeito, feia, assustadoramente mal concebida e pindérica. Revela um mau gosto atroz, amplamente saloia e brejeira.

Acho sinceramente que, ou cumpríamos o rigor de austeridade financeira com que todo o país (incluindo regiões autónomas) está confrontado, ou então não se gastava um único cêntimo nesta feira de vaidades e iluminações que só servem para enganar parvos e gente incauta.

Se há um ano estávamos falidos, hoje estamos falidamente iluminados.

Demagogicamente, os caciques locais querem-nos atirar para os olhos as benfeitorias deste Natal, como se o povo tivesse memória curta e não se lembrasse do que se tem escrito por aí.

É fácil vociferar despautérios contra a gestão camarária anterior. Eu próprio teci veladas e objectivas críticas a respeito do marasmo que nos impuseram em mandatos anteriores.

Mas, paradoxalmente, não vejo o que é que tenha mudado. Ou melhor, algo mudou, mas não augura um bom presságio.

Certa vez, perguntei a Orlando Cavaco (e espero não estar a cometer nenhuma inconfidência), na dependência da Caixa Geral de Depósitos (passo a publicidade), por que razão a Câmara Municipal só nomeava boys social-democratas para os principais cargos dirigentes do nosso concelho. A resposta que obtive foi que, por estarem dentro dos assuntos, eles seriam os mais qualificados para as diversas funções…

Hoje, a pergunta que deixo aqui é a seguinte: quantos boys do PSD a actual maioria pôs na rua quando assumiu funções? E quantos boys socialistas entraram na órbita municipal?

Não estaremos, neste momento, com um aparelho público a nível local super obeso, cujas tetas, por tão ordenhadas que têm sido, começam a dar sinais de cansaço?

Não estará a actual maioria a dar guarida a uma trupe de gente que, a juntar à que já lá estava, apenas se quer orientar na vida e delapidar o pouco que nos resta?

 

E quem pagou as festas da cidade? Quem são os misteriosos benfeitores que proporcionaram ao povo um chá inebriante que apenas serve para distrair e enganar as pessoas? E que apenas serve para cativá-las e domá-las?

Por que razão Ourém só tem dois (salvo erro) planos de pormenor, e um, precisamente na Caridade?

Será que quem anda a patrocinar / financiar a Câmara Municipal de Ourém são os amigos e afilhados que, a troco de uns tostões, vão recebendo uns favorzões?

Por que razão ninguém nos explica isto?

Claro que o povo, enquanto anda entretido com festinhas, inaugurações e luzinhas, não tem tempo para pensar nestas coisas.

Se Salazar embrutecia o povo negando-lhe a educação, nos tempos que correm dão-se-lhe uns copos e umas bifanas que ele fica estupidamente entretido. E o resto meus senhores? E as contas? E o dinheiro, vai-se buscar onde?

E depois poupa-se na lenha das criancinhas, porque essas lá têm que se aguentar… E depois desconfia-se dos professores, porque esses a lenha podem roubar…

Caros amigos: estamos em crise, e ponto final.

Uma árvore de Natal gigante? Sim senhor, assino por baixo. Tudo o resto é feio, é dinheiro mal gasto, são presentes envenenados e uma tremenda falta de gosto.

Este novo-riquismo sempre me fez muitas borbulhas, estraga-me a pele, sei lá, sobretudo esta vida fácil quando metemos a nossa burra foice em seara alheia, a do Estado, a grande teta que alimenta falidos e desprovidos de negócio ou futuro.

Espero que o Orlando Cavaco ainda se lembre da proposta que me fez no Café Chiado há alguns anos atrás, porque hoje, mais do que nunca, tenho pena de ter sido quem fui ou de ter (termos) sustentado muitos burros a garbosos pães-de-ló… a não ser que, feitas as contas deste rosário infeliz, ainda apareça o Pai Natal a dizer-me o contrário.

Tenham umas Festas imensamente felizes e, já agora, um Excelente e Santo Natal.     


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 09.12.10 às 21:33link do post | adicionar aos favoritos

 

Os portugueses acreditam cada vez mais que a corrupção no país é um fenómeno que veio para ficar e que está a aumentar, e elegem os partidos políticos e o próprio parlamento como os principais receptáculos desta chaga execrável da sociedade.

Se descontarmos o facto de que em tempos de crise este sentimento de desconfiança tende a acentuar-se, a verdade, porém, é que casos como a “Operação Furacão”, a “Compra dos Submarinos”, “Isaltino Morais”, o “Apito Dourado”, os casos das “Universidades Independente e Moderna”, o “Freeport” ou o “Face Oculta”, só para citar alguns exemplos, adensam essa desconfiança e contribuem para o descrédito dos seus alegados e vistosos protagonistas.

Costuma dizer-se que onde há fumo há fogo, logo é legítimo questionarmos se não haverá no meio destas trapalhadas todas uma, ainda que ténue, cortina de verdade.

Como a justiça não funciona e muitas vezes só atrapalha, para além de nada ser levado até às últimas consequências, só nos resta continuarmos a assistir a este desfile de impunes artimanhas num país faz-de-conta chamado Portugal.  


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 08.12.10 às 22:52link do post | adicionar aos favoritos

24 DE AGOSTO DE 79 D.C.

Infelizmente, o sismo de 63 era apenas uma espécie de ensaio geral para a tragédia que iria dizimar uma população empenhada no trabalho e no combate à pouca sorte.

Pelas fendas do solo, a água do mar infiltrava-se na massa vulcânica atingindo o magma em fusão, o qual se transformava em vapor. De dia para dia, o calor e a pressão aumentavam, lutando por se escapulir contra a rolha de lava que obturava a cratera.

E nada, no exterior, deixava prever a iminência do espantoso perigo.

Imaginemos, por instantes, os vinhateiros de Pompeia, podando as suas vides sobre os próprios flancos do vulcão, esperando uma colheita próxima, uma colheita de grande qualidade, cuja venda os auxiliaria a reconstruir e a decorar as suas casas. O tempo estava bom e seco, os dolia (vasos) estavam prontos, mais algumas semanas e, glória a Baco!, os vindimadores disseminados pelas encostas do Vesúvio, iriam recolher os cachos a abarrotar de açúcar e de sol!

No entanto, em meados do mês de Agosto, alguns indícios precursores teriam chamado a atenção de qualquer observador esclarecido: paredes que racham, objectos que caem, poços bruscamente secos. Mas nada de verdadeiramente inquietante para um pacífico pompeiano.

 

A 20 de Agosto, o caso torna-se mais sério: ruídos surdos e longínquos ribombam ao longe, como se uma trovoada se aproximasse; alguns abalos agitam o solo.

A população de Pompeia inquieta-se, algumas pessoas afirmam terem ouvido ruídos estranhos na montanha, qual combate subterrâneo entre gigantes. Até o mar, sempre tão calmo, se agita e ruge. Apesar disso, nos dias 22 e 23 tudo entra na normalidade. No horizonte, o céu confunde-se com um mar sem rugas. A cidade, feliz, respira desanuviada. Todavia, uma vez mais, outros sinais poderiam ter chamado a atenção: mais sensíveis à natureza do que os homens, dotados do sentido do perigo longínquo – de que nós somos desprovidos, nós, em quem a inteligência adquiriu vantagem sobre o instinto – os animais, esses, sabiam-no. As aves, silenciosas, esvoaçavam por aqui e por ali, aflitas; os cães, ao contrário, ladravam incessantemente; nos estábulos, vacas e bois, puxando as cordas que os prendiam, mugiam tristemente.

No dia 24 de Agosto, de manhã, sob um sol radioso, Pompeia, Herculano e Nápoles despertaram veladas por uma ligeira bruma de calor, que lhes esbatia os contornos. Repentinamente, um abalo agitou o solo – um único. Algumas horas mais tarde, por volta das dez, ouviu-se uma detonação terrível, vinda do vulcão: os Pompeus, estupefactos, viram que o cimo do vulcão se dividia em dois; uma coluna de fogo subiu para o ar, logo substituída por uma espécie de cogumelo de fumo preto. A partir de então, as detonações sucedem-se, surdas, acompanhando a queda de enormes pedregulhos projectados ao ar. De repente, mudança de quadro: começa a cair sobre a cidade uma chuva de pedras, de torrões, de lapilli (minúsculos fragmentos de lava), de pedra-pomes e de escórias. O sol desaparece atrás desta chuva sólida e densa.

Em pleno meio-dia, sobre Pompeia prestes a morrer, desce uma noite terrível, noite que vai durar 72 horas.

(Continua…).


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 08.12.10 às 22:42link do post | adicionar aos favoritos

ALGUNS DOS HOMENS E MULHERES MAIS CRUÉIS DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE, SEGUNDO O LIVRO “THE MOST EVIL MEN AND WOMAN IN HISTORY”. 

 

Adolf Hitler (nasceu em Braunau am Inn, a 20 de Abril de 1889, e faleceu em Berlim, a 30 de Abril de 1945) foi o líder do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (em alemão Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, NSDAP), também conhecido por Nazi, uma abreviatura do nome em alemão (Nationalsozialistische), sendo ainda oposição aos social-democratas, os Sozi. Hitler tornou-se chanceler e, posteriormente, ditador alemão. Era filho de um funcionário da alfândega de uma pequena cidade fronteiriça da Áustria com a Alemanha. As suas teses racistas e anti-semitas, assim como os seus objectivos para a Alemanha ficaram patentes no seu livro de 1924, Mein Kampf (A Minha Luta). Documentos apresentados durante o julgamento de Nuremberg indicam que, no período em que Adolf Hitler esteve no poder, grupos minoritários considerados indesejados, tais como Testemunhas de Jeová, eslavos, polacos, ciganos, homossexuais, deficientes físicos e mentais e judeus, foram perseguidos no que se convencionou chamar de Holocausto. Apesar da falta de documentos que o comprovem, a maioria dos historiadores entende que a maior parte dos perseguidos foi submetida à “Solução Final”, enquanto certos seres humanos foram usados em experiências médicas ou militares.

No período de 1939 a 1945, Hitler liderou a Alemanha, a qual se encontrava envolvida no maior conflito do Século XX – a Segunda Guerra Mundial.

 

A Alemanha, juntamente com a Itália e o Japão, formavam o “Eixo”. O “Eixo” seria derrotado apenas pela intervenção externa do grupo de países que se denominavam os “Aliados”. Este grupo notabilizou-se por ter sido constituído pelos principais representantes dos sistemas capitalista e socialista, entre os quais a URSS e os EUA, união esta que se converteu em oposição no período pós-guerra, conhecido como a “Guerra Fria”. A Segunda Guerra Mundial acarretou a morte de um total estimado de 50 a 60 milhões de pessoas.

Hitler sobreviveu sem ferimentos graves a 42 atentados contra a sua vida. Devido a isso, ao que tudo indica, Hitler teria chegado a acreditar que a “Providência” estava a intervir a seu favor. A última tentativa de assassiná-lo foi em 20 de Julho de 1944, onde uma bomba inglesa explodiu a apenas dois metros do Fuhrer. O atentado foi liderado e executado por Von Stauffenberg, coronel alemão condenado à morte por fuzilamento. Este atentado não o impediu de, menos de uma hora depois, se encontrar em perfeitas condições físicas com o ditador fascista italiano Benito Mussolini.

Adolf Hitler suicidou-se no seu quartel-general, o Fuhrerbunker, em Berlim, a 30 de Abril de 1945, enquanto o exército soviético combatia já as duas tropas que defendiam o Fuhrerbunker (a francesa Charlemagne e a norueguesa Nordland). Segundo testemunhas, Adolf Hitler já teria admitido que havia perdido a guerra desde o dia 22 de Abril, razão pela qual já passavam pela sua cabeça os pensamentos suicidas.     


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 08.12.10 às 01:51link do post | adicionar aos favoritos

 

O IMPERADOR PAGA COM A SUA PESSOA

Perante o ardor dos Campanianos em erguerem as sua rotinas, Nero julgou conveniente fazer um gesto destas corajosas populações. Para mais, no próprio ano do desastre, tinha casado com a encantadora Popeia, Poppaea Sabina (Nero matá-la-ia com um pontapé, dois anos mais tarde), uma linda pompeiana pertencente a rica e poderosa família.

Assim sendo, decidiu em 64, um ano após a catástrofe, dar um recital em Nápoles, espectáculo que não deixaria de encorajar os trabalhadores e de consolar os sinistrados, manifestando assim quanto o imperador partilhava as preocupações populares…

No momento em que ia entrar no teatro (estava-se na Primavera de 64), um ligeiro abalo agitou o edifício. Nero nem por isso deixou de dar o seu recital. Não se sabe se os aplausos que recolheu – além dos da claque que sempre o acompanhava nas suas digressões – saudaram o seu talento ou a sua coragem. Seja como for, o facto é que, mal deixou a cena, o teatro, abalado nos seus fundamentos (talvez já desde o sismo de 63), ruiu fragorosamente. Este breve incidente sísmico não teve repetições e a reconstrução continuou em ritmo acelerado, tanto em Herculano como em Pompeia, onde a vida retomou o seu curso; no entanto, a maioria das crianças nascidas após o sismo nunca haveria de atingir a idade adulta!

Os trabalhos dos sismólogos modernos permitem-nos supor que a actividade subterrânea do Vesúvio tivera como efeito a produção, no interior do cone, de gases e de matérias em fusão que buscavam um orifício de escape; mas a sua pressão era ainda muito fraca para provocar a ruptura da crosta terrestre e, como o próprio cone estava obstruído desde a Pré-História por uma «rolha» de lava solidificada, a deflagração verificou-se debaixo da terra traduzindo-se no exterior por violentos abalos.

Aliás, Pompeia era agitada com bastante frequência desta forma, sem que no entanto os borborigmos subterrâneos tivessem adquirido jamais semelhante amplitude.

(Continua...).


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 06.12.10 às 21:47link do post | adicionar aos favoritos

PARA UMA CIDADE NOVA, ARTES NOVAS E NOVAS TÉCNICAS

Esquecer! Todos tentavam fazê-lo, menos o banqueiro Cecílio Jucundo. No dia fatal, retido no Fórum pelos seus negócios, tinha prometido aos deuses Lares, em troca da sua vida, um imponente sacrifício, que os seus meios, aliás, lhe permitiam. Teve a sorte de conservar a vida, mas os deuses protectores não alargaram a sua generosidade até à casa do banqueiro, que ficou em ruínas; assim, quando Cecílio Jucundo a manda reconstruir, encarrega um artista de esculpir um baixo-relevo para o novo átrio e nele manda representar algumas cenas do sinistro de que fora testemunha. Mas, por endinheirados que fossem, os Pompeus não tinham possibilidades de reconstruir sozinhos a sua cidade; por isso, enviaram a Roma um grupo de emissários, escolhidos entre os edis e os notáveis da cidade, encarregado de solicitar o auxílio do imperador e do Senado. Nero era favorável, mas o Senado achou as despesas muito elevadas. Sem que disso se apercebessem, estava em jogo a última oportunidade dos Pompeus.

Estes insistiram e mandaram nova delegação, composta pelas mais elevadas personagens da cidade.

O Senado acabou por ceder e decretou a reconstrução de Herculano e de Pompeia. Visto que nada ou quase nada restava, surgiu a tentação de elaborar uma espécie de plano urbanístico, ou, pelo menos, de unificar o aspecto exterior das novas construções. Foi resolutamente adoptado o estilo romano contemporâneo: como, por ocasião do sismo, os últimos vestígios oscos e samnitas haviam desaparecido quase por completo, com raras excepções, os construtores voltaram costas ao passado e enveredaram por um caminho novo.

Antes de tudo, era preciso apaziguar os deuses, cuja cólera fora evidente, e agradecer àqueles que, com a sua protecção, lhes tinham salvo a vida. Foi, entretanto, solicitado aos templos que haviam ficado de pé que acolhessem as divindades momentaneamente desalojadas. Júpiter, Juno e Minerva, reduzidos às dimensões de maquetas de cerâmica – as suas estátuas colossais tinham caído – foram instalar-se em casa do seu colega heleno Zeus. Quanto a Apolo, ficou ao ar livre, enquanto os deuses Lares tomaram sob sua protecção a cidade destroçada: construíram-lhes à pressa um enorme átrio, enquadrado por dois nichos, no centro da cidade. Ísis, foi a primeira a ser realojada.

Era, pois, necessário, para abrigar rapidamente as pessoas sem tecto e pôr de novo em movimento as indústrias anteriormente tão florescentes, andar depressa sem, no entanto, se meterem em despesas demasiado elevadas.

 

Começaram por servir-se dos materiais de recuperação, aplicando-os desde logo nos edifícios comuns: os templos, o Fórum, as termas; os particulares e os funcionários municipais usaram largamente da «cunha» para conseguirem os serviços dos arquitectos e dos operários, disputados a peso de ouro. Certos proprietários, duramente atingidos no plano financeiro pelo desaparecimento dos seus haveres, resignaram-se a abrir loja de uma forma menos discreta do que dantes: as salas destinadas ao negócio deixaram de ser tão cuidadosamente isoladas da zona residencial, da casa, e mais de um Pompeu sacrificou um pouco da sua intimidade ao desejo de refazer a sua fortuna.

Esta construção quase total forneceu ocasião para uma ruptura com o passado. Ao mesmo tempo que se substituía o estilo puro e simples da ocupação grega por um estilo romano onde o estuque pintado, o tijolo colorido e o abuso dos ornatos acentuavam a carácter «novo-rico» ou «arrivista» da cidade, eliminavam-se todos os vestígios de um passado político mais ou menos agitado. Este desejo de cortar com o passado traduziu-se até na existência de funcionários encarregados de apagar as mais insignificantes inscrições oscas ou samnitas. Pompeia reconstruída será «romana». Aliás, muitos romanos ricos adquiriram por uma bagatela villas danificadas para depois mandarem reconstruí-las, empenhando-se em multiplicar os exemplos de uma decoração de estilo moderno, onde o sarapintado só cedia o passo à abundância dos mais diversos motivos. Data desta época, por exemplo, a preocupação em adaptar a decoração das salas à sua finalidade: naturezas mortas para o triclínio ou sala de jantar, cenas da mitologia para as salas de recepção, rústicas para o átrio, sem omitir os frescos impudicamente sugestivos para as salas reservadas aos prazeres do amor. Preocupavam-se, além disso, em voltar a utilizar da melhor maneira os materiais recuperáveis; parece que o conseguiram, pois o conteúdo dos vazadouros públicos (descoberto e examinado minuciosamente) era composto apenas por materiais ligeiros e frágeis: telhas partidas, tijolos quebrados, cascos de louça, com exclusão de qualquer pedra ou laje que pudesse voltar a servir.

 

As paredes que apenas estavam rachadas foram consolidadas com o auxílio de anéis horizontais, com motivos em tijolo; as abóbadas em perigo foram sustidas por pilastras e arcos em tijolo, cujos tons vão do amarelo-palha até ao havana, passando pelo famoso vermelho-coral um pouco baço, chamado «vermelho pompeiano». As colunas da Grande Palestra, por seu turno, serão postas em pé e soldadas ao soco por meio de uma camada de chumbo derretido. O tijolo é utilizado por todo o lado: ligado por finas camadas de cimento, alternado em motivos decorativos com a pedra e o tufo, confere à paisagem uma nota colorida, quente, alegre, contrastando com o azul do céu, novamente sereno.

Herculano, mais duramente atingida, porque mais próxima do suposto epicentro do sismo, mesmo assim ergueu-se primeiro das suas ruínas. A presença de ricos proprietários entre os seus habitantes favoreceu esta rápida ressurreição.

(Continua…).


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 06.12.10 às 18:11link do post | adicionar aos favoritos

 

Um avião das linhas aéreas angolanas (TAAG) que descolou hoje em Lisboa com destino a Angola teve de fazer uma aterragem de emergência na Portela, poucos minutos após ter levantado voo.

Aparentemente, a causa foi problemas técnicos que o Boeing 777 teria experimentado durante a descolagem.

Vários pedaços da fuselagem teriam mesmo se soltado do avião, acabando por gerar o pânico em algumas zonas da cidade de Almada, com os objectos a caírem do céu e a danificar algumas casas e viaturas que se encontravam estacionadas na rua.

Há até relatos que o incidente terá alegadamente ferido sem gravidade algumas pessoas, que não imaginariam decerto que hoje iriam levar com alguns bocados de um avião na cabeça.

Não fosse o caricato da história e não ter havido uma tragédia de maior, a situação até poderia ter passado relativamente despercebida aos olhos da opinião pública.

No entanto, a verdade é que estamos perante um aparelho da TAAG, a mesma companhia aérea que tem visto nos últimos tempos a União Europeia a incluí-la na lista negra das companhias de aviação proibidas de voar no espaço aéreo comunitário, precisamente pelo seu péssimo historial de segurança.

Mesmo para Portugal, a companhia angolana já esteve por diversas vezes interdita de voar, uma vez que alguns dos aviões da sua frota, por falta de manutenção, oferecem condições de segurança muito duvidosas, pondo assim em risco não só passageiros como também a integridade dos territórios que sobrevoam (pessoas e bens).

 

Ainda há apenas dois anos, um dos motores de um Boeing 747 da TAAG, que fazia a ligação entre o Rio de Janeiro e Luanda, explodiu em pleno oceano atlântico. A tragédia só não ocorreu, porque os 747 possuem quatro motores e os estilhaços provocados pela explosão não atingiram por milagre a fuselagem, o que, a acontecer, levaria à despressurização da cabina e a uma possível desintegração e consequente queda do avião.

No caso de hoje, foram apenas umas peças que se soltaram do aparelho, o que fez com que o piloto, conscientemente, regressasse ao aeroporto e aterrasse em segurança.

Porém, esta história levanta-nos um velho problema que é a localização do aeroporto de Lisboa.

Todo o tráfego aéreo do aeroporto da portela tem obrigatoriamente que utilizar os sentidos norte ou sul para aterrar ou levantar voo, o que, pela orientação das pistas, conduz inevitavelmente os aviões a sobrevoar zonas de grande densidade populacional.

O caso paradigmático é o lado sul, com os aviões a sobrevoar a baixa altitude o pleno coração da capital portuguesa.

 

Até que não ocorra uma verdadeira tragédia sobre Lisboa, aquele punhado de gente saudosista e bairrista vai continuar a fazer finca-pés à não deslocalização do aeroporto seja para que parte for. Eles querem ter o aeroporto dentro de casa, se possível à porta, para sua inusitada e exclusiva comodidade.

Querem lá saber do ruído (já estão habituados), importam-se lá com a segurança dos seus concidadãos… o que interessa é estar em cinco minutos no aeroporto, ou até mesmo ir a pé, o resto que se lixe! Afinal, o mal só acontece aos outros…!

Por agora foram peças, por estes dias, quem sabe, um motor e, depois (longe vá o agoiro), o avião todo.

Nessa altura, queremos ver a “tromba” de todos aqueles para quem a Portela é a verdadeira e única jóia da coroa nacional.

É que os tempos que vivemos neste dealbar do século XXI não se compadecem com visões mesquinhas e preconceitos retrógrados. Com esta gente e a pensarmos assim, muito dificilmente sairemos da cepa torta ou deixaremos de ser um pequeno país à beira-mar plantado…


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 05.12.10 às 18:43link do post | adicionar aos favoritos

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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 04.12.10 às 22:31link do post | adicionar aos favoritos

UMA ADVERTÊNCIA DO DESTINO

Enquanto assim desfrutavam a calma e a prosperidade, afastados das peripécias sangrentas que periodicamente agitavam o Império, os habitantes de Pompeia e de Herculano foram objecto de uma advertência do destino, precursora de uma tragédia sem precedentes na História do homem.

Meio-dia, 5 de Fevereiro de 63 D.C.. Nero reinava havia já dois anos e sentia desabrochar nele o grande artista lírico que em breve iria exibir em público.

Os habitantes de Pompeia e de Herculano iam justamente sentar-se à mesa quando, de repente, a terra começou a tremer. Por vagas, diversos abalos agitavam o solo de Leste para Oeste, do Vesúvio para o mar. Os edifícios mais elevados – um arco de triunfo no Fórum, o templo de Apolo e o de Ísis – ruem, as habitações abrem fendas. As canalizações que distribuíam água pela cidade rebentam subitamente. Rebanhos com várias centenas de cabeças somem-se no abismo, outros animais fogem espavoridos; os habitantes, assustados e admirados (ninguém se recordava de ter havido um tremor de terra durante o Inverno), correm para os campos, e muitos endoidecem com o terror.

Em Herculano, como em Pompeia, os estragos são importantes: apenas restam algumas villas relativamente poupadas; a cidade foi destruída quase por completo.

Os que não puderam fugir, ficaram sepultados debaixo dos escombros; a própria cidade de Nápoles sentiu o abalo. Felizmente, embora devastador, o sismo foi de curta duração e em breve os habitantes de Herculano e de Pompeia, ainda sob uma sensação de terror, arriscaram-se a regressar às suas casas, ou ao que delas restava.

Surgiu então um delicado problema: uma vez que as duas cidades estavam praticamente aniquiladas, deviam reconstruí-las ou, pelo contrário, os sobreviventes deveriam convencer-se a mudar de domicílio? Trágica verificação – parece que nunca foi encarada a possibilidade de um novo sismo, de uma nova catástrofe; o problema foi posto apenas em termos financeiros e técnicos: onde encontrar os materiais e a mão-de-obra qualificada, necessária à reconstrução? A segurança futura dos habitantes não foi – parece – evocada por ninguém. Os génios subterrâneos, os gigantes agrilhoados, tinham manifestado a sua cólera, nada mais; nem por um instante veio à mente dos infelizes sinistrados que o impassível e majestoso Vesúvio, coroado de pâmpanos e de oliveiras, fosse o responsável pelo drama que acabavam de viver, pelo terrível cataclismo que tinha engolido os seus parentes e os seus haveres.

Ligados às duas cidades, a esta paisagem apesar de tudo pacífica, a esta Campânia florida e alegre, os Pompeus e os seus vizinhos Herculanianos tiveram apenas uma preocupação, quando a calma voltou: reconstruir, apagar, esquecer.

(Continua...).


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 04.12.10 às 18:00link do post | adicionar aos favoritos

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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 03.12.10 às 19:46link do post | adicionar aos favoritos


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 02.12.10 às 21:46link do post | adicionar aos favoritos

 

“Os factos que marcam a evolução de Portugal nas últimas quatro décadas não são inexplicáveis e, neste sentido, não são inesperados, mesmo que não tivessem sido desejados.

Em vários momentos, houve oportunidades de correcção, mas não foram aproveitadas, pelo menos com suficiente determinação, para que houvesse completa remissão dos erros. Em geral, houve lacunas de regulação no sistema político, na economia e na sociedade. Perderam-se activos e vocações, desperdiçaram-se recursos, criaram-se falsas expectativas, perdeu-se relevância e perdeu-se poder. O futuro é agora mais incerto e mais inseguro do que foi no passado. Mas sabe-se porquê, o que é a primeira condição para a correcção e para a recuperação. Não é uma condição suficiente, mas é uma condição necessária.

A economia no futuro de Portugal é, afinal, a condição de existência de Portugal com autonomia, pois é a evolução dos indicadores económicos que irá medir a qualidade da direcção política, a capacidade de adaptação dos comportamentos sociais às mudanças estratégicas impostas pelo padrão de modernização da globalização competitiva, o potencial de racionalização dos centros de decisão empresariais, a eficácia dos dispositivos de regulação instalados na sociedade portuguesa – o primeiro dos quais é o sistema democrático, que tem por finalidade avaliar e regular a qualidade da direcção política, de que dependem todas as outras variáveis”.

 

Ernâni Lopes, economista conceituado, político, intelectual sério e humanista, recto, inteligente e democrático. Faleceu hoje aos 68 anos de idade. Uma perda para o país, mais uma lacuna para a nossa sociedade.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 02.12.10 às 21:17link do post | adicionar aos favoritos

 

Depois do Brasil, em 2014, seguem-se a Rússia (2018) e o Qatar (2022), os próximos países anfitriões da organização do Campeonato do Mundo de Futebol.

A candidatura ibérica (Portugal e Espanha) ainda resistiu à primeira votação (com 7 votos), na qual a Inglaterra foi eliminada (2 votos), mas, à segunda, foi de vez: com os mesmos 7 votos, não conseguiu fazer frente aos 13 votos alcançados pela Rússia. Já a candidatura da Holanda e da Bélgica obteve na primeira votação 4 votos e apenas 2 na segunda.

Em relação à votação para a organização do Campeonato do Mundo de 2022, as coisas estiveram mais renhidas, sendo necessário proceder-se a quatro votações para se apurar o vencedor.

No entanto, o Qatar destacou-se claramente nas quatro votações, tendo obtido 11, 10, 11 e 14 votos respectivamente, destronando, assim, na última ronda, a candidatura dos EUA, que obteve apenas 8 votos.

Quando em Portugal já se esfregavam as mãos pelas expectativas de podermos vir a acolher o maior acontecimento desportivo a nível mundial, em co-organização com os espanhóis, eis que o Comité Executivo da FIFA se voltou para Leste e fintou o brio luso.

 

Até já os economistas faziam contas ao custo-benefício de tal evento, prevendo receitas muito superiores às despesas, qualquer coisa como 1.000 milhões de euros entre receitas directas e indirectas.

Isto, para já não falar que seria um estímulo à economia portuguesa, que anda por esta altura moribunda, senão mesmo defunta, qual empurrão milagroso de que agora nos vemos privados.

É a vida, todos lamentamos. Sócrates esforçou-se, Laurentino Dias ficou triste, Figo inconsolável, Gilberto Madaíl destroçado, até o cadavérico apêndice clientelar da Federação Portuguesa de Futebol, Amândio de Carvalho, lacrimejou de desassossego. Paulo Bento, esse guru do futebol, preferiu, e bem, chutar para a frente, em direcção ao objectivo do Europeu de 2012.

Feitas as contas, foi uma tragédia nacional… Qual crise, qual desemprego, qual quê? Foi-se-nos o Mundial, e isso é que é a verdadeira crise, aquela que ataca o orgulho nacional! 


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 01.12.10 às 20:08link do post | adicionar aos favoritos

 

No tempo dividido

 

E agora ó Deus que vos direi de mim?

Tardes inertes morrem no jardim.

Esqueci-me de vós e sem memória

Caminho nos caminhos onde o tempo

Como um monstro a si próprio se devora.

 

1 de Dezembro de 2010


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