Novo Blog para o Concelho de Ourém. Rumo à Excelência. Na senda da Inovação
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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 26.06.11 às 19:23link do post | adicionar aos favoritos

Assunção Esteves, eleita presidente da Assembleia da República com uma maioria confortável e a tornar-se a primeira mulher a ocupar o segundo posto mais elevado na hierarquia do Estado.

É do PSD? Se for competente no exercício do cargo que agora inicia e contribuir para a credibilização do parlamento e da política, afinal que importância isso tem? Nenhuma…


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 19.06.11 às 17:47link do post | adicionar aos favoritos

 

Confesso-vos que fiquei atónito com o Editorial desta semana do jornal “Notícias de Ourém”, mais concretamente com o facto de o meu estimado amigo “Tony” andar a fazer alegadas pressões junto do director do jornal, no sentido de “diminuir” a exposição pública de outros cronistas (leia-se do PSD/Ourém) nesse mesmo jornal, com a alegada – a fazer fé nos relatos tornados públicos – conivência da Câmara e do seu presidente.

Meus caros, o mundo deve estar de pernas ao contrário, anda tudo doido, ou então a esclerose deve ser mais do que múltipla, perdoe-se-me a expressão, mas é mesmo assim.

Afinal, segundo me lembro, antigamente nas reuniões de secretariado ou da comissão política do PS/Ourém, indignávamo-nos e criticávamos o PSD por usar o dito jornal como meio propagandístico, de fazer uma selecção quase natural dos artigos que publicava e, sobretudo, quem poderia figurar nessa lista, e agora, vira-se o feitiço contra o feiticeiro, e são vocês aqueles que, segundo alegadamente parece, andam a fazer aquilo que criticavam quando estavam na oposição.

A ser verdade o que se tem escrito, será bom porem a mão na consciência e não cuspirem no prato onde um dia já comeram.

Meus senhores, a dignidade e a abnegação que se reclama no exercício do poder político neste país semi falido e podre que se chama Portugal, também passa pela bondade e honestidade com que se exerce o poder autárquico.

Aliás, quando a nível local vemos enquistamentos e desconformidades destas (para não lhe chamar nomes mais feios), imagine-se o que não vai por esse país fora.

Pois bem, sabendo eu que o país não precisa de “xicos espertos” e de muletas, ou até mesmo de canadianas, vamos a ganhar juízo que é para ver se, para a próxima, não têm de engolir o sapo que o infortunado Sócrates teve de engolir nestas eleições.

Seria uma grande frustração, eu diria uma frustração do outro mundo, uma espécie de peregrina ou “Moura” frustração.

Seria interessante esta combinação de juventude, uma certa rivalidade é certo, mas com certeza muito profícua para a sã concorrência entre os partidos políticos, entenda-se o PS e o PSD/Ourém, a lembrar a juventude deste décimo nono governo.

Claro que vos falo na já anunciada candidatura de João Moura à presidência da comissão política concelhia do PSD/Ourém.

Fonseca e Moura são ambos jovens e a combinação de juventude poderá ser uma mais valia para o concelho.

O que não se compreende, é o facto de andarmos sempre a bater na mesma tecla, seja aqui no burgo, seja no país.

E tudo isto vem no sentido da questão de fundo inicial: mas por que raio tem a política de intrometer-se nos órgãos de comunicação social? Mas, não se aprendeu tanto com a estupidez de Sócrates e com os infortúnios de Portugal? Ninguém aprende a lição? Andará tudo louco? Mas, onde pára a responsabilidade? Haverá alguém que ainda acredite neste embuste?

Assim não vamos lá, enquanto concelho e enquanto país.

Deus vos perdoe, e a mim também, porque pecamos.

 

João Pereira    


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 18.06.11 às 01:04link do post | adicionar aos favoritos

 

Faz hoje um ano que o país e o mundo viram partir o prémio Nobel da Literatura, José Saramago, aquele a quem o poder de Portugal negou há já algum tempo a sua candidatura a um importante concurso literário internacional.

O país deve-lhe esse erro, e a honra de figurar entre os “grandes” da História de Portugal.

Mesmo sem Ministério da Cultura, será bom que o novo governo não descure as questões culturais e artísticas, e aquilo que elas podem representar para o turismo (dito cultural), enquanto actividade comercial que tem por particularidade “exportar-se” cá dentro.

Entretanto, as cinzas de Saramago irão, a partir de hoje, repousar no seu país, Portugal, junto a uma oliveira cuidadosamente colocada junto ao seu memorial em Lisboa.

Desta vez, será a sua última e derradeira viagem, aquela que o irá eternizar como “um ilustre de Portugal”.  


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 18.06.11 às 00:08link do post | adicionar aos favoritos

 

Quando há um ano atrás decidimos criar o Blog iNovOurém não podíamos imaginar qual seria a adesão das pessoas a este espaço de opinião e de informação.

Apenas nos perseguia a vontade de partilhar com o maior número possível de pessoas os nossos pontos de vista e, de uma maneira geral, todos os conteúdos que ao longo do tempo iriam sendo publicados.

Despreocupadamente, lá encarnámos a nova personagem, metemos mãos à obra e demos por iniciado o projecto, corria o dia 18 de Junho de 2010.

Nada nos motivou que não fosse o nosso imenso prazer pela escrita, e o entendimento de que, não pretendendo usurpar o espaço de outros Blogs do género, poderíamos trazer, sem qualquer pretensão, algo de novo que pudesse interessar aos potenciais leitores.

Num tempo em que as redes sociais e as novas tecnologias são cada vez mais veículos complementares do conhecimento e da interacção das pessoas (ainda que virtual), achámos que não podíamos ficar de fora deste “jogo global”, o qual não conhece fronteiras e abre a possibilidade de as pessoas se conectarem umas com as outras, adquirirem informação e conteúdos a que de outra forma não teriam acesso e, talvez mais importante, estimular o auto-conhecimento, o sentimento de pertença a uma comunidade virtual e global, para além da experiência de, com um simples “clique”, chegarmos até onde a nossa imaginação o permite.

Esta inexpugnável ferramenta – a Internet e tudo o que ela proporciona – serviu, assim, de ancoradouro à nossa criatividade e ao nosso projecto.

Fiéis ao compromisso que assumimos, apelámos à nossa imaginação para dar corpo às ideias que íamos mentalmente desenvolvendo.

Sem qualquer vaidade ou pretensão, cremos que atingimos os objectivos a que nos propusemos.

Desde logo, nos textos de nossa lavra, em que apresentámos a nossa visão sobre o mundo que nos rodeia, tendo como único fito respeitar as opiniões contrárias, mas nunca nos desviando, com todo o respeito que essas opiniões nos merecem, da matriz ideológica que norteia o nosso pensamento e as nossas emoções.

Os objectivos também não teriam sido alcançados se não desafiássemos a nossa imaginação a perscrutar para além das nossas motivações pessoais e a estender-se para outros domínios.

Foi isso que fomos fazendo ao longo do último ano, em que privilegiámos não só temas da actualidade generalista (sociedade) que reputámos de relevantes, mas igualmente áreas que foram desde a história e da ciência, passando pela cultura e pelo desporto, até à política e à economia.

De forma consciente, não podemos, portanto, ignorar o aliciante desafio que foi para nós pôr em marcha este projecto.

E se é possível agradecer as mais de 21.000 visitas que teve este Blog neste primeiro ano de existência, então aqui fica o nosso humilde agradecimento a todas aquelas e a todos aqueles que, à pequena distância de um simples botão, escolheram navegar por este mar e contribuir ainda mais para a esperança de vermos paulatinamente o nosso sonho amadurecer e tornar-se realidade.

A todos, o nosso muito obrigado.

 

Ourém, Portugal, 18 de Junho de 2011


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 17.06.11 às 19:31link do post | adicionar aos favoritos

 

Já Churchill dizia que não são os partidos da oposição que ganham eleições, mas antes é o partido do poder que as perde.

Por cá, algumas mentes mais iluminadas também disseram que não foi o PSD nem o CDS-PP que venceram as legislativas de 5 de Junho passado, foi o PS de Sócrates que as perdeu ingloriamente.

Não sabemos se a narrativa está certa, apenas constatamos que Passos Coelho é agora o primeiro-ministro de Portugal, com um governo de coligação com o CDS-PP.

Sabemos também que o Partido Socialista foi o grande derrotado nestas eleições, e que José Sócrates, ao assumir em plena noite eleitoral que os resultados negativos alcançados pelo PS eram de sua única responsabilidade, entendeu que havia chegado o momento de abrir um novo ciclo político dentro do próprio Partido Socialista, dando assim espaço a uma nova liderança e a uma nova estratégia, e escancarando os corredores do partido para que as tropas se comecem a mobilizar para eleger o novo secretário-geral do Partido Socialista.

 

Seguro e Assis, já mobilizados para o embate final, terão certamente razões para achar que a conjuntura internacional e as medidas duríssimas, mas necessárias, que têm vindo e continuarão a ser impostas aos portugueses foram as principais razões para que estes penalizassem o seu partido nestas eleições.

Nem será estranho que os socialistas se mostrem inclinados a repetir o mesmo argumento de que a bola de neve das crises financeira e económica internacionais terem sido fatais para o país, a que se juntaria a crise das dívidas soberanas e o efeito dominó que as sucessivas medidas (ou não-medidas?) tiveram ao nível do crescimento da economia, mas também no equilíbrio das contas públicas.

 

Nesta perspectiva, e ainda à luz da ideia de Churchill, parece de admitir que foi de facto o Partido Socialista (o partido do poder) que perdeu as eleições, e não o PSD que as ganhou.

Ainda que este argumento possa ser verdade, dentro do PSD certamente há-de prevalecer a ideia de que os portugueses “chumbaram” a avaliação de desempenho do governo, não só pelo percurso irresponsável e sinuoso a que Sócrates expos o país ao longo (sobretudo) dos últimos quatro anos, com muitas curvas e contracurvas, mas também porque, por consequência dessas erradas políticas e má prática governativa, o governo contribuiu para o descalabro económico e financeiro do país e, em particular, do ponto de vista social e das condições de vida dos portugueses.

Aqui o PSD encontra os condimentos necessários para cantar vitória, e acaba por subverter mais uma vez a ideia de Churchill, subsistindo a dúvida de saber se foi o PSD que venceu as eleições ou se foi o PS que as perdeu.

Alguns poderão dizer que ambas as afirmações são verdadeiras, ou seja, quer estejamos do lado do partido vencedor ou do partido derrotado, as perspectivas vão sempre condizer com a posição que ocupamos: se um partido ganha as eleições, o impulso natural é para se afirmar vitorioso e assumir o feito como uma grande conquista; já se se tratar do partido derrotado, a tendência é no sentido de que assuma essa derrota e interiorize essa perda.

Foi assim com Passos Coelho e com José Sócrates.

Sócrates assumiu plenamente os resultados eleitorais que penalizaram o PS, pôs o seu lugar à disposição do Partido Socialista e afastou-se por tempo indeterminado.

 

Passos Coelho interiorizou a sua vitória, embora as actuais circunstâncias do país não deixassem margem ao partido para exteriorizações frenéticas de entusiasmo pela conquista do poder.

Coelho foi comedido na festa, não cantou de galo, mas nem por isso deve ter deixado de sentir um enorme alívio e um impulso de entusiasmo e alegria. Certamente que na sua óptica não foi o PS que perdeu as eleições, foi o PSD e a sua liderança que melhor soube conquistar a confiança dos portugueses e venceu as eleições.

O problema aqui não é pois de forma, é antes de conteúdo.

Na verdade, não importa tanto saber se é o partido que está no poder que perde as eleições em detrimento daquele(s) que está(ão) na oposição, nem se a tónica deve ser colocada naqueles que, estando na oposição, ascendem ao poder pela vitória nas eleições.

O que importa saber é qual a razão por que um partido perde eleições.

Logo, o que importa saber nesta história não é se o Partido Socialista encara este desaire eleitoral como uma responsabilidade sua, ou se o PSD beneficiou do desgaste do governo e da crise instalada no país para se refastelar em São Bento.

Não nos importa que o PSD assuma a vitória e que o PS expie os seus pecados.

O que vemos como mais importante é que o novo governo, juntamente com os parceiros sociais e a sociedade civil, saiba doravante, entre outras coisas, estar à altura das dificuldades, saiba aproveitar os numerosos diagnósticos realistas sobre o país que foram sendo feitos ao longo dos anos, saiba corrigir os erros e enquistamentos que corroem o funcionamento da administração pública como um todo, saiba procurar consensos e compromissos alargados para a exigente tarefa de aplicação do programa de resgate assinado com as instituições internacionais, ou que, numa perspectiva macroeconómica, seja ambicioso o bastante para resolver de uma vez por todas o estrangulamento da actividade económica, a sua estagnação e recessão, o problema do endividamento público e privado, o desequilíbrio das contas públicas, já para não falar no plano social e no desemprego, questões que têm vindo a acentuar-se e a constranger de forma absolutamente penosa as famílias portuguesas.

 

Mas, este é também o momento para enveredarmos por uma exigente reflexão sobre o queremos ser enquanto país, que objectivos temos para Portugal, e desses, quais irão moldar e condicionar as nossas tarefas actuais.

Afinal, em ordem a que superiores interesses nacionais estamos todos convocados para o jogo arriscado e de sacrifício que o futuro nos reserva?

Não basta dizermos apenas que o país é um pântano ou que está de tanga, que existem esqueletos escondidos no armário e que só discutimos “pintelhos”, ou ainda que não há dinheiro nem para mandar cantar um cego.

Não basta dizer ou criticar, é preciso agir, mas com urgência.

O erro em que Portugal caiu durante largos anos – o de discutir os problemas pela rama e não os aprofundar nem os encarar de frente, reféns que sempre estão os partidos políticos da popularidade dos seus governos e da perspectiva egocêntrica de uma reeleição – conduziram-nos ao ponto de ruptura em que nos encontramos.

Agora, é tempo de sermos nós – os portugueses – a criar uma ruptura com os paradigmas obsoletos do passado e a catapultar o país para a linha da frente.

E Portugal tem tantas possibilidades…

Esperamos que o governo de coligação PSD / CDS-PP não nos desiluda e que faça aquilo que o governo de Sócrates não fez, sob pena de estarmos a desperdiçar uma das últimas oportunidades de ouro para agarrar com sucesso o futuro.

Quem ganha e quem perde? Quem ganha não sabemos, mas quem perde é seguramente o país e os portugueses.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 10.06.11 às 14:35link do post | adicionar aos favoritos

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 04.06.11 às 01:19link do post | adicionar aos favoritos

 

Não podia deixar de manifestar publicamente o meu agradecimento sincero e reconhecido a todos os profissionais do Hospital Nossa Senhora da Graça, em Tomar (Centro Hospitalar do Médio Tejo), tanto médicos, como enfermeiros e pessoal auxiliar, os quais, de forma esmerada e dedicada, se mostraram incansáveis nos cuidados médicos e humanos que me proporcionaram ao longo dos dez dias que durou o meu internamento.

O carinho manifestado para com os doentes e a competência técnica demonstrada por todos os profissionais de saúde que ali prestam a sua actividade contribuiu, sem dúvida, para o meu rápido restabelecimento.

Apesar de o quadro clínico não se ter revelado inicialmente dos mais fáceis, ainda assim teve uma evolução francamente positiva, que me permitiu recuperar satisfatoriamente e ir ao encontro das minhas expectativas.

Pelo tanto que me foi proporcionado, aqui deixo o meu mais profundo reconhecimento e o meu bem-haja a todos os que, directa ou indirectamente, me acompanharam neste momento difícil, mas que, felizmente, teve um final feliz.

Uma palavra de apreço e amizade também para todos os amigos (e foram muitos) que se dignaram a visitar-me e para os que, impossibilitados de o fazer, me telefonaram ou mandaram votos de rápidas melhoras. Este espaço seria insuficiente para agradecer a todos da forma que merecem, mas cada um deles sabe o quanto vale a pena tê-los como amigos.

Por fim, à minha família, resta-me guardar para sempre o seu amor, a sua dedicação e a alegria de os ter tido sempre a meu lado, do primeiro ao último dia.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 04.06.11 às 00:30link do post | adicionar aos favoritos

TREVAS E TERROR

Imaginemos esta multidão ululante – muitos enlouqueceram de terror – alumiando-se à luz de tochas e de candeias de azeite, sopradas pelo vento, apagadas pelos vapores pesados e sulfurosos e pela chuva.

De tempos a tempos, ao longe, um rio de lava em fusão era projectado para fora da cratera, onde as chamas se retorciam, acompanhadas de relâmpagos fulgurantes e de explosões surdas. O ar tornava-se irrespirável: cobriam o rosto e a cabeça com os mantos, mas os gases deletérios depressa venciam estas ilusórias protecções.

Na Casa do Fauno – sumptuosa Villa de numerosas salas, cujo jardim estava rodeado por um peristilo de 24 colunas jónicas – os proprietários hesitavam em abandonar as suas riquezas (em muitos casos, foram as mulheres que se mostraram mais apegadas aos haveres terrestres: jóias, ornamentos, baixela preciosa).

Viam os lapilli e as cinzas caírem pelo complúvio – a abertura quadrada, no tecto, sob a qual se encontrava a graciosa estátua do Fauno, que devia dar o nome à casa – e espalharem-se pela mansão. A dona da casa reuniu rapidamente os objectos mais queridos: braceletes de ouro, anéis, ornamentos do cabelo, espelho de prata, brincos, moedas de ouro. Depois de juntar todos estes tesouros, quis sair, mas as cinzas que tombavam fizeram-na recuar e voltou a entrar no tablino; instantes depois, o tecto ruiu sobre a infeliz pompeiana e sobre as suas riquezas.

Noutra casa, os moradores tentaram levar as obras de arte a que tinham mais afeição, entre as quais, cuidadosamente embrulhado, um delicioso grupo em bronze, «Baco e o Sátiro». Depois de terem saído de casa, logo no jardim, acharam que a única garantia de salvação era a fuga mais rápida possível; abandonaram os objectos de arte, lançando o Baco para dentro de um vaso de cobre que encontraram à sua passagem. Parece que conseguiram fugir; pelo menos, os seus corpos não foram encontrados nos arredores da Villa; mas quatro mulheres, que se tinham barricado na casa, morreram asfixiadas.

Quinto e Sexto, filhos do banqueiro Cecílio Jucundo, saíram precipitadamente, fazendo um desvio pela casa do amigo Vesónio; estava vazia, mas o cão tinha ficado preso no átrio, com uma corrente de bronze. Também ali as cinzas e as escórias penetravam pelo complúvio e o infeliz animal, incapaz de se soltar, subia para as cinzas a que podia chegar na extremidade da corrente. Foi descoberto de costas, imobilizado pela morte no supremo esforço feito para se libertar. Na Casa das Vestais, outro cão, enlouquecido pelo terror, devorou o dono que tinha caído a seu lado sem sentidos.

Na Casa da Rua das Estábias, no limiar decorado com o famoso mosaico Cave Canem, duas raparigas ficaram sepultadas quando juntavam as suas jóias.

As ruas que conduziam às portas da cidade estavam, sem dúvida, repletas de uma multidão aterrorizada e ululante, onde se misturavam escravos, banqueiros, edis, gladiadores, sacerdotes, mulheres e crianças; os habitantes da zona oeste da cidade, mais próxima do mar, foram favorecidos e, em direcção à porta de Herculano, pela qual se saía da cidade, rumo a Oeste, a multidão era particularmente densa. Um tal Caio Salústio, morador na Rua de Mercúrio, perto da porta de Herculano, conseguiu fugir, mas a mulher, acompanhada por três escravas, enterrou-se na cinza lamacenta, por ter querido levar o espelho, as jóias e algumas moedas de ouro.

Na Via dos Túmulos, alguns dos fugitivos pensaram abrigar-se nos mausoléus (lembremos que estes eram frequentemente construídos como as casas e tinham uma espécie de bancada, onde os transeuntes podiam sentar-se) ou debaixo dos pórticos. Num mausoléu foram encontrados mãe e filho, esmagados pelas colunas. Debaixo de um pórtico da Villa de Diómedes, jazia o corpo de uma mulher, coberta de jóias, com uma criança ao colo, acompanhada por outras duas mulheres. Os participantes num cortejo fúnebre, estavam reunidos para o banquete tradicional que decorreria no triclinium (ou sala de jantar ornada com frescos) de um túmulo monumental: não tardavam, todos, em juntar-se na morte ao parente ou amigo que acabavam de chorar…

O tempo passava. Era quase meio-dia e a camada de cinzas e de lapilli já chegava aos telhados; os que tinham conseguido atingir o mar, recuaram assustados perante as enormes vagas que vinham quebrar-se na praia, deixando na areia os cadáveres não só de peixes, mas também de animais que se tinham lançado à água; tentaram regressar à cidade para ali se abrigarem, mas, tolhidos pelas cinzas do caminho, e sob o peso de uma criança, de um ancião ou de um saco de ouro, tiveram todos um final atroz.

(Continua…).


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