Novo Blog para o Concelho de Ourém. Rumo à Excelência. Na senda da Inovação
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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 24.08.11 às 23:31link do post | adicionar aos favoritos

Pompeia

24 de Agosto de 79 D.C.

1932 anos depois

 

TUDO ACABOU

É uma hora da tarde; três horas foram suficientes para arrasar Pompeia.

Durante todo o dia de 24 e de 25, as cinzas e os lapilli continuaram a cair; as cinzas são até cada vez mais abundantes. Colunas de fumo saem sem cessar da cratera. Todas as aldeolas vizinhas do Vesúvio estão cobertas de cinza. A escuridão é total até à manhã do terceiro dia. Nesse momento, o vento conseguirá por fim rasgar o véu que escurecia o sol. Este voltou a encontrar progressivamente a sua força, à medida que as nuvens se dissipavam, e iluminou finalmente um espectáculo de horror. A sul e a leste do vulcão nada mais se avistava a não ser cinzas esbranquiçadas; Herculano tinha desaparecido debaixo da lama, Pompeia estava sepultada sob toneladas de cinzas, que atingiam cinco e por vezes sete metros! Únicos vestígios: alguns pedaços de muralha do Fórum, sepultado mas ainda em pé, que emergiam aqui e ali. Em Estábias, terceira cidade mártir, a camada de cinzas atingia três metros. O vento transportou finíssimas partículas de pó vulcânico até Roma, até à costa africana e mesmo até ao Egipto!

Milhares de fugitivos erravam pelos caminhos, espalhando o terror com as suas narrações apocalípticas. Dois mil pompeianos nunca mais voltariam a ver a doce Campânia e o céu azul.

Mas o sol tinha regressado, o Vesúvio acalmara-se. Tudo somado, a vida podia voltar a ser bela na baía de Nápoles, mas nunca mais haveria cidades felizes no sítio onde Herculano e Pompeia haviam perecido. Apenas Estábias veria renascer sobre as suas ruínas a actual Castellamare.

 

FIM


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 23.08.11 às 16:49link do post | adicionar aos favoritos

 

É este espectáculo deprimente que ainda é tradição em Portugal? É isto que ainda merece a conivência do Estado português, porquanto representa a cultura de um povo?

A barbárie que a foto retrata (Alcochete), assim como os dois homens abjectos que a protagonizam, mais um punhado que a alimentam, estarão todos para além dos legítimos direitos dos animais?

Neste país distraído que é o nosso, os danos contra a natureza valem mais que os danos contra os animais?

Excepções? Quais excepções, quando o que está em causa é o sofrimento e a morte deliberada, humilhante e degradante de um ser vivo?

E lembrar-me eu que tudo isto acontece a troco de uma “festa” absurda – a chamada estupidamente “festa dos touros” –, suportada por duvidosos valores e tradições seculares, em que se aplaude a desgraça alheia e em que as autoridades fecham os olhos para que a carnificina continue impune e desoladoramente encorajada…

Se vivêssemos num país de fantasia (ou será que vivemos mesmo?), haveria certamente um dia em que o feitiço se virava contra o feiticeiro, e seriam os (agora) coitados dos touros a fazer valer a sua forte personalidade e a embandarilhar e a desencornar todos os valentões cobardes que contra eles acometem. E haveria tantos por aí…  


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 23.08.11 às 00:12link do post | adicionar aos favoritos

PÂNICO NA CIDADE

Nem todos os fugitivos possuíam a mesma agilidade: uma mulher grávida, depois de reunir as suas jóias e as moedas de ouro, ainda quis fechar a porta à chave; caiu alguns passos mais adiante, na cinza molhada. Atrás dela foram encontrados os restos de uma menina de catorze anos, com a cabeça graciosamente pousada no antebraço e coberta com a túnica; ao lado destas mulheres, o escravo gigantesco, encarregado de as proteger, tinha falhado na sua missão, reunindo-se-lhes na morte.

Também os deuses, nos templos, não protegeram melhor o seu clero. Os sacerdotes de Ísis estavam a tomar a sua refeição, composta de pão, vinho, ovos, peixes e criação, quando ocorreu o desastre. Antes de fugirem, quiseram ainda oferecer um sacrifício à deusa, separando-se em seguida, visto o santuário ameaçar ruína. Um deles, o encarregado dos tesouros do templo, estatuetas, taças dos sacrifícios, moedas de ouro, dirigiu-se para o Fórum, mas não chegou lá, pois, aos primeiros passos fora do templo, caiu no meio do conteúdo do seu saco. Outros dois sacerdotes foram esmagados pela colunata do Fórum triangular, outros asfixiados nos subterrâneos do templo ou atrás das cozinhas. Houve um que teve morte ainda mais horrorosa, pois pode haver graus no horror: emparedado vivo, tinha tentado, com um machado, abrir caminho para o que julgava ser a vida; depois de rasgar duas paredes, sucumbiu asfixiado diante da terceira.

Se os teatros estavam vazios, o quartel dos gladiadores e os pórticos vizinhos formigavam de gente, a quem a situação, como a tantos concidadãos seus, não parecia assim tão grave. Repentinamente, como muitas vezes acontece, a multidão moveu-se, dispersando-se num “salve-se quem puder” geral. Dois gladiadores presos numa cela ali morreram, mas os colegas que tinham conseguido abandonar o quarto (o quartel contava 72 quartos duplos), nem por isso foram mais favorecidos: as cinzas bloqueavam as portas exteriores… Habituados à vida em comum, julgaram-se mais seguros em grupo e reuniram-se em algumas salas. Numa delas foram encontrados vestígios de 34 corpos; noutra, onde se guardavam as armas e os capacetes, dezoito esqueletos, um dos quais de mulher, coberto este de jóias – braceletes de ouro e colar de esmeralda – sem dúvida, alguma admiradora de um dos ídolos da arena, que foi morrer a seu lado!

Sessenta e três pessoas, no todo, foram encontradas no quartel, incluindo alguns escravos ocupados em ajaezar um cavalo carregado de objectos preciosos.

Ao atravessarem este Fórum, de que se sentiam tão orgulhosos, os pompeianos tropeçavam nas ruínas dos templos que, com enormes despesas, tinham começado a restaurar e cujos pórticos, colunas e estátuas, ao caírem, acrescentavam mortos e mais mortos a uma lista já extensa.

Imobilizados na sua derradeira atitude, num jardim perto da porta de Nocera, foram descobertas, em 1961, as vítimas que parecem revelar a mais pungente das mensagens – para nós, a mais recente.

Três famílias haviam-se reunido ao abrigo dos lapilli, das cinzas e da chuva. Decididos a abandonar a casa onde se encontravam, põem-se a caminho atrás de um escravo carregado com um saco. Este não tarda em tombar; atrás deles, dois meninos, de mãos dadas, tentam defender-se com uma espécie de telha. Um homem, uma mulher e uma menina caem seguidamente. A mulher caiu de joelhos, protegendo a boca com um pedaço de pano. A fechar o cortejo fúnebre, um velho cai, por sua vez, mas tenta soerguer-se, apoiando-se no cotovelo, para ir socorrer aqueles de quem é, sem dúvidas, o pater famílias. Em vão… todos estavam condenados à morte e nós fomos encontrá-los moldados, imobilizados para a eternidade, com uma expressão de horror indizível do rosto.

(Continua…).


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 22.08.11 às 23:49link do post | adicionar aos favoritos

AS «VILLAS» CEMITÉRIOS

No centro da cidade ficava uma importante Villa, onde se comerciava vinho por atacado; construída sobre uma espécie de passagem abobadada que dava para o jardim através de estreitas janelas, era uma Villa rica, célebre pela colunata que rodeava o jardim e o peristilo. Nos subterrâneos conservavam-se as ânforas de vinho, com a base pontiaguda enterrada no chão. O proprietário da casa julgou que esta cave, solidamente protegida pelas suas abóbadas, podia garantir temporariamente a segurança dos seus: levou para ali toda a família, bem como os criados que conseguiu reunir. A mulher, com pesadas jóias ao pescoço e nos pulsos, apertava uma criança nos braços; junto dela estavam um filho e uma filha; esta, uma adolescente que vestia do linho mais fino, tinha, como a mãe, preciosas jóias. O dono da casa, convencido de que o abrigo era seguro, mandou amontoar nele abundantes víveres. Carregado com um saco de moedas de ouro, quis sair de casa, acompanhado por um escravo que transportava as pratas, a fim de se assegurar de que o caminho para o mar estava livre; contava, depois, vir buscar os seus. Os dois homens nem chegaram a transpor a porta da rua: asfixiados, tombaram sobre a espessa camada de cinzas e de pedras. Entretanto, no criptopórtico, a cinza amontoava-se, impalpável, penetrando pelas mínimas fendas, acompanhada de gases deletérios. A ventilação era quase nula; os jovens cobriram a cabeça com o manto, a menina das jóias também tentou proteger-se com a túnica; teve uma morte horrível, com a cabeça apoiada no colo da mãe, último e inútil refúgio. Foram encontrados na cave trágica 34 cadáveres. No rés-do-chão encontrou também a morte uma cabrinha familiar, ainda com o guizo ao pescoço.

A Villa dos Mistérios, depois do sismo de 63, tinha sido transformada em exploração agrícola. No primeiro andar da casa, três mulheres foram surpreendidas pela erupção; nem sequer tiveram tempo de descer para a rua: o peso das cinzas fez ruir o tecto e o sobrado do primeiro andar. As mulheres partiram as pernas ao caírem no andar inferior e morreram sufocadas; uma delas, ainda adolescente, apertava contra o peito um espelhinho de bronze. Ocupados nos trabalhos de restauração da Villa, os operários refugiaram-se no subterrâneo, pois a única porta de saída ficara bloqueada pelas cinzas. O porteiro, resolvido a não abandonar a casa, tinha procurado, de sala em sala, um abrigo que lhe parecesse seguro: foi encontrado num estreito reduto, hermeticamente fechado. No entanto, a maioria dos habitantes da Villa conseguiu fugir: nesta vasta moradia, com noventa salas, apenas foram descobertos oito cadáveres…

Os lugares públicos, como é natural, não foram poupados. O anfiteatro, felizmente, estava quase vazio, mas havia muita gente na palestra, onde os jovens pompeianos se treinavam nos desportos. Quando as pedras começaram a cair, ginastas e espectadores refugiaram-se debaixo do pórtico, que não tardou a ruir, sob o peso dos lapilli e das cinzas. Um servidor de Ísis, com os braços carregados de vasos sagrados que ornavam o altar vizinho, foi sepultado nas cinzas com o seu precioso fardo.

Era inútil procurar refúgio numa cave ou debaixo de um pórtico.

Só a fuga podia conduzir à salvação.

O tecto da casa de Trébio Valeu, com as paredes cobertas de inscrições eleitorais, matou quatro pessoas na sua queda. Mais além, na casa do pintor Amando, também se julgaram protegidos por uma sólida parede: foi a asfixia que matou os nove componentes da família, encontrados no vestíbulo.

Perto da casa do Criptopórtico estava situada a Villa chamada do poeta Menandro, poeta cómico cujo retrato figurava nos frescos do átrio. Só os escravos se encontravam em casa; o patrão estava ausente. A Villa compunha-se de duas secções: em baixo, a residência do proprietário e as dependências dos criados; no primeiro andar ficava o alojamento dos escravos e do intendente. No início do drama, estes ainda hesitaram em deixar o andar que lhes estava destinado, mas, como as pedras continuavam a cair e a camada de lapilli atingia já dois metros e meio, no átrio, resolveram descer: imagine-se os nove homens, numa estreita escada de madeira, guiados por um deles, com a lanterna de bronze. Os vapores de enxofre começam a espalhar-se e os nove homens tombam, uns sobre os outros, na escada deserviço. Pelo contrário, duas mulheres, ao verem o chão cobrir-se inexoravelmente de cinzas e de pedras, refugiaram-se no primeiro andar, por cima dos estábulos: morreram esmagadas pelo tecto. O intendente, por sua vez, dirigiu-se com a filha para o cubículo onde guardava os sinetes do patrão e as alfaias dos escravos. Foi encontrado estendido na cama, com a criança ao lado, ambos cobertos com almofadas e travesseiros, debaixo de vários metros de cinzas.

Na casa do padeiro Próculo, brincavam sete crianças. O primeiro andar caiu em bloco sobre elas.

Na lavandaria, empregados e clientes morreram simultaneamente.

(Continua…).


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