Novo Blog para o Concelho de Ourém. Rumo à Excelência. Na senda da Inovação
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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 30.08.10 às 00:29link do post | adicionar aos favoritos

O nosso post intitulado "Hino à Liberdade e à Justiça" originou dois comentários de um leitor deste Blog, o qual nos revelou uma história pessoal que nos deixou incrédulos perante mais esta evidente prova de que algo realmente se passa de errado com a justiça portuguesa.

A sua revolta, perfeitamente compreensível, foi-nos dada na primeira pessoa e com detalhes que nos deixam apreensivos e alarmados.

Face ao apelo que nos dirigiu, e não podendo nós ficar indiferentes quando confrontados com uma situação aberrante como esta, deixamos aos nossos estimados leitores o seu testemunho, para que possam tirar as suas próprias conclusões.

 

"Não concordo com esta situação mas cá também acontecem destas coisas e ninguém fala. Cá um filho não tem direito a estar com o seu Pai doente a acamado, duvido que no Irão não tenho esse direito. Cá um filho é detido apenas por estar com o seu Pai doente a acamado, duvido que isso aconteça no Irão. Cá quem critica a justiça é perseguido, cá também não há liberdade.

Portugal faz parte desse mundo ainda repleto de grandes atrocidades e injustiças. Neste país também há violação de direitos humanos e nisso não falam e tentam abafar, é este o país do faz-de-conta.

O estado Português não é pessoa de bem e viola direitos humanos. Portugal não é um estado de direito e é um país sem lei, a lei é feita na altura pelo tribunal de acordo com os interesses existentes. As instituições não têm credibilidade, ninguém as controla, não prestam contas a ninguém, quem as impede de violar a lei (que apesar de tudo está escrita embora não seja cumprida) e de cometeram as maiores atrocidades? A justiça neste país é uma tortura, não lida bem com a critica e persegue os opositores como antes do 25 de Abril.

O meu Pai morreu, foi tratado pela justiça como uma coisa que estava ali num canto à espera da morte, que nem direito tinha de estar com os filhos. Uma atitude de completo desprezo pela pessoa humana. Tinha-o visto há 10 meses no hospital, vi-o no hospital 2 dias antes de morrer, isto é monstruoso. Como eu critiquei essa justiça, agora estão a fazerem-me a vida negra, inventaram custas, incidentes, etc , para eles não há regras, é o vale tudo. Violam a constituição, a lei e os direitos humanos, e tudo isto com a cumplicidade de alguns meios de comunicação social para quem isto não é uma noticia de interesse publico, isto é uma noticia que convêm abafar. Está na constituição que os tribunais administram a justiça em nome do povo, assim eles devem prestar contas a nós. Apelo a todas as pessoas de bem que por um mundo melhor divulguem esta mensagem. Isto não acontece só aos outros, tenham cuidado, muito cuidado com esta (in)justiça.
Neste país acontecem coisas monstruosas, eu fui detido e acusado de invadir o domicílio do meu Pai quando me desloquei lá para estar com ele uma vez que ele estava doente e acamado, claramente é tudo ilegal, fazem isto porque contam que fiquei tudo abafado. Devido a isso estive cerca de um ano e meio sem o ver, é desumano. No dia do julgamento a pessoa que apresentou a queixa e que nem sequer tinha legitimidade para a apresentar, retirou-a para abafar estas ilegalidades. Por absurdo que pareça depois mandaram as custas para mim. Tinha sido determinado um horário de visitas ao meu Pai e mesmo assim não o consegui ver. Pedi certidão ao tribunal desse horário de visitas para poder agir contra a pessoa, a minha madrasta que não o estava a cumprir e passados 2 meses ainda não a tinha. Queixei-me ao tribunal e este veio dizer que eu já tinha levantado essa certidão a aplicou custas do incidente de 100€. Foi tudo inventado eu (ainda) não estou maluco. Pedi as provas e eles não as tinham nem podiam ter, mesmo assim depois mandaram a conta para eu pagar, eu escrevi ao tribunal a dizer que não ia pagar pelos erros deles. Com isto tudo só me entregaram essa certidão 6 meses depois de a ter pedido, neste período eu não conseguia ver o meu Pai nem agir contra ela. Devido a essas custas penhoram parte do meu vencimento e um mês depois o carro. Além de eu não dever nada a penhora do carro além do vencimento é abusiva, ilegal e mesmo inconstitucional. Os tribunais não têm legitimidade democrática uma vez que o seu poder não resulta de eleições. Eles são tratados com Deus tendo um poder absoluto sendo simples mortais como todos nós. Quando eles violam a lei e os direitos humanos nós não temos a quem recorrer. Há vários artigos que dizem que os Portugueses não acreditam na justiça e têm razão para isso. Vejam a justiça até tem um sindicato! Todo o poder tem de ser devidamente controlado senão acontecem abusos.

Cheguei a apresentar uma queixa contra ela por impedimento de visita e veio arquivada com argumentos da treta, quando eu apresentei testemunhas e os factos foram provados. Eu queixei-me do comportamento da justiça e agora sou perseguido, por mais razão que tenha vem sempre tudo arquivado.

Tenho tentado recorrer à comunicação social para denunciar esta violação de direitos humanos e não querem saber. Penso que se isto acontecesse na China ou noutro país sabia-se cá, como é cá é melhor abafar, é este o país do faz-de-conta.

Deixo aqui um link para um excelente artigo sobre o estado da Justiça
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/opiniao/constanca-cunha-e-sa/o-estado-da-justica?nPagina=1

http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/estudo-da-sedes-revela-que-o-maior-problema-da-democracia-e-o-descredito-da-justica_1390009".

Rui a 21 de Outubro de 2010 às 00:14
O Estado da Justiça Em Portugal

Num juízo de uma pequena cidade em Portugal, o advogado de acusação chamou a sua primeira testemunha; uma velhinha de idade avançada.

Aproximou-se da testemunha e perguntou:

- Sr.ª. Ermelinda, a senhora conhece-me?

A senhora respondeu:

- Claro que te conheço. Conheço-te desde pequenino e, francamente, desiludiste-me. Mentes descaradamente, enganas a tua mulher, manipulas as pessoas e falas mal delas pelas costas. Julgas que és uma grande personalidade quando nem sequer tens inteligência suficiente nem para ser varredor. Claro que te conheço.

O advogado ficou branco, sem saber que fazer. Depois de pensar um pouco apontou para o outro extremo da sala e perguntou:

- Sr.ª Ermelinda conhece o defensor oficioso?

Responde a velhinha:

- Claro que sim. Também o conheço desde a infância. É frouxo, tem problemas com bebida, não consegue ter uma relação normal com ninguém e na qualidade de advogado bem, aí... é um dos piores que já vi. Não esqueço também de mencionar que engana a mulher com três mulheres diferentes, uma das quais, curiosamente, é a tua mulher. Sim, conheço-o.

Claro que sim.

- O defensor ficou em estado de choque.

O Juiz, então, pediu a ambos os advogados que se aproximassem do estrado e com uma voz muito ténue diz-lhes:

- Se a algum dos dois, ocorrer perguntar à aquela velha se me conhece, juro-vos pela justiça portuguesa que vão todos presos.

http://filosofias.blogs.sapo.pt/4802.html

Conclusão:
Os advogados cada qual o pior, mas o juiz ainda consegue ser o pior de todos. Isto não é apenas uma história, há alguma semelhança com a realidade. Estamos tramados, ninguem nos protege desta gente.

Almeida a 22 de Outubro de 2010 às 23:32
Assim vai a nossa justiça! Um filme de terror, coitado de quem cair nas mãos desta gente.

Procurador pede abertura de queixa-crime contra Pinto Monteiro
Um procurador do Tribunal Central e Administrativo do Sul
requereu ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça que
instaure um procedimento criminal contra o Procurador Geral
da República, Pinto Monteiro, por alegada denegação da
Justiça.

Em causa está, segundo a queixa, a escusa de Pinto Monteiro
em dar sequência a um requerimento do queixoso para avançar
com um processo-crime contra o vice procurador geral, Mário
Gomes Dias, pela alegada prática dos crimes de abuso de poder
e de usurpação de funções.

"Apesar de conhecer a ilegalidade do seu comportamento", o
denunciado "não apenas indeferiu a instauração de processo-crime e a entrega do certificado da denúncia, como ameaçou o
requerente de tratamento disciplinar", refere o texto da queixa
apresentada dia 4 a Noronha do Nascimento pelo procurador
geral adjunto do TCAS Carlos Alberto dos Santos Monteiro.
No seu requerimento ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça, o procurador do TCAS pede ainda que Pinto Monteiro e Mário Dias Gomes sejam corresponsabilizados pela prática continuada dos crimes de abuso de poder e de usurpação de funções.

Aos dois e ainda ao secretário da Procuradoria Geral da República, Carlos José de Sousa Mendes, o queixoso imputa a prática, em co-autoria, de um crime de peculato de uso, por causa do vencimento pago "ilegalmente" que, na tese do denunciante, configuraria desvio dos fundos orçamentados.

O procurador do TCAS refere que, desde 3 de Janeiro de 2007 até hoje, o Procurador Geral da República "fez-se coadjuvar e substituir sistemática e permanentemente" por Mário Dias Gomes "sem que para o efeito lhe tivesse definido quaisquer funções, apesar de ambos saberem que a tal estavam obrigados". O n.º 2 do artigo 1.º do Regulamento Interno da PGR, publicado na segunda série do Diário da República de 28 de
Fevereiro de 2002, estabelece que "a coadjuvação do Procurador Geral da República pelo vice-procurador geral da
República, quando implicar a distribuição permanente de funções, efectua-se em termos a definir pelo primeiro, mediante despacho interno".

Carlos José de Sousa Mendes assinala que Pinto Monteiro só veio a definir essas competências por despacho de 23 de Março de 2008, "porque o próprio denunciante suscitou a questão da incompetência" legal de Mário Dias Gomes. Com isto, Pinto Monteiro "confessou a ilegalidade de toda a situação" anterior ao despacho, infere o denunciante.

O vice-procurador geral atingiu a idade da jubilação/aposentação (70 anos), esperando a sua substituição, depois de no dia 1 o Parlamento ter chumbado uma proposta de lei do Governo que permitia a nomeação de magistrados
jubilados do Ministério Público e garantia que o actual vice procurador geral pudesse manter-se em funções.

link
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1682499

Carlos Pinheiro a 23 de Outubro de 2010 às 18:43
O seu artigo merece todos os aplausos pelas portas que abriu a várias pessoas para darem nota de casos seus.
Eu, face aos casos relatados, até me sinto envergonhado de vir relatar algo que se passou comigo e com a Justiça. Mas mesmo assim ainda conto:
No final de 2001, eu e mais umas largas dezenas de quadros bancários fomos "convencidos" a seguir para a reforma antecipada. Mesmo contrariados aceitámos essa situação face a exemplos gritantes de que tínhamos conhecimento de colegas nossos que passaram largos meses sem funções, sem papéis, sem telefones, sem nada, e muitos de nós possivelmente nem aguentaríamos este tipo de coacção e de violência psicológica. Por isso aceitámos sair. Mas passado pouco tempo alguns de nós consultámos advogados e todos nos diziam que tínhamos direito a ser indemnizados pelos prejuízos materiais sofridos com a reforma antecipada. O meu caso saltou da 1ª Instância, onde perdi, para a Relação com o mesmo resultado até ao Constitucional que despachou: Não tomar conhecimento do processo. Custas a cargo do Autor". Votaram assim 3 juízes conselheiros. Dois outros votaram ao contrário, portanto a meu favor. Mas tive que pagar só de custas 2.524€. Onde é que esteve a Justiça neste meu caso?

Almeida a 24 de Outubro de 2010 às 00:22
Obrigado pelo seu comentário, fez bem em relatar o seu caso.
A situação da justiça é pior do que possa imaginar, penso que isto ajuda. Este é na prática um país sem lei, a lei é feita na altura pelo tribunal de acordo com os interesses existentes. Os agentes da justiça acham normal um tribunal dizer uma coisa e outro o contrário, eu pergunto se eles não andaram todos na mesma escola? Parece que quando eles tiveram formação não lhes ensinaram a interpretar a lei. Por vezes há interpretações para todos os gostos ou para os gostos que por interesse se queiram ter!

Outra situação grave é a das custas, o Sr. Bastonário disse que alguns juizes produzem aberrações e os nossos politicos acham que temos de pagar custas pela produção dessas aberrações!

O problema não é só da justiça, como qualquer pessoa de bom senso percebe esta noticia é muito grave, no entanto até a comunicação social a quer abafar. 36 anos após o 25 de Abril continua a não haver liberdade e os criticos a serem perseguidos. A justiça viola a lei e quando isso acontece tudo fica abafado e não temos a quem recorrer. Veja o caso do PGR, apresentaram uma queixa-crime contra ele por segundo percebi violar a lei. Vá lá que esta apareceu na comunicação social. Neste país continua a haver descriminação, pessoas de 1ª e de 2ª, protege-se o ambiente e os animais, mas não as pessoas, essas são tratadas por vezes abaixo de cão.

Este é o país da hipócresia, do faz de conta e dos interesses corporativistas.

Agradecia que divulgasse este caso, amanhã poderá acontecer a outros, um abraço.

Almeida a 26 de Outubro de 2010 às 22:03
Excelente artigo:
http://aeiou.expresso.pt/opiniao-dez-mandamentos-para-a-justica=f611343

Opinião: Dez mandamentos para a Justiça

O colunista do Expresso Henrique Raposo diz que é urgente refundar a Justiça em Portugal. E aponta soluções, como a maior responsabilização dos magistrados, o fim dos sindicatos e a mudança na escolha do procurador-geral da República.

1 O caso 'Freeport' é o ponto sem retorno. Precisamos de carregar no botão de 'reiniciar'. Precisamos de refundar institucionalmente a arquitetura da justiça e a relação entre os magistrados e o poder democrático. Ou seja, precisamos de refundar a III República. Os regimes que não mudam acabam por morrer, e este regime está a morrer em câmara lenta diante dos nossos olhos. Quem tem a coragem para carregar no 'reiniciar'?

2 Antes das mudanças institucionais propriamente ditas, a nossa elite intelectual e política tem de revolucionar a forma como perceciona a justiça. E esta 'revolução intelectual' perante a justiça é, em si mesma, uma mudança de atitude face à própria ideia de democracia. Neste sentido, é urgente que a cultura política portuguesa absorva o seguinte: a democracia liberal não é apenas o jogo eleitoral entre partidos; pensar a democracia liberal implica refletir constantemente sobre a justiça, e sobre a relação entre justiça e poder democrático. A política de uma república engloba a justiça. Aliás, desde os federalistas americanos, uma república é a articulação entre o sistema democrático e/ou partidário (poder vertical) e o sistema judicial (poder horizontal).

3 Por outras palavras, a justiça é um assunto político de primeira grandeza. Na prática, isto determina que a justiça não pode continuar a ser um tema 'técnico' que acaba sempre nas mãos dos 'técnicos' (juízes, procuradores, advogados e professores de Direito). A organização da justiça e a Constituição não são propriedades exclusivas dos catedráticos deDireito, dos magistrados e dos juristas. Quem escolhe a organização da justiça é a comunidade política (i.e., todos nós), e não os 'técnicos' do Direito. Em suma, o debate em torno da justiça não pode continuar a ser uma coutada das corporações judicias.

4 Dentro desta perspetiva política, o problema principal do nosso sistema judicial não é a falta de meios humanos e/ou materiais. O problema está na 'governança' da justiça, isto é, está no funcionamento do sistema, nomeadamente na ausência de responsabilização de juízes e procuradores. Otal 'sistema' (i. e., procuradores e juízes) vive em autogestão, sem transparência, sem uma fiscalização digna desse nome, pois encontra-se fora do circuito de responsabilização democrática (accountability).

5 A tensão entre o poder judicial e o poder democrático é umamarca central de todas as democracias liberais. E esta tensão não tem resolução definitiva; em qualquer democracia liberal, existe uma constante negociação entre a autonomia dos magistrados e a necessidade de prestação de contas democrática desses magistrados. Ora, em Portugal, essa tensão foi completamente anulada em favor da autonomia completa dos magistrados. Onde deveria existir 50% de autonomia contrabalançada por 50% de accountability, existe 100% de impunidade corporativa. Isto tem de acabar.

Almeida a 26 de Outubro de 2010 às 22:05
Segunda parte do artigo

6 Para começo de conversa, os sindicatos de magistrados devem ser extintos. Titulares de cargos de soberania não podem ter sindicatos. A soberania não faz greve contra a soberania, logo, um sindicato de magistrados é, em si mesmo, uma contradição em termos. Um inenarrável oximoro institucional. Por outro lado, convém relembrar que os atores institucionais do Estado de Direito (magistrados e polícias) não são funcionários do estado social (enfermeiros, professores, etc.). Quem defende o Estado de Direito não pode ter organizações sindicais e corporativas. Ponto final.

7 Após a extinção dos sindicatos, devem ser tomadas outras mudanças institucionais (e não meras medidas técnicas e burocráticas). E tenho de frisar a expressão 'mudanças institucionais'. Porque o problema não está nas pessoas que ocupam os cargos. O problema está nos cargos em si mesmos. Não podemos continuar a discutir pessoas. Esse 'pessoalismo' não leva a lado nenhum. Temos de desenvolver um 'institucionalismo' na forma como abordamos a justiça. Depois da saída de Souto Moura, muita gente pensou que tudo seria diferente com Pinto Monteiro. Ora, nada mudou. E nada vai mudar enquanto não mudarmos as regras institucionais que estão a montante dos 'Soutos Moura' e dos 'Pintos Monteiro'.

8 De facto, o procurador-geral da República (PGR) é um cargo com pouco poder. No interior do Ministério Público (MP), os procuradores - protegidos pelo sindicato - vivem em completa autogestão. E, atenção, esta fraqueza do PGR é uma consequência de algo que nunca é discutido: a escassa legitimidade democrática do PGR. Neste sentido, é urgente reforçar a accountability do PGR. Como? O PGR deve passar a ser indicado pelo Presidente, e, após essa indicação presidencial, o candidato a PGR deve ser avaliado e validado (ou não) pela Assembleia. O atual processo de escolha do PGR é tudo menos transparente e responsabilizador. Tal como está, o processo é opaco, não passando de um mero jogo de bastidores. O governo escolhe e o Presidente aprova essa escolha, sempre em circuito fechado. E este é o problema: nunca se faz uma auscultação pública do candidato. O candidato a PGR nunca é avaliado. Antes de ele tomar posse, nunca sabemos quais são os seus méritos e as suas opiniões; nunca sabemos o que pensa fazer nos seis anos de mandato. Esta opacidade tem de acabar. Ocandidato a PGR tem de ser duramente avaliado na Assembleia. Os deputados têm de submeter o candidato a um intenso escrutínio, devidamente observado pelo público e pelos media. Mais: a Assembleia deve ter a possibilidade de negar o candidato proposto pelo Presidente (que assim teria de indicar outro nome). UmPGR realmente poderoso, e com real autoridade dentro do MP, só pode nascer de uma dura e legitimadora avaliação pública e mediática.

Almeida a 26 de Outubro de 2010 às 22:10
Terceira parte

9 A falta de escrutínio sobre os juízes é o outro grande problema da justiça. Tal como os procuradores, os juízes não são avaliados por entidades exteriores à sua própria corporação. Resultado: o Conselho Superior da Magistratura (CSM) avaliou 97% dos juízes com a classificação de "bom" e "muito bom". É confrangedor cruzar estes 97% de 'juízes geniais' com os atrasos dos nossos tribunais. Em Portugal, é quase impossível reaver uma dívida pela via legal, mas o CSM considera que 97% dos nossos juízes não têm defeitos. É urgente furar esta nomenclatura corporativa que é alheia ao mérito e à prestação de contas. No atual statu quo, o critério para a ascensão dos juízes não é o mérito, mas sim a antiguidade. Ou seja, os juízes sobem nas carreiras como se fossem meros funcionários públicos. Isto não é admissível num Estado de Direito. E, se queremos acabar com este estado de coisas, temos de reformar o CSM. Este órgão necessita de maior legitimidade democrática, isto é, os seus membros devem passar a ser nomeados, em exclusivo, pelo poder democraticamente eleito (Assembleia e/ou Presidente). Os juízes não podem nomear outros juízes para o CSM. Isso não faz sentido, porque os juízes nomeados vão, depois, avaliar os juízes que nomeiam. Além disso, o CSM deve ter uma abertura profissional, ou seja, deve abrir-se a não-magistrados. A justiça é demasiado importante para ficar exclusivamente nas mãos dos magistrados. Neste ponto, o modelo espanhol (Consejo General del Poder Judicial- CGPJ) pode ser um modelo a seguir. Na atual arquitetura, o CSM tem dezoito membros: o seu presidente é o presidente do Supremo, o seu vice-presidente é um juiz do Supremo; o Presidente da República nomeia dois membros, a Assembleia nomeia sete, e os juízes nomeiam outros sete. Em Espanha, o CGPJ tem vinte membros, doze magistrados e oito não-magistrados. E todos (repito, todos) são nomeados pelo parlamento espanhol. Em Portugal, podemos seguir este modelo, porque garante superior legitimidade democrática, e evita cegueiras corporativas. Por outro lado, ao incluir pessoas que não são magistrados, este modelo abre omundo da justiça ao ar que se respira cá fora, na vida real.

10 O mandamento da desilusão: a nossa elite não discutirá estas questões institucionais, e vai continuar nas trocas de ódios pessoais).


É sempre bom ver alguém que pensa como eu!

Não admira acontecerem coisas estranhas na justiça!

Excelente artigo de Henrique Raposo
http://aeiou.expresso.pt/opiniao-dez-mandamentos-para-a-justica=f611343

Almeida a 28 de Dezembro de 2010 às 23:06
Encontrei mais um artigo sobre a lamentável situação da justiça:
http://www.leaopelado.org/justica.htm
do qual transcrevo algumas partes.

Afinal, também os juízes, tal como a maioria dos outros cidadãos, há já décadas que se limitam a ocuparem o lugar para justificarem ordenados e regalias, em vez de desempenharem as funções que lhes competem com competência. Excelente exemplo! Num tal ambiente, que de admirar a consideração que o povo português tenha pelos responsáveis (ou irresponsáveis) pela justiça? Não são todos estes factos do conhecimento geral e completo de toda a população? Presentemente, à luz desta evidência, em Portugal, chegou-se ao ponto incontestável em que ninguém acredita na justiça nem espera nada dela, a não ser a arrogância dos incompetentes.

O segundo facto, já atrás abordado, é que toda a gente sem excepção crê que em Portugal a Justiça tem bitolas diferentes, consoante quem for o julgado. Este facto está tão enraizado nas crenças nacionais que se pensa desnecessário tentar aqui exemplificá-lo.

O que fará a maioria de magistrados, juízes e até simples pequenos funcionários judicias demonstrarem tanta arrogância e desprezo, ou cinismo e desdém, por todos os cidadãos? Ou seja, pelo povo soberano com indubitável direito a ser tratado no mínimo decentemente. Quem quer que tenha tido de ir a uma secretaria dum tribunal não pode ter deixado de notar o ar de superioridade, nem o modo como é atendido pela maioria dos funcionários judiciais (salvo as eternas excepções a provarem a real existência das regras, como em tudo): até os menos arrogantes parecem atender as pessoas por especial favor e deferência.

Já agora aconselho também a leitura deste artigo sobre o estado da Nação:
http://www.leaopelado.org/estado.htm

É esta a qualidade da nossa democracia, o 25 de Abril já foi à tanto tempo, estamos a precisar de outro.

Almeida a 10 de Janeiro de 2011 às 23:08
Mais um excelente artigo que demonstra a situação da justiça.

http://aeiou.expresso.pt/quer-ver-a-evolucao-da-justica-portuguesa-numa-so-imagem=f623754

Quer ver a evolução da Justiça portuguesa numa só imagem?

A Justiça é feita por homens. Logo não será errado afirmar que a evolução da Justiça tem acompanhado a evolução da espécie humana. Contudo, em Portugal estamos habituados a ser diferentes. Veja como.

A Justiça em Portugal nos últimos anos tem vindo a "emporcalhar-se". Digamos que a Justiça, que deveria seguir de perto a evolução do próprio homem que a aplica, terá sofrido uma ligeira variação na linha evolutiva levando a que hoje em dia seja comum dizer-se que esta se encontra algures entre um chiqueiro e as traseiras de um restaurante de leitões na Mealhada.

Portugal em termos de Justiça é um Estado suíno. E o ano que passou foi verdadeiramente o ano do porco.

Ver o link para ver a imagem.

Rui a 12 de Janeiro de 2011 às 22:05
Coelho critica justiça com frase de livro judaico

"Infeliz da geração cujos juízes merecem ser julgados"

Ver artigo em:
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1754690

Ribas a 11 de Julho de 2012 às 17:34
Caso primeiro:
O meu prédio demorou 16 anos a constituir administração. Graças ao meu esforço lá nos reunimos mas não fui capaz de tomar as rédias, então é como não exista administração. Nos interválos anteriores, havia gentalha que se compotava mal e porcamente sem respeitar os vizinhos. Foram várias as vezes que a PSP fora ao local, mas o resultado era sempre tempo perdido. Não valia apena a PSP presenciar os factos ou eu ter apresentado as queixas na Esquadra. Um dia passei-me e enviei uma carta a todas as autoridades e entidades públicas destes país, relatando os teatros de guerra dentro da minha habitação. Num desses parágrafos escrevi: um dia alguém terá de pagar por isto. Sabem o que me aconteceu?
Pois bem, a policia a mando de um procurador entrou em minha casa acompanhada de mandado de busca, tratando-me como um criminoso. O mandado dizia apenas isto: Crime de ameaças e falsificação de documentos. Fui constituido arguido e levaram-me o computador. Ao fim de um ano mandaram-me levantar o equipamento e se ao fim de 90 dias o não fizesse, revertia a favor do Estado. O processo foi arquivado

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