Novo Blog para o Concelho de Ourém. Rumo à Excelência. Na senda da Inovação
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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 03.03.12 às 12:17link do post | adicionar aos favoritos

Quando há cerca de três meses nos perguntávamos como iria terminar o ano (e pensávamos, na altura, mais na economia do país do que propriamente na nossa vida pessoal), estávamos longe de imaginar que o pior ainda estava para acontecer, e que as nossas vidas iriam chocar com o “destino” que nos havia sido traçado e mudar completamente o rumo das coisas.

Nunca estamos preparados para a mudança. Preferimos, por vezes, permanecer na nossa “zona de conforto” e esperar que a natural ordem das coisas faça o resto, que se substitua à nossa mais íntima vontade e que nos imponha as suas próprias condições. Quando elas surgem, resta-nos resignarmo-nos ao seu poder e às suas consequências. Se forem boas, aplaudimos e veiculamos a mensagem para os outros. Se forem más, fechamo-nos hermeticamente na nossa “concha”, lamentamos o sucedido e, tão breve quanto possível, e se ainda tivermos forças, seguimos em frente, à espera do próximo obstáculo.

José Mendes Leal, o oureense e “Pai Fundador” da empresa de transportes TNC, dizia a este respeito que “as dificuldades são estímulos para os que sabem lutar”. E assim é, se pensarmos que não basta tomarmos conhecimento dessas dificuldades. É preciso que, acima de tudo, as compreendamos para podermos encontrar uma solução para as ultrapassar.

Foi este raciocínio que fizemos quando em Novembro último fomos confrontados com a doença súbita de um dos autores deste Blog. As doenças, não são propriamente meros obstáculos por que somos obrigados a passar; vão para além daquilo que podemos controlar e surgem num relance tremendamente assustador.

Invariavelmente, salvo honrosas excepções, temos sempre a noção de que o mal acontece sempre aos outros, que estamos naturalmente imunes a tudo quanto nos afecta negativamente e que nos retrai e oprime. Este preconceito mundano surge ao arrepio da nossa vontade, mas haja a coragem de termos a capacidade de o entender e, sobretudo, de o enfrentar.

Assim, perante uma dificuldade ou um obstáculo, abrem-se-nos duas alternativas, que devemos encarar com seriedade e determinação: ou permanecemos na tal “zona de conforto” à espera que cheguem melhores dias, a pensar que o infortúnio é uma causa natural da vida e uma fatalidade contra a qual nada podemos fazer, ou então enveredamos pelo caminho inverso, que é o de tomarmos essa dificuldade como uma “causa própria” e fazermos das tripas coração para a debelar antes que ela nos debele a nós.

E quando essa dificuldade ou ameaça dá pelo nome de Acidente Vascular Cerebral, então é a altura exacta de pararmos para pensar se temos o estofo suficiente e a elegância para a transformarmos numa oportunidade de vida. Este exercício mental, quase instantâneo, perpassou a nossa mente em Novembro último e fez-nos colocar estas questões: por que razão isto haveria de acontecer a nós? O que fizemos para merecermos esta sorte? Como é que vamos enfrentar esta situação? Iremos conseguir? O que nos irá esperar no futuro? Seremos suficientemente fortes para aguentarmos a carga? Que soluções estarão ao nosso alcance?

Passada a fase da negação, que tem tanto de interrogatória como de anestesiante, foi altura de cairmos na realidade e encararmos o problema de frente.

Descobrimos que, doravante, em vez de um, afinal tínhamos dois problemas principais: o problema que o nosso familiar enfrentava, traduzido na doença súbita que o acometeu; e o nosso próprio problema, que se reconduzia à nossa capacidade (ou falta dela) de aguentarmos a batida, recarregarmos as energias e darmos-lhe todo o apoio que se manifestasse necessário, sem que, pela nossa parte, houvesse a mínima hesitação ou ponta de fraqueza que fosse. Tínhamos de estar, física e mentalmente, fortes para podermos retransmitir-lhe essas forças. Era a chave para o sucesso desta tremenda missão, e uma tarefa que nos iria colocar à prova e que não se revelava desde o início nada fácil.

De qualquer modo, fomos aprendendo que a energia positiva da mente, a perseverança e o amor movem montanhas e transformam-se em factores críticos de sucesso, factores estes sem os quais a nossa tarefa teria sido muito mais difícil de gerir, quando não mesmo impossível.

Aliar estes sentimentos à difícil batalha que o nosso familiar travava (e continua a travar) foi o passo seguinte e, seguramente, a chave deste pequeno mas grande sucesso. Esta decisão, que reputamos de altruísta, veio a revelar-se não só fundamental, como também fez a diferença entre a esperança que tínhamos de uma recuperação lenta mas favorável e a resignação de um simples baixar de braços, este último, aliás, um comportamento típico daqueles que andam neste mundo apenas a olhar para o seu umbigo, desprezando o amor pelo próximo ou, numa palavra, aqueles que nada mais são do que vermes, seres inúteis, parasitas e descartáveis.

A força e o amor que transmitimos ao nosso familiar representou para ele, por assim dizer, a diferença entre querer viver e deixar de acreditar na vida.

E ao longo de todo este processo lento e doloroso, fomo-nos apercebendo que há de facto uma diferença abissal entre a evolução clínica daqueles que têm o apoio primordial da família e aqueles que o não têm. Neste particular, é demasiadamente triste constatarmos a indiferença com que certas pessoas lidam com os que lhes são mais próximos, e a forma como selvaticamente os votam ao abandono até ao “suspiro final”. Esta crueldade mata, é também ela assassina e francamente repugnante e nojenta.

A verdade, porém, é que a vida encarregar-se-á de fazer justiça, punindo todos os maltrapilhos de espírito e de bondade que deambulam por aí.

Pela nossa parte, e de acordo com a nossa humilde experiência, de uma coisa já temos a certeza: ao olhar para trás, não nos arrependemos de nada, estamos de consciência tranquila e faríamos hoje pelo nosso familiar tudo o que fizemos no passado, sem arrependimentos nem hesitações, pois só assim, ao longo das nossas vidas, nos podemos orgulhar de sermos Homens.

Mas, nem todos se podem orgulhar do mesmo, e, meu Deus, há tantos trastes destes por aí…

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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 09.02.12 às 17:50link do post | adicionar aos favoritos

Volvidos cerca de três meses sobre a data em que, por forças imprevistas e graves, nos vimos forçados a interromper as publicações periódicas neste Blog, é agora altura de, lentamente, recuperar o “tempo perdido”, e reencontrar os nossos estimados leitores, sempre na busca de nunca fugirmos às nossas mais profundas convicções e ideias, não esquecendo que a nossa liberdade termina quando começa a liberdade dos outros.

 

No final do ano passado, infortunadamente, porém, vimo-nos forçados a fazer um pequeno interregno, o qual teve a ver com a doença súbita de um dos autores deste espaço, que ainda persiste, mas que já mostra evidências claras, ainda que cautelosas, de um progresso animador.

 

E não podíamos retornar a este espaço sem dedicarmos, primeira e entusiasticamente, o nosso aplauso, o nosso reconhecimento e o nosso bem-haja a todos quantos se dignaram (e continuam a dignar) acompanhar a doença do nosso familiar, pela sua preocupação e bondade demonstradas, e que directamente nos fizeram chegar os votos de rápidas melhoras e de uma recuperação, tanto quanto possível, sem sequelas.

 

Para esses, para os que falaram connosco e que se deram ao trabalho de visitar o nosso familiar na unidade de recuperação em que se encontra, aqui expressamos publicamente o nosso mais sincero agradecimento e a nossa eterna gratidão.

 

Para todos os outros, quer sejam aqueles que se diziam “amigos” e que só se têm interessado indirectamente pelo caso ou através de interpostas pessoas, quer sejam os que, por cobardia, medo ou simplesmente por falta de educação, seguiram as mesmas pisadas, para todos eles, senhores e senhoras cínicas e hipócritas, deixamos aqui os nossos votos de que sejam felizes, que vivam as vossas vidas e que vão para o diabo que os carregue.

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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 14.01.12 às 01:06link do post | adicionar aos favoritos

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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 07.12.11 às 23:04link do post | adicionar aos favoritos

Arvore de Natal - Recados Para Hi5

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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 14.10.11 às 01:01link do post | adicionar aos favoritos

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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 06.10.11 às 01:02link do post | adicionar aos favoritos

“Your work is going to fill a large part of your life, and the only way to be truly satisfied is to… love what you do. Your time is limited. Don’t waste it living someone else’s life” – Steve Jobs


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 05.10.11 às 16:00link do post | adicionar aos favoritos

Dia em que se proclamou a República em Portugal.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 23.09.11 às 21:11link do post | adicionar aos favoritos

 

"E depois do adeus", resta-nos a memória de José Niza, a lembrança de um homem que se bateu por causas dignas, altruístas e nobres, com quem privámos algumas vezes nas deambulações da política, mas cujo percurso de vida foi muito para além dela, um entrecruzar de áreas tão díspares, mas ao mesmo tempo tão conexas, como a música ou a medicina. Ao homem de 73 anos que hoje nos deixou, resta-nos registar aqui o nosso testemunho sentido e o sincero desejo que descanse em Paz.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 14.09.11 às 20:59link do post | adicionar aos favoritos

Amy Winehouse, falecida em Julho passado, completaria hoje 28 anos. Será, porventura, mais um mito da música a juntar-se a tantos outros. Deixou-nos uma voz inconfundível, marcante e duradoura. Assim como a sua presença em palco, a sua excentricidade e o seu misticismo. A fama, essa, será o proveito para milhões de fans espalhados pelos quatro cantos do mundo, que perdurará para além da sua prematura morte.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 11.09.11 às 01:33link do post | adicionar aos favoritos

10 anos passados, e o mundo ficou diferente.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 07.09.11 às 18:25link do post | adicionar aos favoritos

 

Um dos assuntos que está na ordem do dia, para além da crise, do aumento de impostos, da Troika e outras coisas tais, é se devemos criar (mais) um imposto, desta vez sobre a chamada “fast food”, aquilo que outros designam de “junk” (lixo), de “comida de plástico” ou simplesmente de “comida para encher pançudos”.

Ainda recentemente, o Bastonário da Ordem dos Médicos classificava esse tipo de comida como “lixo alimentar”, propondo mesmo a criação de um imposto, com o objectivo de “limitar o consumo de medicamentos e promover a poupança na saúde”.

Devo dizer, desde já, que acho a ideia completamente estúpida, absurda e inusitada, tanto mais que haveriam muitos outros alimentos altamente calóricos que, provocando os mesmos efeitos nas pessoas quando comidos em excesso, ficariam de fora de tão drástica medida.

Para além disso, se há por detrás desta proposta uma ideia economicista, como parece ser o caso, não lembraria a ninguém taxar a mão de vaca com grão, as tripas à moda do porto ou a feijoada, só para citar alguns exemplos.

 

Com efeito, parece-me que o busílis da questão não é este, ou seja, o problema não está no tipo de comida em si, embora saibamos todos que a “fast food” quando ingerida em excesso provoca maleitas na saúde, logo obriga ao consumo de mais medicamentos e, por fim, faz disparar os custos da saúde.

Ponham uma criancinha (ou um adulto, pois o efeito pernicioso é o mesmo) a comer todos os dias mão de vaca com grão ou chispalhada, e vão ver o que lhe acontece…   

A verdade, é que para certos pais se torna mais fácil dar meia dúzia de euros aos filhos para eles se irem deleitar com o tal “lixo alimentar”, do que empregarem esses eurozinhos em alimentos saudáveis e confeccionarem em casa, por exemplo, uma bela, rica e nutritiva panela de sopa.

O que é verdade também, é que, por vezes, são as próprias famílias, os pais, a incentivarem os filhos a consumir esse tipo de alimentos.

Conheço até alguns que não deixam de, pelo menos uma a duas vezes por semana, acompanhar alegremente os filhinhos ao conhecido império norte-americano dos hambúrgueres, só porque é chique ou está na moda. Quantas vezes não encontramos nesses lugares “pecaminosos” os próprios adultos, muitos dos quais depois se queixam que os filhos só comem porcarias ou estão obesos?

Mas, felizmente, também conheço outros pais que proíbem simplesmente os filhos de frequentar esses “antros de perdição”. E fazem-no, não sem antes os ensinar, em casa, o que devem ou não comer, o que é uma alimentação saudável e equilibrada e os benefícios e malefícios que os diversos alimentos têm para a sua saúde.

O problema é, pois, mais uma questão de educação das pessoas, que deve começar em casa, passar pela escola e terminar na sociedade em geral, do que propriamente a simples e fácil taxação dos alimentos que fazem mal quando ingeridos em excesso.

Quando não temos solução para o problema ou não queremos enfrentá-lo de frente, ou quando nos demitimos de analisar profundamente as suas raízes e as suas causas, então enveredamos pelo caminho mais fácil, que neste caso é a taxação da “fast food”, tornando-a mais cara e proibitiva.

 

Salazar também proibiu o consumo da Coca-Cola em Portugal. O que aconteceu, é que as pessoas iam bebê-la a Espanha. E sabemos todos que o fruto proibido é sempre o mais apetecido…

Querem uma alternativa para este dilema? Apostem na educação das pessoas, obriguem as criancinhas a ter aulas de nutrição nas escolas (desde quando é que elas aprendem esta temática nas escolas?), criem no país um verdadeiro caldo de cultura a favor da literacia alimentar e ensinem as pessoas a saber comer, e a privilegiar uma alimentação saudável e equilibrada, para si e para os seus filhos.

Enquanto isto não acontecer, de pouco vale taxar os hambúrgueres, a orelha de porco ou as francesinhas, porque os hábitos alimentares dos portugueses continuarão a ser inexoravelmente os mesmos, e a existir pais patéticos que continuarão a dizer com a boca cheia que gordura é formosura…

Por tudo isto e mais alguma coisa, deixem-se de tretas e mais impostos, e ensinem mas é as pessoas a comer. Mas, comecem pelos mais pequenos, pois já se perdeu uma geração com os pais deles…


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 02.09.11 às 18:28link do post | adicionar aos favoritos

 

As redes sociais são prolíferas, entre outras coisas, para proporcionar um leito confortável aos menos audazes, que não são capazes de sacudir o anonimato das costas e assumir a sua identidade e as suas ideias.

Mercê de uma fraqueza de espírito ou, quem sabe, de alguma maleita congénita aguda, arrogam-se de uma mão cheia de vaidade, apenas com o fito de mostrarem uma folha de serviço, sabe-se lá a quem e a troco de quê.

A mais recente novidade cibernáutica chega a Ourém através de uma página do Facebook, intitulada “Ourém Desabafos”, cujo emblema identificativo é o que os estimados leitores podem encontrar mesmo aqui ao lado.

Não fosse a obscuridade que envolve a sua criação, o anonimato do(s) seu(s) criador(es) e a “dinâmica literária” que anima a referida página, donde se exclui evidentemente a honorabilidade de quem a segue e nela escreve, e o assunto ter-me-ia passado completamente ao lado. Porém, como oureense de “gema” que sou – como é usual dizer-se sobre quem nasce e é criado em determinada localidade (sim, parece caso raro, mas é verdade, pois tive o privilégio de ter nascido em pleno centro da minha Vila Nova de Ourém, faz agora pouco mais de quarenta anos) –, não podia ficar indiferente a mais esta tentativa tosca de burlar as pessoas com uma iniciativa despudorada como esta.

Há, e repito, há por vezes razões que a própria razão desconhece, súmulas antiquadas que nos iludem e confundem, esqueletos escondidos no armário, cujas auras recalcadas e doentes reflectem criaturas sedentas de glória, de protagonismo e de muita confusão.

Acaso António Aleixo fosse vivo, teria certamente motivo para voltar a parafrasear um dos seus ilustres escritos, uma preciosidade da nossa literatura, tantas vezes esquecida por muitos, mas na sua essência bem viva entre todos nós (porventura mais viva do que alguma vez possamos imaginar): “Sei que pareço um ladrão, mas há muitos que eu conheço, que sem parecer o que são, são aquilo que eu pareço” (SIC).

Claro que é muito mais fácil carimbarmos a nossa existência com o nosso egoísmo e a nossa petulância, embora isso seja um pífio sinal de bondade e espelhe a fraqueza atroz do Ser Humano.

Raiar a legitimidade da voz humana através do ruído ensurdecedor da escuridão e do medo é meio caminho andado em direcção ao ridículo e ao abismo.

O mesmo abismo que não tem dó nem piedade por todos aqueles que, sendo deliberadamente fracos, fazem do anonimato a almofada confortável da sua perene inexistência, e para quem a História será um mero repositório de letra morta.

 

PS: Este escrito é dedicado, em abstracto, a todos aqueles e a todas aquelas que fogem da frontalidade e da assunção clara e inequívoca das suas ideias como o diabo da cruz.

E dedicado é também a todos os paus-mandados, a todos os intrépidos paladinos da desgraça, àqueles espíritos sem rosto que apenas merecem a nossa singela piedade.

Aos ofendidos ou a quem a carapuça serviu, deixo por fim uma palavra: revelem-se e assumam-se, e sejam bem-vindos ao mundo vivo dos Homens.       


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 24.08.11 às 23:31link do post | adicionar aos favoritos

Pompeia

24 de Agosto de 79 D.C.

1932 anos depois

 

TUDO ACABOU

É uma hora da tarde; três horas foram suficientes para arrasar Pompeia.

Durante todo o dia de 24 e de 25, as cinzas e os lapilli continuaram a cair; as cinzas são até cada vez mais abundantes. Colunas de fumo saem sem cessar da cratera. Todas as aldeolas vizinhas do Vesúvio estão cobertas de cinza. A escuridão é total até à manhã do terceiro dia. Nesse momento, o vento conseguirá por fim rasgar o véu que escurecia o sol. Este voltou a encontrar progressivamente a sua força, à medida que as nuvens se dissipavam, e iluminou finalmente um espectáculo de horror. A sul e a leste do vulcão nada mais se avistava a não ser cinzas esbranquiçadas; Herculano tinha desaparecido debaixo da lama, Pompeia estava sepultada sob toneladas de cinzas, que atingiam cinco e por vezes sete metros! Únicos vestígios: alguns pedaços de muralha do Fórum, sepultado mas ainda em pé, que emergiam aqui e ali. Em Estábias, terceira cidade mártir, a camada de cinzas atingia três metros. O vento transportou finíssimas partículas de pó vulcânico até Roma, até à costa africana e mesmo até ao Egipto!

Milhares de fugitivos erravam pelos caminhos, espalhando o terror com as suas narrações apocalípticas. Dois mil pompeianos nunca mais voltariam a ver a doce Campânia e o céu azul.

Mas o sol tinha regressado, o Vesúvio acalmara-se. Tudo somado, a vida podia voltar a ser bela na baía de Nápoles, mas nunca mais haveria cidades felizes no sítio onde Herculano e Pompeia haviam perecido. Apenas Estábias veria renascer sobre as suas ruínas a actual Castellamare.

 

FIM


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 23.08.11 às 16:49link do post | adicionar aos favoritos

 

É este espectáculo deprimente que ainda é tradição em Portugal? É isto que ainda merece a conivência do Estado português, porquanto representa a cultura de um povo?

A barbárie que a foto retrata (Alcochete), assim como os dois homens abjectos que a protagonizam, mais um punhado que a alimentam, estarão todos para além dos legítimos direitos dos animais?

Neste país distraído que é o nosso, os danos contra a natureza valem mais que os danos contra os animais?

Excepções? Quais excepções, quando o que está em causa é o sofrimento e a morte deliberada, humilhante e degradante de um ser vivo?

E lembrar-me eu que tudo isto acontece a troco de uma “festa” absurda – a chamada estupidamente “festa dos touros” –, suportada por duvidosos valores e tradições seculares, em que se aplaude a desgraça alheia e em que as autoridades fecham os olhos para que a carnificina continue impune e desoladoramente encorajada…

Se vivêssemos num país de fantasia (ou será que vivemos mesmo?), haveria certamente um dia em que o feitiço se virava contra o feiticeiro, e seriam os (agora) coitados dos touros a fazer valer a sua forte personalidade e a embandarilhar e a desencornar todos os valentões cobardes que contra eles acometem. E haveria tantos por aí…  


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 23.08.11 às 00:12link do post | adicionar aos favoritos

PÂNICO NA CIDADE

Nem todos os fugitivos possuíam a mesma agilidade: uma mulher grávida, depois de reunir as suas jóias e as moedas de ouro, ainda quis fechar a porta à chave; caiu alguns passos mais adiante, na cinza molhada. Atrás dela foram encontrados os restos de uma menina de catorze anos, com a cabeça graciosamente pousada no antebraço e coberta com a túnica; ao lado destas mulheres, o escravo gigantesco, encarregado de as proteger, tinha falhado na sua missão, reunindo-se-lhes na morte.

Também os deuses, nos templos, não protegeram melhor o seu clero. Os sacerdotes de Ísis estavam a tomar a sua refeição, composta de pão, vinho, ovos, peixes e criação, quando ocorreu o desastre. Antes de fugirem, quiseram ainda oferecer um sacrifício à deusa, separando-se em seguida, visto o santuário ameaçar ruína. Um deles, o encarregado dos tesouros do templo, estatuetas, taças dos sacrifícios, moedas de ouro, dirigiu-se para o Fórum, mas não chegou lá, pois, aos primeiros passos fora do templo, caiu no meio do conteúdo do seu saco. Outros dois sacerdotes foram esmagados pela colunata do Fórum triangular, outros asfixiados nos subterrâneos do templo ou atrás das cozinhas. Houve um que teve morte ainda mais horrorosa, pois pode haver graus no horror: emparedado vivo, tinha tentado, com um machado, abrir caminho para o que julgava ser a vida; depois de rasgar duas paredes, sucumbiu asfixiado diante da terceira.

Se os teatros estavam vazios, o quartel dos gladiadores e os pórticos vizinhos formigavam de gente, a quem a situação, como a tantos concidadãos seus, não parecia assim tão grave. Repentinamente, como muitas vezes acontece, a multidão moveu-se, dispersando-se num “salve-se quem puder” geral. Dois gladiadores presos numa cela ali morreram, mas os colegas que tinham conseguido abandonar o quarto (o quartel contava 72 quartos duplos), nem por isso foram mais favorecidos: as cinzas bloqueavam as portas exteriores… Habituados à vida em comum, julgaram-se mais seguros em grupo e reuniram-se em algumas salas. Numa delas foram encontrados vestígios de 34 corpos; noutra, onde se guardavam as armas e os capacetes, dezoito esqueletos, um dos quais de mulher, coberto este de jóias – braceletes de ouro e colar de esmeralda – sem dúvida, alguma admiradora de um dos ídolos da arena, que foi morrer a seu lado!

Sessenta e três pessoas, no todo, foram encontradas no quartel, incluindo alguns escravos ocupados em ajaezar um cavalo carregado de objectos preciosos.

Ao atravessarem este Fórum, de que se sentiam tão orgulhosos, os pompeianos tropeçavam nas ruínas dos templos que, com enormes despesas, tinham começado a restaurar e cujos pórticos, colunas e estátuas, ao caírem, acrescentavam mortos e mais mortos a uma lista já extensa.

Imobilizados na sua derradeira atitude, num jardim perto da porta de Nocera, foram descobertas, em 1961, as vítimas que parecem revelar a mais pungente das mensagens – para nós, a mais recente.

Três famílias haviam-se reunido ao abrigo dos lapilli, das cinzas e da chuva. Decididos a abandonar a casa onde se encontravam, põem-se a caminho atrás de um escravo carregado com um saco. Este não tarda em tombar; atrás deles, dois meninos, de mãos dadas, tentam defender-se com uma espécie de telha. Um homem, uma mulher e uma menina caem seguidamente. A mulher caiu de joelhos, protegendo a boca com um pedaço de pano. A fechar o cortejo fúnebre, um velho cai, por sua vez, mas tenta soerguer-se, apoiando-se no cotovelo, para ir socorrer aqueles de quem é, sem dúvidas, o pater famílias. Em vão… todos estavam condenados à morte e nós fomos encontrá-los moldados, imobilizados para a eternidade, com uma expressão de horror indizível do rosto.

(Continua…).


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