Novo Blog para o Concelho de Ourém. Rumo à Excelência. Na senda da Inovação
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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 18.09.10 às 19:06link do post | adicionar aos favoritos

 

A rentrée do “Notícias de Ourém”, após umas merecidas férias, deixou-nos particularmente satisfeitos por termos constatado que os deputados oureenses à Assembleia da República, eleitos pelo distrito de Santarém, aparecem agora lado a lado, com colunas distintas, a falar-nos de “Actualidades”, no caso de Carina João, e de um sortido de temas sobre o concelho e o país, coluna embora não epigrafada, no caso de António Gameiro.

Aos dois apresentamos desde já as nossas mais sinceras e cordiais felicitações por terem aceite tal desafio, o que acaba também por revelar que ambos estão animados por um verdadeiro espírito democrático de partilha de pontos de vista e de confronto salutar de ideias.

Agora que se inicia este “frente-a-frente” político, que coloca na coluna da esquerda o PSD e na coluna da direita o PS, impõe-se, todavia, fazer duas análises acerca destas colunas de opinião, uma relativa à forma, e outra relativa à substância.

Quanto à forma, nada temos a apontar. A cada uma das reflexões foi atribuído um terço de página, numa lógica equitativa, o que achamos justo, e ambas têm um cariz claramente partidário, arreigadas à ideologia que representam e formalmente dependentes das respectivas forças partidárias, pese embora o facto de parecerem reflectir as opiniões pessoais dos seus autores.

Há ainda a referir o facto de António Gameiro ter optado por se socorrer de frases célebres de outros autores para, de forma recorrente e sistemática, terminar as suas reflexões.

Trata-se de um pormenor formal que embeleza e enriquece o texto, com a particularidade de pôr os leitores a reflectir sobre o que acabaram de ler, ainda que por vezes essas frases estejam carregadas de simbolismo e/ou de “indirectas”.

Quanto à substância, a realidade impõe que olhemos para estas duas colunas com outros olhos, mais perscrutantes, diríamos nós, ou vistas por outro prisma.

 

 

Na verdade, a coluna da direita, a de António Gameiro, tem vindo, ao longo do tempo, a evidenciar um conjunto de pontos de vista que abordam, como dissemos atrás, várias vertentes da vida política, económica, social e cultural do concelho e do país.

Mas, há em quase todos eles, e já são muitos, um denominador comum: o facto de estarem ao serviço da actual maioria camarária, ou não fosse uma constante verificarmos que o que ali se diz são autênticos elogios directos ao trabalho desenvolvido pelo executivo do PS na Câmara Municipal de Ourém.

Até parece que o actual executivo precisa de uma figura supostamente “independente” para promover a sua gestão, uma espécie de “relator principal” da Câmara, um promotor público da imagem do presidente, fiel guardador da honra do convento e astuto arauto das boas novas socialistas.

Para além disso, verificamos, não raro, que as reflexões do nosso estimado amigo António Gameiro acabam por desancar no trabalho feito pela anterior gestão municipal promovida pelo PSD, desferindo muitas vezes duros golpes sobre os seus adversários políticos, através de um discurso que, achamos, está muito próximo daquilo a que se chama comummente bota-abaixo ou crítica fácil.

Temos para nós que a crítica pela crítica não gera soluções para os problemas com que estamos confrontados, não abonam a favor do próprio nem são uma mais-valia para o concelho.

E não está em causa a veracidade (pois que ela existe) de alguns ataques que são proferidos, mas antes a oportunidade e a maneira como são feitos.

Se, para afirmarmos as nossas ideias, precisamos de andar constantemente a rebuscar no passado os podres social-democratas em termos da gestão da autarquia oureense, ficará sempre a ideia, para quem está de fora, que os seus autores têm tudo menos ideias para o nosso concelho.

O que está feito, está feito, e os oureenses não precisam que lhes relembrem semanalmente que tiveram uma Câmara que cerceou o desenvolvimento da sua terra por longas e angustiantes décadas.

Diferente seria se os agora ilustres colunistas, Carina João e António Gameiro, enveredassem por outro caminho.

 

Dizemos isto, porque, a avaliar pelas “Actualidades” que Carina João nos trouxe no seu primeiro texto, ou seja, a proposta de Revisão Constitucional apresentada pelo PSD, os seus contornos e o seu alcance, estamos em crer que a sua coluna irá também desembocar numa “feira de vaidades”, numa promoção partidária das políticas do PSD, baseada em elogios precários e que só muito indirectamente resolvem os problemas concretos dos oureenses.

E qual é esse caminho?

Bem, esse caminho é aquele que é calcorreado pelas estradas do nosso concelho, pelos meandros dos nossos problemas, pela vida quotidiana de todos nós oureenses.

É um facto que Carina João e António Gameiro foram eleitos deputados pelo círculo de Santarém e são oureenses.

É nessa qualidade que, do nosso modesto ponto de vista, deviam outorgar as suas colunas, preocupando-se mais em explicar aos oureenses o que andam a fazer pelos corredores de São Bento em prol do concelho de Ourém, do que propriamente desfiarem um “rosário” que pertence a outros “campeonatos”.

Seria certamente mais importante e profícuo para todos nós que os nossos deputados nos dissessem semanalmente quais foram as iniciativas que levaram a cabo na Assembleia da República tendo em vista o progresso do concelho de Ourém.

Dir-nos-ão que basta clicarmos no site da Assembleia da República ou termos um perfil no Facebook para nos inteirarmos das vossas iniciativas parlamentares. É verdade. Mas, não é menos verdade que nem todos têm o privilégio de dominar as novas tecnologias, e a curta distância a que está um clique para alguns, transforma-se num oceano intransponível e incompreensível para muitos outros, precisamente aqueles para quem o jornal ou as conversas de café são os únicos meios de que dispõem para obter as respostas para os problemas que os preocupam e com que são confrontados todos os dias.

É por tudo isto, mas certamente por muito mais, que valia a pena vermos as vossas colunas no “Notícias de Ourém” a servir construtivamente o nosso querido concelho de Ourém, ao invés de serem meras caixas de ressonância partidária e servir unicamente para promover os vossos partidos, as vossas próprias paixões e vaidades pessoais.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 18.09.10 às 01:52link do post | adicionar aos favoritos

 

1. O governo anunciou finalmente a anulação do concurso para a construção do troço Lisboa – Poceirão do TGV, que incluía a terceira travessia do Tejo, mas manteve a intenção, até porque já está para breve, de construir a ligação Poceirão – Caia.

Diga-se, desde já, que somos totalmente a favor da Alta Velocidade (vulgo TGV) entre Lisboa e Madrid (pelo menos numa primeira fase).

É uma infra-estrutura estratégica para o nosso país (e não só para Espanha, como se diz erradamente e à boca cheia), que nos vai ligar à Europa, é geradora de investimento e de emprego, irá gerar riqueza para o país e potenciar o crescimento económico. Disso não temos dúvidas absolutamente nenhumas.

Aliás, quem pensa pequeno, é medíocre, tem vistas curtas e nunca saiu de Portugal é que pode dizer o contrário.

Assente este ponto, vamos à segunda parte, que é como quem diz à oportunidade do investimento.

Como o próprio governo sabia, a oportunidade deste investimento, tendo em conta a situação financeira do país e o futuro que não é risonho em termos económicos, era completamente inusitada e extemporânea.

Perante uma nação falida e endividada até ao pescoço, ou melhor, até à cabeça, seria um suicídio persistirmos neste projecto e endividarmos as futuras gerações, não já os nossos filhos e netos, mas a quarta ou quinta geração.

Era um disparate, uma irresponsabilidade e um crime digno de julgamento sumaríssimo.

O país não comporta e os portugueses não podem admitir que se ande a esbanjar o pouco dinheiro que temos, a maior parte emprestado, em megalomanias que só fazem sentido se vivêssemos, conjuntural e estruturalmente, num “Eldorado”.

Mas, em particular, não é essa a realidade do país, mas também da Europa e do mundo.

Estamos cercados por dificuldades nunca antes experimentadas e absorvidos por uma crise imensa que não podem ser maquilhadas nem escamoteadas, principalmente por quem nos governa.

A actualidade é deveras complexa e difícil para que nos demos ao luxo de “masturbarmos” as nossas vaidades em prol de experiências pessoais que custam um preço demasiado elevado aos portugueses, a todos nós que continuamos a sentir sair dos bolsos o dinheiro que os desgovernos que temos tido ao longo das últimas décadas têm insistido, deliberada e vergonhosamente, a usurpar-nos.

Não podemos tolerar que haja mil e cem milhões de euros para pagar uma tolice de dois submarinos, que daqui a uns anos nem peças nem dinheiro temos para os pôr operacionais, quando todos os dias os portugueses sentem na carteira os desvarios infames de uma certa classe política corrupta, irresponsável, arrogante e sem qualquer sentido de serviço público.

E logo agora que tanto se fala em serviço público e naquilo que a educação e a saúde representam para a maioria dos portugueses.

Não podemos andar, por um lado, a apregoar para as televisões a defesa intransigente do Estado Social, e ao mesmo tempo, por outro, a brincar com as finanças do país.

Qualquer português ou qualquer família sabe, e não é preciso ser doutor ou engenheiro, que se o seu rendimento mensal disponível é de 1000, não pode gastar 2000. Se gastar 2000, vai precisar de pedir outros mil emprestados para cumprir os seus compromissos. E, nessa altura, ou tem um amigo do peito que lhe empresta e perdoa a dívida, ou vai ter que recorrer à banca para pagar os mil que pediu emprestado, mais os juros. Se, no mês seguinte, em vez de 1000, vai gastar 1500, tendo o mesmo rendimento de 1000, então a sua dívida já não vai ser de 1000 mas de 2500, mais os respectivos juros. E assim por diante.

É deste modo execrável que anda o nosso Estado. Contrai dívida para pagar a dívida acumulada anterior.

Isto tem de ter um fim. E, se trocarmos as letras, dá FMI. Infelizmente.

Ora, TGV ou submarinos não são efectivamente o “pão” que os portugueses precisam neste momento.

Aceitaríamos esses investimentos se não conhecêssemos a nossa realidade presente.

 

 

2. Mas, a realidade presente mostra-nos à evidência que os políticos têm de ter mais contenção, sentido de oportunidade e responsabilidade e, acima de tudo, têm de deixar-se de tacticismos políticos eleitoralistas, que só visam a manutenção do poder, revelam o desprezo com que encaram os cidadãos seus eleitores, para além de que tristemente só vão adiando a resolução deste grande problema que se chama Portugal.

Só que, para quem quiser, ainda há uma saída, ou uma luz ao fundo do túnel.

 

 

3. José António Saraiva dizia há uns anos que a política portuguesa caminhava em direcção à mediania, e que “os grandes homens não são aqueles que se acomodam ao seu tempo mas exactamente os que se sabem antecipar. Pelo actual caminho, teremos líderes partidários certinhos mas medianos”.

Passados estes anos todos, permitam-nos que actualizemos a frase: em vez de termos líderes partidários certinhos e honestos, temos gente mediana e medíocre.

De facto, os líderes políticos dizem cada vez menos o que pensam. E, o que é mais grave, tudo o que pensam, dizem e fazem já não é novidade.

É por isso que os políticos devem falar menos de si próprios, dos seus programas, das suas rivalidades, das suas competências, e falar mais das questões superiores à política que devem comandar as suas opções políticas.

Os partidos políticos constituem apenas um dos elementos da vida política.

Mais importantes são os movimentos sociais que defendem valores, que combatem a injustiça e, entre ambos, os movimentos de opinião animados pelos “media” e pelas organizações, e também pelos intelectuais.

Daí que hoje não é a reconstrução de um qualquer partido político que é urgente, nem sequer a formação de movimentos sociais, na medida em que estes surgem espontaneamente numa sociedade.

É necessário, isso sim, criar associações, organizações, movimentos de opinião e lançar debates de ideias.

É que, “há muito que vivemos uma política da oferta, devemos regressar a uma política da procura”.

Os políticos devem preocupar-se mais com a procura social do que com a sua própria oferta política. É preciso que voltem a dar à nossa democracia a força de representatividade que ela perdeu.

É preciso que os políticos nos dêem a sensação de sermos, mais do que eleitores, cidadãos, e, sobretudo, que façam renascer dentro de todos nós a convicção de que os políticos não são os dirigentes de um país, da sua economia e da sua administração, mas antes que estão ao serviço de grandes causas e daquilo que cada um de nós considera os seus direitos e a sua liberdade.

Mas, também é necessário que não voltemos a escutar mais aqueles que fazem da política uma profissão.

Vamos regressar ao espírito democrático, o qual assenta na subordinação da acção política a princípios superiores à política: a liberdade, a igualdade, a solidariedade.

Sem política democrática, ou seja, representativa, ficaremos condenados a encerrarmo-nos na defesa dos lobbies muito bem organizados, em detrimento quer dos mais empreendedores quer dos mais fracos.

Os políticos não devem, por isso, contentar-se em ser meros técnicos de partido, mas antes, pelo contrário, seguir o caminho mais longo para o poder, aquele caminho que lhes permitirá encontrar os actores sociais reais para maior proveito da reflexão inovadora.

Neste princípio de século, precisamos todos de uma renovação total da vida política.

Para novos problemas são necessárias novas ideias, novos actores e novas formas de acção.

E quanto mais depressa se empreender este grande trabalho de renovação, mais depressa os políticos serão conduzidos ao poder por eleitores há muito descontentes por já não se sentirem verdadeiramente cidadãos.

Se os políticos apresentarem uma nova política, verão definitivamente renascer por toda a parte ideias, iniciativas e movimentos para os apoiar e incentivar.

Quando isso acontecer, os políticos voltarão a ser os verdadeiros representantes do povo!


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 12.09.10 às 23:14link do post | adicionar aos favoritos

 

Ao fazer um périplo pelos Blogs do concelho de Ourém, despertou-nos a curiosidade um texto colocado no passado dia 6 de Setembro no Blog “Sobre Ourém”, da autoria de Sérgio Faria, intitulado “o espectro e o aspecto”.

Nesse texto, Sérgio Faria relata-nos um episódio que decorreu em plena sessão da Assembleia Municipal, cujo protagonista foi o próprio Presidente da Câmara Municipal de Ourém, em relação ao qual teceu duras críticas pela alegada postura arrogante e despropositada que assumiu na sequência de uma intervenção feita pelo líder do grupo municipal do PSD, chegando mesmo a comparar Paulo Fonseca ao ex-presidente da Câmara, David Catarino, no que aos “modos, esquemas e enredos” diz respeito.

Para além disso, “Paulo Fonseca revelou a arrogância, a crispação e o destempero que caracterizaram alguns dos episódios mais lamentáveis protagonizados por David Catarino em sessões daquele órgão”, afirma ainda o autor.

Sérgio Faria conclui dizendo que “anos e anos a estagiar na oposição municipal e o que o pessoal do PS revela ter apurado melhor durante o tirocínio é a capacidade de repetir os disparates, os erros, as manias e os vícios da era de David catarino”.

 

Ora aí está uma crítica forte e incisiva, que em nada abona a favor da imagem pública do actual presidente da Câmara Municipal de Ourém.

Não temos razões para duvidar da veracidade do que nos é relatado naquele texto, mas, diga-se de passagem, não deixámos de ficar extremamente surpreendidos e preocupados.

Não nos era expectável que Paulo Fonseca, a menos de um ano da sua eleição, já tivesse adquirido os tiques de autoritarismo e arrogância que tanto criticou nos seus adversários políticos, e que foi motivo de chacota por parte do Partido Socialista e dos seus dirigentes ao longo de anos a fio, tantos quantos os anos da própria democracia.

Todos sabemos que o exercício do poder por largos períodos de tempo acaba por criar vícios, vaidades e excessos pessoais que transformam as pessoas em abutres selvagens, que acabam por ficar condicionadas e reféns do próprio poder que exercem.

E não é menos verdade que o poder absoluto corrompe absolutamente.

Ora, é isto precisamente aquilo que, nós oureenses, tivemos ao longo das últimas três décadas.

Três décadas em que assistimos ao exercício do poder absoluto, arrogante, antiquado, decrépito e malicioso, que transformou Ourém num concelho parco em desenvolvimento e sem perspectivas de crescimento a todos os níveis.

Um concelho parado no tempo, de vistas curtas e a ver passar os navios, enquanto os concelhos vizinhos cresciam e se expandiam, se modernizavam e evoluíam.

Foi para virar a página e cortar radicalmente com os vícios do passado que Paulo Fonseca foi eleito presidente da Câmara Municipal de Ourém.

Foi para trazer uma lufada de ar fresco às pessoas e às instituições, foi para quebrar o marasmo em que estávamos mergulhados há longos anos, acomodados que fomos aos “Velhos do Restelo” que nos foram governando década após década, fase na qual, a par de um concelho pobre e de fracos rendimentos, não se conhece, todavia, nenhum político que tenha passado pelas altas esferas da nossa Câmara que não tenha criado um bom pé-de-meia para a velhice.

Entre tachos e panelões, favores e benesses, subornos e sacos azuis, houve de tudo um pouco, só não vê quem não quer ver.

Paulo Fonseca tem de ser a antítese desta trapalhada e salganhada toda. Não se pode deixar cair em tentações oblíquas e que avivam a pior memória do passado.

Se Paulo Fonseca transigir na defesa dos melhores valores que devem nortear o seu mandato, se em vez de tolerar se voltar para a intolerância e para a arrogância, se transformar o exercício do seu poder numa arma de arremesso a favor de clientelas e amizades frívolas, se esquecer rapidamente o compromisso que tem com os eleitores e não honrar o seu programa de campanha, então, nessa altura, é bom que saia de cena e leve consigo o seu séquito de fiéis seguidores – os compadres e as comadres que só se sentem realizados profissionalmente quando usurpam o poder.

Mas, o povo é sereno e está atento. E não é estúpido. Porém, ao mínimo rombo na dignidade e na decência, à mínima falha de transparência, o povo puxa-lhes o tapete e lá vêm todos por aí abaixo.

E que grande trambolhão será.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 11.09.10 às 12:46link do post | adicionar aos favoritos

 

Faz hoje nove anos que tiveram lugar na América os atentados do 11 de Setembro (9/11 na terminologia americana), um golpe baixo que consistiu, como todos infelizmente sabemos, no desvio de aviões comerciais por piratas do ar, tendo como objectivo fazê-los despenhar contra alvos previamente definidos e estratégicos, símbolos do poder americano no mundo, como o World Trade Center, o Pentágono e, especula-se, o Capitólio e a própria Casa Branca.

Como se sabe também, apenas o World Trade Center e o Pentágono foram atingidos.

Porém, o Voo 93 da United Airlines, desviado por quatro terroristas que o queriam transformar num míssil guiado para destruir o Capitólio ou a Casa Branca, levaria os seus quarenta bravos passageiros e tripulantes a impedirem que se atingisse o alvo.

Depois de tomarem conhecimento dos ataques ao World Trade Center e ao Pentágono, um grupo de passageiros comuns decidiu lutar contra os terroristas.

A corajosa revolta acabou por levar à queda fatal do avião em Shanksville, nos campos da Pensilvânia, a apenas vinte minutos de voo de Washington.

Os atentados no seu conjunto provocaram a morte de milhares de pessoas, sobretudo no World Trade Center, cujas

Torres Gémeas viriam a desmoronar-se com a violência dos embates, arrastando consigo outros edifícios e tornando a zona num autêntico campo de batalha, num amontoado de destroços e numa sepultura de proporções descomunais para milhares de pessoas inocentes, que apenas “cometeram o erro” de estar no local errado à hora errada.

Recordamo-nos perfeitamente desse dia 11 de Setembro de 2001. As televisões interromperam a sua programação para dar conta do incidente.

Sim, incidente no singular, pois que as primeiras notícias surgiram como um aparente acidente que levaria um avião comercial a despenhar-se contra uma das Torres Gémeas do World Trade Center.

Com o passar dos minutos, um segundo avião (que se vê na foto) embatia na outra Torre Gémea, causando a perplexidade e a incompreensão dos americanos e do resto do mundo.

 

Agora, com dois aviões despenhados e, ainda por cima, estando nessa manhã de 11 de Setembro de 2001 um dia claro e soalheiro, sendo, por isso, injustificada a rota dos aviões em direcção ao World Trade Center, começou-se rapidamente a especular sobre um possível atentado terrorista. E as certezas vieram com o ataque ao Pentágono, o símbolo máximo da defesa norte-americana.

Agora, não estaríamos perante uma mera coincidência.

Entretanto, com as medidas prontamente adoptadas, entre as quais a de fechar o espaço aéreo e de mandar aterrar os milhares de aviões que ainda se encontravam no ar, apenas um, o Voo 93 da United Airlines, não acatou as ordens das autoridades americanas.

Seguido de perto por caças com ordens para abater o avião ao mínimo sinal de perigo (recorde-se que o Voo 93 estava a apenas vinte minutos de voo de Washington), foram, todavia, os corajosos passageiros e tripulantes, hoje heróis nacionais, que evitaram que o avião atingisse o alvo pretendido pelos terroristas e que a tragédia fosse ainda maior.

Pagaram, com esse seu gesto, um preço demasiado elevado – a própria vida –, mas a sua acção heróica irá perdurar na memória de milhões de pessoas por todo o mundo.   

 

Os ataques foram reivindicados pela célula terrorista da Al-Qaeda e pelo seu líder Osama Bin Laden.

Anti-americano, fanático religioso que vê no “orgulho americano” um perigo para o mundo, inimigo confesso do modus vivendi americano e do seu capitalismo indecoroso e brutal, para além de autor moral de outros atentados contra alvos estratégicos norte-americanos espalhados pelo mundo, Bin Laden, já o era, mas, após os atentados, passou a ser ainda mais o homem mais procurado do mundo, cuja captura é ponto de honra para os americanos e a certeza de que só assim honrarão os milhares de vítimas que ingloriamente pereceram naquele dia nos Estados Unidos.

Não temos dúvidas acerca da brutalidade destes atentados, nem duvidamos de que, a partir daquele dia, o mundo mudou radicalmente – podemos falar num mundo antes do dia 11 de Setembro e num mundo completamente diferente depois do dia 11 de Setembro, com toda a certeza mais instável, efectiva ou iminentemente em guerra permanente, desconfiado, confuso quanto aos valores que devem enobrecer as nações e as culturas, mas também os Homens, um mundo de fanatismos e saparatismos exacerbados, onde os ódios imperam na sua mais desastrada convicção, onde não há paz, nem solidariedade, nem respeito pelos direitos humanos, nem a defesa intransigente, descomplexada e desapaixonada dos mais caros valores da sociedade onde todos estamos inseridos…

O 11 de Setembro de 2001 tem de ter servido para alguma coisa… não pode ter sido em vão. Tem de haver uma lição a ser retirada por todos, e todos temos de nos impor aprender essa lição. Para que não voltem a acontecer mais 11 de Setembros.

A bem do mundo, mas sobretudo da humanidade.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 10.09.10 às 01:16link do post | adicionar aos favoritos

 

Recuperamos hoje aqui um pequeno excerto delicioso de um artigo de opinião de Clara Ferreira Alves publicado no “Expresso” há já algum tempo, para quem a justiça em Portugal não é apenas cega, mas também surda, muda, coxa e marreca.

 

Para a autora, “Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo «normal» e encolhem os ombros. Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada”.

 

E acrescenta que “nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado”, para além de que “tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país em que as coisas importantes são «abafadas», como se vivêssemos ainda em ditadura”.

Diz ainda que “apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade”.

Finalmente, Clara Ferreira Alves entende que “existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade”.

Por tudo isto, este é, na sua opinião, “o maior fracasso da democracia portuguesa”.

 

Diríamos que assim se fala em bom português.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 06.09.10 às 21:37link do post | adicionar aos favoritos

São três dos rostos mais importantes do futebol português e, porventura, os que mais mancham a nosso “desporto rei”.

Laurentino Dias, Secretário de Estado do Desporto, Gilberto Madaíl, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), e Amândio de Carvalho, vice-presidente da FPF.

O “polvo” de que muito se tem falado nos últimos tempos, pode alegadamente passar por estas três personagens.

Não sabemos se encarnam todos a cabeça, até porque os polvos, em princípio, só têm uma, mas há-de haver alguns tentáculos que se ajustam a cada um deles.

A cada aparição pública do Secretário de Estado do Desporto fica mais visível o quanto a política interfere no futebol em Portugal.

Os mais recentes comentários de Laurentino Dias acerca do “Caso Queiroz” traz à luz do dia a falta de imparcialidade que graça na secretaria de estado do desporto, a que acresce, nomeadamente, as opiniões furtivas que produziu acerca do acórdão da Autoridade Antidopagem de Portugal, que suspendeu Carlos Queiroz por ter concluído que houve perturbação do controlo antidoping realizado no passado dia 16 de Maio, aquando do estágio da Selecção Nacional na Covilhã.

Esta decisão veio na sequência de o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol ter ilibado Carlos Queiroz no âmbito do processo disciplinar que lhe foi instaurado.

Não satisfeita com a decisão, a Autoridade Antidopagem chamou a si a reapreciação do processo, acabando por produzir um acórdão que ia ao encontro de algumas vontades dominantes.

Entre essas vontades, encontra-se à cabeça a do Secretário de Estado do Desporto, que não se escusou de dizer publicamente que tinha seguido a par e passo o desenrolar do processo conduzido pela Autoridade Antidopagem e que a decisão proferida enquadrava-se dentro das suas expectativas.

Por outras palavras, Laurentino Dias veio dizer que conhecia de perto o desenrolar dos acontecimentos e que Carlos Queiroz foi bem punido.

Só faltou dizer, mas isso ficou implícito nas suas palavras, que o Seleccionador Nacional é indesejado e que tem de ser afastado o mais rapidamente possível.

Aliás, também Amândio de Carvalho já lhe expressou abertamente a sua antipatia, dizendo na cara de Queiroz que ele não era o seu treinador.

No meio de tudo isto está o presidente da FPF, Gilberto Madaíl, cuja passividade larvar se confunde com incompetência e conivência em relação ao poder político e ao seu vice-presidente.

Muito bem esteve, assim, Ribeiro Cristóvão quando afirmou que a política precisa mais do futebol do que o futebol da política.

Definitivamente, existe em Portugal o terror das trevas no mundo do futebol.

Por nós, estes três senhores são dispensáveis e contribuem em larga dose para este mundo das trevas. Deveriam, portanto, demitir-se ou serem demitidos.

Pela clarificação e pela “verdade desportiva”.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 06.09.10 às 17:38link do post | adicionar aos favoritos

 

No próximo dia 3 de Outubro o povo brasileiro vai ser chamado a eleger o seu próximo Presidente da República.

Luiz Inácio Lula da Silva, o actual presidente, não se pode recandidatar a um terceiro mandato, uma vez que já foi eleito em 2002 e 2006, cumprindo assim os dois mandatos que a Constituição lhe permite exercer de forma consecutiva.

Este sistema é, de resto, em tudo semelhante ao português, apenas com a diferença de que em Portugal os mandatos do chefe de estado são de cinco anos, ao passo que no Brasil são de quatro anos, podendo ambos os presidentes exercer dois mandatos seguidos.

No Brasil, de entre os candidatos a estas eleições presidenciais, perfilam-se, no entanto, três que assumem maior protagonismo e destaque:

-Dilma Rousseff, originária do estado de Minas Gerais, pertence ao Partido dos Trabalhadores (PT), ex-ministra chefe da Casa Civil de Lula, concorre pela Coligação “Para o Brasil seguir Mudando” e tem na pessoa de Michel Temer (PMDB - Partido do Movimento Democrático Brasileiro) o seu candidato a vice-presidente;

-José Serra, oriundo do estado de São Paulo, onde foi governador, pertence ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), concorre pela Coligação “O Brasil pode Mais” e tem Índio da Costa (DEM - Democratas) como candidato a vice-presidente;

-Finalmente, Marina Silva, originária do estado de Acre, ex-ministra do meio ambiente de Lula, a qual, no final de 2009, trocou o PT, partido a que pertenceu desde a sua fundação, para se juntar ao Partido Verde (PV), é internacionalmente conhecida por defender a Floresta Amazónica e tem Guilherme Leal (PV) como seu candidato a vice-presidente do Brasil.

O primeiro turno (ou primeira volta) das eleições ocorrerá no dia 3 de Outubro próximo, enquanto que o segundo turno (ou segunda volta) terá lugar a 31 de Outubro, isto caso nenhum dos candidatos consiga obter na primeira volta a maioria dos votos.

As sondagens revelam que a candidata do PT Dilma Rousseff, que é a candidata na qual o ainda presidente Lula depositou a sua confiança, segue com uma ligeira vantagem sobre o seu mais directo adversário, o candidato do PSDB José Serra, mas, segundo os analistas, tudo ainda está em aberto.

Pela nossa parte, estamos a seguir atentamente estas eleições, ou não fosse o Brasil o nosso “país irmão”, aquele que Pedro Álvares Cabral descobriu em 1500 e que mantém até hoje com Portugal não só uma proximidade importante para os dois países, como também laços de amizade e de cooperação.

Para além disso, convém não esquecer que o Brasil é actualmente um dos países ditos “emergentes” que mais tem crescido economicamente (faz parte, aliás, dos chamados BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China), um vasto território com um amplo potencial de crescimento e uma capacidade de desenvolvimento surpreendentes.

Resta saber se o próximo Presidente do Brasil vai continuar na senda do progresso económico registado nos últimos anos: seria bom para o Brasil, mas também para o mundo, se assim acontecesse.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 02.09.10 às 18:11link do post | adicionar aos favoritos

 

O presidente francês Nicolas Sarkozy prometeu aos franceses, à Europa e ao mundo que até ao final do mês passado repatriaria mais 1000 ciganos búlgaros e romenos para os seus territórios de origem.

Ao que tudo indica, parece que a promessa foi cumprida à risca.

Na origem de mais este repatriamento está o facto de que estes cidadãos estariam em situação ilegal em terras gaulesas, o que parece corresponder à verdade. Esta debandada geral provocou, à cabeça, um mal-estar no seio do próprio governo francês.

Face à polémica em torno da expulsão de ciganos do território, o Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Bernard Kouchner, ponderou mesmo apresentar a sua demissão, só não o fazendo por considerar que sair é desertar.

Todavia, é conhecido o passado de Kouchner e a sua participação activa em organizações de defesa dos direitos humanos, pelo que as críticas que lhe foram dirigidas subiram de tom e fizeram exaltar os ânimos.

Esta política discriminatória, particularmente em relação aos ciganos, motivou não só a reacção de governos, organizações de defesa dos direitos humanos e da sociedade civil, como também gerou reacções condenatórias ao mais alto nível, tendo, por exemplo, as Nações Unidas e o próprio Papa Bento XVI condenado veementemente esta política de Nicolas Sarkozy em matéria de segurança e emigração.

Não obstante, o Ministro dos Negócios Estrangeiros francês veio dizer que a França não tem nada de que se envergonhar.

Parece-nos que é precisamente o contrário: a França tem tudo para se envergonhar, já que, sendo historicamente um dos países da Europa com maiores tradições em matéria de imigração e um país tido como respeitador dos direitos humanos, essa atitude racista e xenófoba não deixa, como alguém já afirmou, de “constituir um descrédito irreparável para o prestígio da França no mundo”.

E é importante termos bem vivo na memória o que se passou durante o regime nazi e todos os acontecimentos trágicos de má memória que lhe estão historicamente associados, desde logo o extermínio de milhões de pessoas, sobretudo judeus, mas entre as quais também se contavam precisamente os ciganos.

Tudo isto pode-se traduzir num imenso rastilho de pólvora para a Europa, já de si fragilizada pela periclitante situação económica e financeira que tem experimentado nos últimos anos, o que gera descontentamento e inquietação social.

A acrescer a tudo isto, existe já o contágio destas políticas xenófobas e destes fenómenos retrógrados a países como a Itália, os países de Leste ou até a própria Alemanha. E não se sabe quem mais se seguirá por arrastamento…

Assim sendo, esta política intolerável de Nicolas Sarkozy poderá aproveitar às direitas radicais e extremistas da Europa, mas será de longe um retrocesso para a imagem e credibilidade do Velho Continente no mundo.

Oxalá os políticos franceses não se venham a arrepender de mais esta argolada, e do mal irreparável que possam vir a impor a uma Europa que se quer tolerante, humanista e defensora dos direitos humanos.

Afinal, quem dizia que Nicolas Sarkozy, no quadro da União Europeia e em matéria de direitos humanos, estava a seguir por caminhos ínvios, não se enganou absolutamente nada.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 01.09.10 às 22:17link do post | adicionar aos favoritos

Se nenhum incidente processual acontecer até lá, na próxima sexta-feira será lida, finalmente, a sentença de um dos processos mais mediáticos da justiça portuguesa – o processo Casa Pia.

Dos vários arguidos levados a julgamento, Carlos Cruz é aquele para quem estão apontados todos os holofotes.

Será considerado culpado ou inocente?

Esta é a pergunta que milhares de portugueses fizeram ao longo destes cerca de sete anos em que decorreu o processo, e que continuarão a fazer até se ouvir o veredicto final.

Uma coisa é para já certa: Carlos Cruz promete revelar na sua página pessoal da internet detalhes surpreendentes acerca do processo, que foram até agora mantidos em segredo e que irão certamente dar uma nova dimensão a este caso, já de si complexo e cheio de interrogações.

Se as revelações forem tão bombásticas quanto afirma que irão ser, existem fortes probabilidades de este caso ainda ter muito para contar.

Vamos esperar para ver os próximos capítulos desta já longa novela, a qual, embora à portuguesa, poderia muito bem ser à mexicana.

Os portugueses só esperam uma coisa: que no final se faça justiça e se punam nos termos da lei os culpados, qualquer ou quaisquer que eles sejam.

É que, também aqui, está em causa não só a credibilidade da justiça, mas também a confiança e a forma como todos nós olhamos para ela.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 01.09.10 às 20:54link do post | adicionar aos favoritos

 

São apontadas recorrentemente várias doenças ao sistema judicial português.

Este status quo tem originado debates circunstanciais e dispersos pela sociedade portuguesa, os quais têm contribuído mais para criar dúvidas e desconfianças em relação ao modo como se administra a justiça em Portugal, do que propriamente para gerar consensos.

O que ainda não assistimos foi ver as forças políticas, as universidades, magistrados, advogados, técnicos e especialistas e sociedade civil, todos sentados à mesma mesa a discutir os problemas que afectam a justiça em Portugal.

Não vimos ainda os protagonistas desta história com vontade e coragem para o fazer.

A questão não é de todo despicienda. Por isso, é importante que se encete urgentemente um amplo debate no país com vista a, realística e desapaixonadamente, diagnosticar as doenças da justiça e as suas causas, para depois se definirem as respectivas acções correctivas, os responsáveis pela implementação dessas acções e os prazos para a sua execução.

Paralelamente, deve ser constituída uma comissão que acompanhe a implementação dessas medidas, que avalie a sua eficácia e que relate os resultados que se vão produzindo.

De entre um conjunto vasto de doenças, esse debate para uma reforma estrutural e séria da nossa justiça deve, designadamente, abranger os seguintes factos:

 

  1. O facto de a justiça ser pouco célere;
  2. O facto de haver uma justiça para ricos e outra para pobres;
  3. O facto de haver interferência do poder político no poder judicial, e vice-versa;
  4. O facto de haver uma corporativização desmesurada das magistraturas, quer judicial, quer do ministério Público;
  5. O facto de existirem associações sócio-profissionais afectas a ambas as magistraturas;
  6. O facto de o sistema de nomeação, colocação, transferência e promoção, assim como o exercício da acção disciplinar, quer dos juízes dos tribunais judiciais, quer dos magistrados do ministério público, serem exclusivamente da competência, respectivamente, do Conselho Superior da Magistratura e da Procuradoria-Geral da República;
  7. O facto de as decisões dos tribunais não serem muitas vezes suficientemente fundamentadas, tal como determina a constituição e a lei;
  8. O facto de o princípio da independência dos tribunais ser muitas vezes posto em causa pelos vários poderes instituídos, mormente o político, o económico e o da comunicação social;
  9. O facto de se consagrar como regra geral que os juízes são inamovíveis, não podendo ser transferidos, suspensos, aposentados ou demitidos;
  10. O facto de os juízes, regra geral, não poderem ser responsabilizados pelas suas decisões;
  11. O facto de se pôr frequentemente em causa a autonomia de que goza o ministério público;
  12. O facto de certos julgamentos, ditos mediáticos, mais depressa serem esmiuçados na praça pública do que nos próprios tribunais;
  13. O facto de se violar, reiterada e impunemente, o segredo de justiça;
  14. O facto de se fazerem reformas penais, civis e processuais que na prática não dão em nada;
  15. O facto de existir legislação a mais em Portugal e, não raro, contraditória e dilatória;
  16. O facto de o sistema judicial português estar impregnado de legislação caduca, complexa, ineficaz e desajustada às novas realidades do país;
  17. O facto de certo poder judicial pensar que vive numa República de Juízes em vez de numa Democracia Liberal (também um facto para o qual, já por diversas vezes, muita gente chamou a atenção);
  18. O facto de o princípio da presunção de inocência dos arguidos ser algumas vezes preterido a favor de interesses superiores que não os da própria justiça;
  19. O facto de termos um sistema judicial excessivamente garantístico, que conduz à utilização de múltiplos expedientes dilatórios, os quais, muitas vezes, apenas visam entravar o normal andamento dos processos e protelar as decisões;
  20. O facto de, não raras vezes, serem as magistraturas e os seus altos dirigentes a chamarem a si a função legislativa, opinando e propondo a criação de determinada legislação, quando se sabe que essa função compete à Assembleia da República;
  21. (…).

 

Como é evidente, a lista de factos não se esgota nos que apontámos acima.

Também não foi nossa preocupação, neste momento, apresentar uma receita infalível que curasse definitivamente (será possível?) a nossa doente.

É que também duvidamos que exista um remédio milagroso que, de uma só assentada, ponha a nossa doente a andar e, mais importante, a livre completamente de uma recaída.

Perante um quadro clínico complexo e exigente como este, em que a nossa justiça nos surge terrivelmente estilhaçada, inclinamo-nos mais para um conjunto de tratamentos que actuem especificamente em cada uma das zonas afectadas.

Mesmo que depois do tratamento a justiça nos pareça totalmente restabelecida, não há que descurar nunca o seu acompanhamento periódico, não vá a nossa doente apanhar uma corrente de ar e voltar a cair numa cama de hospital.

É que, como temos vindo a assistir, às vezes um simples resfriado pode transformar-se numa valente pneumonia.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 31.08.10 às 20:54link do post | adicionar aos favoritos

 

É intolerável que os incêndios em Portugal continuem a não dar descanso aos nossos bombeiros e às populações que se vêem ameaçadas ou cercadas pelas chamas.

Nos últimos dias, a zona norte do país tem sido uma das mais fustigadas e, ainda hoje, a Governadora Civil do distrito do Porto se queixava dos cerca de 36 incêndios que deflagraram nessa região só a noite passada.

Considerou as ocorrências lamentáveis e ironizou dizendo que a lua não contribui certamente para o aparecimento de novos focos de incêndio, pelo que a explicação só pode ser uma: mão criminosa.

E nós acrescentamos: mão criminosa e assassina.

Todos os anos é anunciado o reforço dos meios técnicos e humanos no terreno para o combate aos incêndios.

E todos os anos são apresentadas novas estratégias e soluções para os prevenir.

Mas, o facto é que a cada ano que passa este flagelo repete-se.

Face à ausência de resultados práticos de todas estas medidas e ao aumento do sentimento de impunidade em relação àqueles que, directa ou indirectamente, levam a cabo estes actos criminosos, a nossa preocupação é que os portugueses se revoltem e comecem a fazer justiça pelas próprias mãos.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 31.08.10 às 01:17link do post | adicionar aos favoritos

 

Completam-se hoje 13 anos sobre a polémica e fatídica morte de Diana, a Princesa de Gales.

Diana Frances Spencer nasceu em Sandringham, Norfolk, Reino Unido, no dia 1 de Julho de 1961, tendo sido a primeira mulher do Príncipe Carlos de Inglaterra.

O seu casamento realizou-se a 29 de Julho de 1981 na Catedral de São Paulo em Londres, e logo foi considerado o casamento do século XX e comparado a um perfeito “conto de fadas”.

Do matrimónio nasceram os Príncipes William (21-06-1982) e Henry (15-09-1984), respectivamente o segundo e o terceiro na linha de sucessão à coroa britânica.

Não obstante ser considerado um “conto de fadas”, a relação entre o Príncipe Carlos e a Princesa Diana começou a esmorecer cada vez mais a partir da segunda metade da década de 80, culminando com o anúncio formal da sua separação em 1992.

A separação oficial ocorreu no dia 9 de Dezembro de 1992, apesar de só em 28 de Agosto de 1996 o divórcio ter sido definitivamente concluído.

O acordo de divórcio contemplou a possibilidade da Princesa Diana continuar a residir no Palácio de Kensington e confiou a guarda dos jovens príncipes quer ao Príncipe Carlos, quer à Princesa Diana.

Para além disso, ficou definida uma quantia que se calcula em cerca de 17 milhões de libras que seria atribuída à Princesa, caso esta renunciasse ao tratamento de “Sua Alteza Real”, condição que viria a ser aceite, passando, a partir daí, o seu título a ser “Diana, Princesa de Gales”.

Ao longo da sua vida, a Princesa Diana granjeou fama internacional pelo seu apoio activo a projectos de caridade, e, em especial, pela sua ajuda em diversas campanhas, das quais, as mais emblemáticas, foram as campanhas contra as minas terrestres e no combate à Sida.

A imagem da Princesa Diana, em 1987, sentada numa cama de hospital a segurar a mão de um doente infectado com o vírus HIV ficou gravada na memória de milhões de pessoas, contribuindo esse seu gesto “simples” para mostrar ao mundo que a Sida não poderia ser contraída através do toque, e que as pessoas infectadas com o vírus não mereciam o isolamento, mas sim a compaixão.

Por outro lado, outra das imagens que ficou retida na memória colectiva foi aquela em que a Princesa Diana, numa visita a Angola em 1997 como voluntária da Cruz Vermelha, é fotografada junto de um conjunto de crianças vítimas de rebentamentos de minas.

A morte trágica e inesperada da Princesa Diana ocorreu a 31 de Agosto de 1997 em Paris, quando o automóvel em que seguia com o seu companheiro egípcio Dodi Al-Fayed se despistou no túnel da Ponte de l’Alma, indo embater violentamente no 13º pilar do túnel, causando a morte instantânea de Dodi e do seu motorista, Henri Paul, e, algumas horas mais tarde, a morte da própria Princesa Diana. Já o guarda-costas de Dodi Al-Fayed, Trevor Rees-Jones, que também seguia no carro, foi o único sobrevivente, tendo estado vários meses em coma.

O funeral realizou-se no dia 6 de Setembro de 1997, e calcula-se que mais de dois mil milhões de pessoas em todo o mundo tenham assistido pela televisão às cerimónias fúnebres.

A Princesa Diana foi sepultada numa ilha do lago que faz parte da propriedade da família, Althorp, no Northamptonshire – Inglaterra, local repleto de simbolismo e onde a própria Princesa Diana passou parte da sua infância.

Trinta e seis árvores, tantas quantos os anos da Princesa, ladeiam o caminho que conduz ao lago; quatro cisnes negros, que simbolizam as sentinelas; lírios e rosas brancas enchem o espaço, as plantas preferidas de Diana; finamente, junto ao lago, existem árvores plantadas pelos Príncipes William e Henry, por outros membros da família e pela própria Princesa Diana.

Diana, Princesa de Gales, a “Princesa do Povo” (como lhe chamou o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair) ou simplesmente Lady Di acabou por se tornar uma das mulheres mais famosas do mundo, um ícone da moda, um ideal de beleza e uma elegância feminina.

Adorada por uns, odiada por outros, a verdade é que a Princesa Diana haveria de converter-se num mito da cultura britânica e numa figura imprescindível da história mundial recente.

Na passagem de mais um aniversário sobre a sua morte, um texto destes impunha-se como singelo tributo a uma pessoa que nos deixou um rio imenso de saudades, não só pelas causas em que acreditou e que abraçou, mas sobretudo pela mulher que foi.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 29.08.10 às 16:05link do post | adicionar aos favoritos

 

A cidadã iraniana de 43 anos Sakineh Mohammadi Ashtiani, que em 2006 foi condenada à pena de morte por lapidação por alegado adultério, permanece na prisão, apesar dos incessantes apelos da Comunidade Internacional para que seja libertada.

Esses protestos e apelos internacionais já levaram, aliás, as autoridades iranianas a alterar a pena para enforcamento.

E acrescentam que Teerão ainda não decidiu sobre o futuro de Ashtiani.

Entretanto, cem cidades de todo o mundo, incluindo Lisboa, uniram-se num gesto de solidariedade contra a anunciada lapidação de Ashtiani, um gesto que vem ganhando cada vez mais força e mobilizando não só cidadãos anónimos, como também governos, instituições pró-vida e ONG’S.

Se levarmos em linha de conta que, para os países ditos civilizados, a vida humana é inviolável e que o artigo 5º da Declaração Universal dos Direitos do Homem estabelece expressamente que ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante, então seremos levados a considerar que o Irão está mais uma vez, manifesta e deliberadamente, a cometer atrocidades contra a vida humana, atitude que é não só deplorável e repudiante como igualmente chocante.

A esta incipiência de valores e de carácter das autoridades iranianas, não se pode opor uma também frouxa opinião pública internacional, e muito menos a passividade ou a conivência de todos os países livres e democráticos e dos seus dirigentes.

Para além disso, a arrogância, a falta de ética e a miserável conduta das autoridades iranianas, que encontram no seu presidente o seu expoente máximo, não podem impor ao mundo as suas imoralidades e desmandos, alicerçadas apenas nuns dizeres de um “Livro” pretensamente sagrado.

Estes costumes arcaicos e aberrantes, cujo papel da mulher é levado ao extremo da indiferença e da submissão, jamais pode relevar num mundo que se quer pleno de igualdade.

Estes valores do humanismo universalista, como é o respeito pela vida humana, não se coadunam, portanto, com regimes autoritários e despóticos, onde líderes políticos e/ou espirituais masturbam as suas levianas vaidades pessoais a seu belo prazer, protegidos por textos erradamente interpretados e moldados ao mais asqueroso e vil dos sentimentos: considerar um ser humano, no caso as mulheres, como um ser inferior, sem direitos, sem liberdade de poder exprimir as suas opiniões e irremediavelmente subjugada aos interesses nefastos do seu “dono”.

É por isso que estes líderes iranianos envergonham o mundo, são meléficos e tremendamente perigosos.

Mas, infelizmente, não são os únicos.

 

 

Finalmente, deixamos aqui o apelo para que todos assinem esta petição, para ver se ainda há alguma justiça neste nosso mundo ainda repleto de grandes atrocidades e injustiças.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 24.08.10 às 20:55link do post | adicionar aos favoritos
 
 
 
 

Fernando Nobre, Manuel Alegre e Defensor Moura já apresentaram as suas candidaturas à Presidência da República.

Pese embora o facto das eleições presidenciais terem um cariz supra partidário, onde o que conta são os candidatos e não os partidos, a verdade é que estes acabam sempre por assumir um papel preponderante nas eleições ao declararem o seu apoio formal a um determinado candidato. Neste sentido, quer Fernando Nobre, quer Manuel Alegre, quer ainda Defensor Moura são assumidamente candidatos da “ala esquerda”, contando Manuel Alegre com o apoio efectivo, primeiro do Bloco de Esquerda e, depois, do Partido Socialista, circunstância que motivou algum alarido no Largo do Rato e que não deixa de causar uma certa divisão dentro do próprio PS. A começar pelo próprio Mário Soares, que não se escusa de evidenciar a sua inimizade (ou birra?) em relação a Manuel Alegre.

O país espera, entretanto, que Cavaco Silva apresente a sua mais que certa recandidatura a Belém e desfaça mais este seu tabu.

Já hoje, o Partido Comunista, que tradicionalmente apresenta um candidato, desfez o seu tabu, indicando o nome de Francisco Lopes, deputado e dirigente do PCP, como seu candidato a Belém.

Pelo lado do Partido Popular, apesar de já terem sido ventilados alguns nomes, parece quase certo que o seu apoio irá direitinho para Cavaco Silva, caso este, assim a família o deixe, apresente a sua recandidatura.

Finalmente, mas não menos importante para a saúde da nossa democracia, existe sempre a possibilidade de surgirem candidatos apoiados por partidos com menor expressão eleitoral, sobretudo de esquerda, como é o caso sempre emblemático de Garcia Pereira.

Vamos, pois, no que às presidenciais diz respeito, esperar pelas cenas dos próximos capítulos.


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publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 23.08.10 às 20:45link do post | adicionar aos favoritos

 

A edição online do jornal “Correio da Manhã” avançava na semana passada com a notícia de que a Fundação Mário Soares recebeu no 1º semestre deste ano 150.000 euros em subsídios do Ministério dos Negócios Estrangeiros, por intermédio do IPAD (Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento).

E dava também conta que os subsídios concedidos, cuja listagem foi publicada em Diário da República, destinaram-se a suportar “o reforço da Política de Cooperação de Portugal com os países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) no âmbito da memória histórica”.

Para além deste montante, a Fundação tem vindo a arrecadar outros subsídios que tiveram em vista a realização de estudos e projectos para o reforço da cooperação com os países lusófonos (negritos e sublinhados nossos).

 

É caso para perguntar:

-o que significa reforçar a política de cooperação de Portugal com os países da CPLP no âmbito da memória histórica?

-em que se traduzem esses estudos e projectos e quais os seus resultados e aplicabilidade prática?

Pensamos que são perguntas pertinentes, ou não estivesse em causa o dinheiro dos contribuintes – o nosso querido dinheirinho.

 

Nota: se algum dos leitores souber as respostas, não hesite em ajudar os autores do Blog a sair desta santa e humilde ignorância.


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