Novo Blog para o Concelho de Ourém. Rumo à Excelência. Na senda da Inovação
comentar
publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 05.07.12 às 17:50link do post | adicionar aos favoritos

“O único erro de José Sócrates foi ter integrado no Governo gente que, há anos, considerava sustentável o sistema de pensões que existia.

Só agora e com uma década de atraso, se reparou na sua impossibilidade.

Quem «vê» com dez anos de atraso não pode servir num tempo de mudanças rápidas, como é o nosso.

Não temos margem para andar tão devagar e com vistas tão curtas.

Por várias razões, o Estado social português não poderá manter-se intacto com uma economia que cresce, duradouramente, a uma taxa anual da ordem de 1%, ou até menos; com um desemprego instalado e muito elevado; com uma estrutura etária desequilibrada; com níveis já altíssimos de despesa pública e de carga fiscal; com um universo de «recebedores» do estado que ronda os 6 milhões de pessoas, considerando os funcionários, os pensionistas, os diversos subsidiados e beneficiários.

E assim por diante.

Reformas de preservação do Estado social não são de esquerda nem de direita, são de senso comum, de gente com visão do futuro e sem temor da verdade”.

 

Medina Carreira, Setembro de 2009


comentar
publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 14.10.11 às 01:01link do post | adicionar aos favoritos

comentar
publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 07.09.11 às 18:25link do post | adicionar aos favoritos

 

Um dos assuntos que está na ordem do dia, para além da crise, do aumento de impostos, da Troika e outras coisas tais, é se devemos criar (mais) um imposto, desta vez sobre a chamada “fast food”, aquilo que outros designam de “junk” (lixo), de “comida de plástico” ou simplesmente de “comida para encher pançudos”.

Ainda recentemente, o Bastonário da Ordem dos Médicos classificava esse tipo de comida como “lixo alimentar”, propondo mesmo a criação de um imposto, com o objectivo de “limitar o consumo de medicamentos e promover a poupança na saúde”.

Devo dizer, desde já, que acho a ideia completamente estúpida, absurda e inusitada, tanto mais que haveriam muitos outros alimentos altamente calóricos que, provocando os mesmos efeitos nas pessoas quando comidos em excesso, ficariam de fora de tão drástica medida.

Para além disso, se há por detrás desta proposta uma ideia economicista, como parece ser o caso, não lembraria a ninguém taxar a mão de vaca com grão, as tripas à moda do porto ou a feijoada, só para citar alguns exemplos.

 

Com efeito, parece-me que o busílis da questão não é este, ou seja, o problema não está no tipo de comida em si, embora saibamos todos que a “fast food” quando ingerida em excesso provoca maleitas na saúde, logo obriga ao consumo de mais medicamentos e, por fim, faz disparar os custos da saúde.

Ponham uma criancinha (ou um adulto, pois o efeito pernicioso é o mesmo) a comer todos os dias mão de vaca com grão ou chispalhada, e vão ver o que lhe acontece…   

A verdade, é que para certos pais se torna mais fácil dar meia dúzia de euros aos filhos para eles se irem deleitar com o tal “lixo alimentar”, do que empregarem esses eurozinhos em alimentos saudáveis e confeccionarem em casa, por exemplo, uma bela, rica e nutritiva panela de sopa.

O que é verdade também, é que, por vezes, são as próprias famílias, os pais, a incentivarem os filhos a consumir esse tipo de alimentos.

Conheço até alguns que não deixam de, pelo menos uma a duas vezes por semana, acompanhar alegremente os filhinhos ao conhecido império norte-americano dos hambúrgueres, só porque é chique ou está na moda. Quantas vezes não encontramos nesses lugares “pecaminosos” os próprios adultos, muitos dos quais depois se queixam que os filhos só comem porcarias ou estão obesos?

Mas, felizmente, também conheço outros pais que proíbem simplesmente os filhos de frequentar esses “antros de perdição”. E fazem-no, não sem antes os ensinar, em casa, o que devem ou não comer, o que é uma alimentação saudável e equilibrada e os benefícios e malefícios que os diversos alimentos têm para a sua saúde.

O problema é, pois, mais uma questão de educação das pessoas, que deve começar em casa, passar pela escola e terminar na sociedade em geral, do que propriamente a simples e fácil taxação dos alimentos que fazem mal quando ingeridos em excesso.

Quando não temos solução para o problema ou não queremos enfrentá-lo de frente, ou quando nos demitimos de analisar profundamente as suas raízes e as suas causas, então enveredamos pelo caminho mais fácil, que neste caso é a taxação da “fast food”, tornando-a mais cara e proibitiva.

 

Salazar também proibiu o consumo da Coca-Cola em Portugal. O que aconteceu, é que as pessoas iam bebê-la a Espanha. E sabemos todos que o fruto proibido é sempre o mais apetecido…

Querem uma alternativa para este dilema? Apostem na educação das pessoas, obriguem as criancinhas a ter aulas de nutrição nas escolas (desde quando é que elas aprendem esta temática nas escolas?), criem no país um verdadeiro caldo de cultura a favor da literacia alimentar e ensinem as pessoas a saber comer, e a privilegiar uma alimentação saudável e equilibrada, para si e para os seus filhos.

Enquanto isto não acontecer, de pouco vale taxar os hambúrgueres, a orelha de porco ou as francesinhas, porque os hábitos alimentares dos portugueses continuarão a ser inexoravelmente os mesmos, e a existir pais patéticos que continuarão a dizer com a boca cheia que gordura é formosura…

Por tudo isto e mais alguma coisa, deixem-se de tretas e mais impostos, e ensinem mas é as pessoas a comer. Mas, comecem pelos mais pequenos, pois já se perdeu uma geração com os pais deles…


comentar
publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 07.07.11 às 23:14link do post | adicionar aos favoritos

comentar
publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 17.06.11 às 19:31link do post | adicionar aos favoritos

 

Já Churchill dizia que não são os partidos da oposição que ganham eleições, mas antes é o partido do poder que as perde.

Por cá, algumas mentes mais iluminadas também disseram que não foi o PSD nem o CDS-PP que venceram as legislativas de 5 de Junho passado, foi o PS de Sócrates que as perdeu ingloriamente.

Não sabemos se a narrativa está certa, apenas constatamos que Passos Coelho é agora o primeiro-ministro de Portugal, com um governo de coligação com o CDS-PP.

Sabemos também que o Partido Socialista foi o grande derrotado nestas eleições, e que José Sócrates, ao assumir em plena noite eleitoral que os resultados negativos alcançados pelo PS eram de sua única responsabilidade, entendeu que havia chegado o momento de abrir um novo ciclo político dentro do próprio Partido Socialista, dando assim espaço a uma nova liderança e a uma nova estratégia, e escancarando os corredores do partido para que as tropas se comecem a mobilizar para eleger o novo secretário-geral do Partido Socialista.

 

Seguro e Assis, já mobilizados para o embate final, terão certamente razões para achar que a conjuntura internacional e as medidas duríssimas, mas necessárias, que têm vindo e continuarão a ser impostas aos portugueses foram as principais razões para que estes penalizassem o seu partido nestas eleições.

Nem será estranho que os socialistas se mostrem inclinados a repetir o mesmo argumento de que a bola de neve das crises financeira e económica internacionais terem sido fatais para o país, a que se juntaria a crise das dívidas soberanas e o efeito dominó que as sucessivas medidas (ou não-medidas?) tiveram ao nível do crescimento da economia, mas também no equilíbrio das contas públicas.

 

Nesta perspectiva, e ainda à luz da ideia de Churchill, parece de admitir que foi de facto o Partido Socialista (o partido do poder) que perdeu as eleições, e não o PSD que as ganhou.

Ainda que este argumento possa ser verdade, dentro do PSD certamente há-de prevalecer a ideia de que os portugueses “chumbaram” a avaliação de desempenho do governo, não só pelo percurso irresponsável e sinuoso a que Sócrates expos o país ao longo (sobretudo) dos últimos quatro anos, com muitas curvas e contracurvas, mas também porque, por consequência dessas erradas políticas e má prática governativa, o governo contribuiu para o descalabro económico e financeiro do país e, em particular, do ponto de vista social e das condições de vida dos portugueses.

Aqui o PSD encontra os condimentos necessários para cantar vitória, e acaba por subverter mais uma vez a ideia de Churchill, subsistindo a dúvida de saber se foi o PSD que venceu as eleições ou se foi o PS que as perdeu.

Alguns poderão dizer que ambas as afirmações são verdadeiras, ou seja, quer estejamos do lado do partido vencedor ou do partido derrotado, as perspectivas vão sempre condizer com a posição que ocupamos: se um partido ganha as eleições, o impulso natural é para se afirmar vitorioso e assumir o feito como uma grande conquista; já se se tratar do partido derrotado, a tendência é no sentido de que assuma essa derrota e interiorize essa perda.

Foi assim com Passos Coelho e com José Sócrates.

Sócrates assumiu plenamente os resultados eleitorais que penalizaram o PS, pôs o seu lugar à disposição do Partido Socialista e afastou-se por tempo indeterminado.

 

Passos Coelho interiorizou a sua vitória, embora as actuais circunstâncias do país não deixassem margem ao partido para exteriorizações frenéticas de entusiasmo pela conquista do poder.

Coelho foi comedido na festa, não cantou de galo, mas nem por isso deve ter deixado de sentir um enorme alívio e um impulso de entusiasmo e alegria. Certamente que na sua óptica não foi o PS que perdeu as eleições, foi o PSD e a sua liderança que melhor soube conquistar a confiança dos portugueses e venceu as eleições.

O problema aqui não é pois de forma, é antes de conteúdo.

Na verdade, não importa tanto saber se é o partido que está no poder que perde as eleições em detrimento daquele(s) que está(ão) na oposição, nem se a tónica deve ser colocada naqueles que, estando na oposição, ascendem ao poder pela vitória nas eleições.

O que importa saber é qual a razão por que um partido perde eleições.

Logo, o que importa saber nesta história não é se o Partido Socialista encara este desaire eleitoral como uma responsabilidade sua, ou se o PSD beneficiou do desgaste do governo e da crise instalada no país para se refastelar em São Bento.

Não nos importa que o PSD assuma a vitória e que o PS expie os seus pecados.

O que vemos como mais importante é que o novo governo, juntamente com os parceiros sociais e a sociedade civil, saiba doravante, entre outras coisas, estar à altura das dificuldades, saiba aproveitar os numerosos diagnósticos realistas sobre o país que foram sendo feitos ao longo dos anos, saiba corrigir os erros e enquistamentos que corroem o funcionamento da administração pública como um todo, saiba procurar consensos e compromissos alargados para a exigente tarefa de aplicação do programa de resgate assinado com as instituições internacionais, ou que, numa perspectiva macroeconómica, seja ambicioso o bastante para resolver de uma vez por todas o estrangulamento da actividade económica, a sua estagnação e recessão, o problema do endividamento público e privado, o desequilíbrio das contas públicas, já para não falar no plano social e no desemprego, questões que têm vindo a acentuar-se e a constranger de forma absolutamente penosa as famílias portuguesas.

 

Mas, este é também o momento para enveredarmos por uma exigente reflexão sobre o queremos ser enquanto país, que objectivos temos para Portugal, e desses, quais irão moldar e condicionar as nossas tarefas actuais.

Afinal, em ordem a que superiores interesses nacionais estamos todos convocados para o jogo arriscado e de sacrifício que o futuro nos reserva?

Não basta dizermos apenas que o país é um pântano ou que está de tanga, que existem esqueletos escondidos no armário e que só discutimos “pintelhos”, ou ainda que não há dinheiro nem para mandar cantar um cego.

Não basta dizer ou criticar, é preciso agir, mas com urgência.

O erro em que Portugal caiu durante largos anos – o de discutir os problemas pela rama e não os aprofundar nem os encarar de frente, reféns que sempre estão os partidos políticos da popularidade dos seus governos e da perspectiva egocêntrica de uma reeleição – conduziram-nos ao ponto de ruptura em que nos encontramos.

Agora, é tempo de sermos nós – os portugueses – a criar uma ruptura com os paradigmas obsoletos do passado e a catapultar o país para a linha da frente.

E Portugal tem tantas possibilidades…

Esperamos que o governo de coligação PSD / CDS-PP não nos desiluda e que faça aquilo que o governo de Sócrates não fez, sob pena de estarmos a desperdiçar uma das últimas oportunidades de ouro para agarrar com sucesso o futuro.

Quem ganha e quem perde? Quem ganha não sabemos, mas quem perde é seguramente o país e os portugueses.


comentar
publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 22.05.11 às 20:24link do post | adicionar aos favoritos

 

Segundo os analistas políticos, quer Sócrates, quer Passos Coelho, se acaso perderem as eleições, serão imediatamente substituídos pelos seus aparelhos partidários nas respectivas lideranças.

Então, se são assim tão bons, por que raio terão de ser substituídos? Por não conseguirem obter o poder e não poderem sustentar as suas clientelas?

De facto, o Estado é uma grande manjedoura, ou uma grande vaca, cujas tetas não têm descanso e não param de ser ordenhadas... E de tão ordenhadas que foram, agora estão todas chupadas.


comentar
publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 25.03.11 às 16:11link do post | adicionar aos favoritos

 

Resta-nos o consolo de que certamente a História, se for justa o suficiente, registará para as gerações vindouras o quão miseráveis foram os fazedores de política neste dealbar do século XXI… ao ponto de se terem revelado políticos fúteis e medíocres, de não se terem entendido uns com os outros e de terem deixado cair o país numa profunda e repugnante merda.

 

O chumbo, na quarta-feira, do Programa de Estabilidade e Crescimento nº 4 (PEC 4) no parlamento desencadeou a inevitável crise política que todos já antevíamos há alguns meses.

Perante a recusa dos partidos da Oposição em votar favoravelmente este novo pacote extraordinário de medidas adicionais de combate ao défice, o primeiro-ministro não teve outra alternativa senão apresentar a sua demissão.

A despeito de termos sido sempre muito críticos em relação à figura de José Sócrates e a determinadas opções políticas que o governo socialista impôs aos portugueses, há um ponto em relação ao qual convergimos com o primeiro-ministro: o maior partido da Oposição não apresentou aos portugueses uma única medida alternativa àquela PEC, restando apenas um silêncio ensurdecedor, seguindo pelo presidente da república, e uma desresponsabilização perante as dificuldades do país.

O PSD deixou-se enredar pela já gasta ideia das tricas político-partidárias, da mera luta pelo poder em detrimento dos superiores interesses nacionais, uma espécie de partido faminto que, ao mínimo sinal de rebate, se apressa a juntar as suas tropas para, num golpe de pura sorte, assaltar a manjedoura e instalar-se à sombra de uma bananeira chamada Portugal.

Àquele silêncio ensurdecedor seguiu-se o soante latir desta matilha faminta e esquizofrénica: afinal, se calhar, o IVA vai ter que subir para 24 ou 25%!

Vemos agora finalmente o que o PSD queria com aquele silêncio: esconder aos portugueses aquilo que tem inevitavelmente de ser feito, seja pelo PS, seja pelo PSD – ou seja, fazer aplicar um conjunto de medidas austeras que ainda consigam salvar a honra do convento, apesar de já irmos muito tarde, tarde demais.

A partir de 2009, começámos a questionar-nos sobre a oportunidade das opções políticas do governo de Sócrates – recordamo-nos, por exemplo, daquela medida populista e eleitoralista, precisamente em ano de eleições, de aumentar os funcionários públicos bem acima da inflação, num momento em que a crise internacional já dava os primeiros passos e o futuro se começava a perfilar incerto.

Para além disso, ao longo destes últimos (sobretudo) dois anos tantas foram as trapalhadas cometidas por este governo que nos obrigaram a reformular a nossa opinião sobre ele: autismo, arrogância, persistência na execução de obras públicas fundamentais para o país, é certo, mas completamente descontextualizadas do tempo e das dificuldades que vivemos, os sucessivos escândalos que abalaram não só a figura do primeiro-ministro como também figuras cinzentas do seu núcleo íntimo de amigos ou staff mais próximo, a insistência em combater o défice pelo lado da receita em vez de cortar na despesa, o fanatismo de ignorar o apelo nacional a uma convergência de esforços e a um consenso, alargado e transversal, que permitisse uma ampla base de apoio na Assembleia da República e um fortalecimento da acção política do governo, o modo como encarou a maioria relativa que obteve nas legislativas de 2009 e a relação que estabeleceu com o parlamento, como se essa maioria relativa se houvesse transformado de um momento para o outro em absoluta, ou, já nos últimos dias, a descompostura democrática e a falta de respeito (deliberada?) que revelou pelo protocolo aquando da tomada de posse do presidente da república… todos estes exemplos (e muitos outros se podiam aliar ao rol) ajudaram-nos, com efeito, a sedimentar uma péssima imagem deste primeiro-ministro, figura com a qual, estamos certos, o país não poderá (nem deverá) voltar a contar.

Afinal, para que serve ter um país evoluído tecnologicamente, quadros jeitosos e interactivos nas escolas, as criancinhas a falar inglês quase logo à nascença, se esse mesmo país está teso que nem um carapau, se os pobres estão cada vez mais pobres, se são sempre os mesmos que passam pelos sacrifícios, se o Estado esbanja por um lado para vir a seguir roubar por outro, se esse mesmo país está falido e não oferece perspectivas de futuro a ninguém?

Mas, onde estão as alternativas? Este PSD de Passos Coelho? Não brinquemos com coisas sérias…

O país não está em condições financeiras nem psicológicas para suportar mais este triste e lamentável embate.

A trupe que rodeia o actual líder do PSD é mais do mesmo, é farinha do mesmo saco, que, e nisso não podemos deixar de concordar com Sócrates e com os dirigentes socialistas, apenas pretende chegar ao poder a qualquer custo, ainda que o preço se revele demasiado pesado para Portugal.

A luz ao fundo do túnel que os social-democratas já dizem ver, não é mais do que a chama de uma lamparina que ao mínimo sopro do vento se apaga – por tal frágil que é.

De resto, os dirigentes do PSD, horas depois do pedido de demissão apresentado pelo primeiro-ministro, começaram logo a limpar as armas e apresentaram ao país o seu PEC: aumentar impostos!

O PEC apresentado pelo PS não prestava, impunha demasiados sacrifícios aos portugueses; o do PSD é que é bom!

Então, qual é a diferença entre o PEC do PS e o do PSD? A diferença é que o PEC do PS foi apresentado por um governo que estava no pleno e legítimo exercício das suas funções governativas, e o PEC do PSD já começou às pinguinhas a ser apresentado por um partido irresponsável que quer a todo o custo chegar ao poder – ainda que para isso tenha aberto no país a maior crise política dos últimos trinta anos. É que, de gente cínica e mentirosa andamos todos fartos.             

Resta-nos o consolo de que certamente a História, se for justa o suficiente, registará para as gerações vindouras o quão miseráveis foram os fazedores de política neste dealbar do século XXI… ao ponto de se terem revelado políticos fúteis e medíocres, de não se terem entendido uns com os outros e de terem deixado cair o país numa profunda e repugnante merda.


comentar
publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 23.03.11 às 22:17link do post | adicionar aos favoritos

 

Já se esperava que, com o chumbo do PEC 4 no parlamento, o primeiro-ministro José Sócrates apresentasse a sua demissão. Isso mesmo foi referido pelo próprio nas diversas entrevistas e conferências de imprensa que foi dando nos últimos tempos.

Agora, com uma crise política em cima de uma crise económico-financeira, espera-se que todos os partidos com assento parlamentar não fujam com o rabo da seringa e não deixem de assumir as suas responsabilidades.

É que, nesta altura em que a economia do país, das empresas e das famílias se encontra tremendamente esfarrapada, não há coisa pior do que, mais uma vez, assistirmos à culpa morrer solteira.

A verdade, a triste e nua verdade, é que a culpa não é só do PS ou do PSD, ou só dos partidos da Oposição: a culpa é de todos e de cada um deles.

Qualquer que seja o partido que saia vencedor das próximas eleições terá forçosamente que demonstrar e provar aos portugueses que não só mudarão as moscas, como também a porcaria não será a mesma.


comentar
publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 06.03.11 às 14:33link do post | adicionar aos favoritos

Eis a nossa representação no Festival Eurovisão da Canção! O Povo escolheu pá, mas nós continuamos fadados a viver nesta selva miserável de parcos recursos e enfadonhas caricaturas...


comentar
publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 03.10.10 às 15:23link do post | adicionar aos favoritos
 

É simplesmente chocante vermos que os vencimentos milionários anuais de apenas vinte gestores públicos seriam suficientes para pagar o ordenado a quase 60.000 funcionários públicos.

Algo não bate certo neste país. Numa altura em que já se questiona o aumento do salário mínimo para 500,00 euros no próximo ano, numa altura em que a maioria dos portugueses tem sido obrigatoriamente convocada a contribuir com os seus já parcos recursos para a redução do défice, numa altura em que a carga fiscal sobre os contribuintes aumenta de quatro em quatro meses, numa altura em que se continuam a exigir a todos nós sacrifícios herculeanos na ajuda económica ao país, numa altura em que as teias de interesses que envolvem o poder político, o poder económico e a banca se tornam cada vez mais conhecidas e evidentes, numa altura em que ouvimos o ministro das finanças afirmar descaradamente que já não é possível cortar mais na despesa do Estado, eis-nos que somos confrontados com uma factura pública anual de quase 53 milhões de euros para pagar a esta casta elitista que parece viver num qualquer oásis à beira-mar plantado, alheia às dificuldades e aos sacrifícios que todos sentem no seu dia-a-dia.

Após o anúncio, pelo governo, da criação de um novo imposto sobre a banca, é lamentável ouvirmos os banqueiros palrar em uníssono que esses novos custos terão que ser reflectidos nas facturas dos seus clientes. E, neste ponto particular, é revoltante ouvirmos o presidente da Caixa Geral de Depósitos, Faria de Oliveira, presidente do banco do Estado, confirmar essa necessidade de imputar os custos do novo imposto aos clientes do seu banco, a Caixa, esse mesmo senhor obtuso que mete ao bolso todos os meses 371.000,00 euros.

Será que o país gera riqueza suficiente para pagar estes ordenados milionários? Será que a função de Presidente da República é uma mera figura decorativa da ordem constitucional portuguesa?

Então não é verdade que as empresas públicas REFER, Metro de Lisboa e Porto, CP, citando apenas estes exemplos, não são aquelas que aparecem sempre nos rankings das que dão prejuízos? Se os seus resultados financeiros são sempre negativos, paga-se aos seus administradores uma média de 70.000,00 euros por mês?

Será que o Sr. Belmiro de Azevedo continuaria a pagar a um administrador de uma empresa do seu grupo que apresentasse, ano após ano, resultados negativos?

Não, definitivamente algo vai mal neste país. Há qualquer coisa que não bate certo.

No 25 de Abril de 1974 as coisas correram bem e até se usaram cravos. A mesma certeza não temos quando chegar a próxima Revolução…


comentar
publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 02.10.10 às 00:24link do post | adicionar aos favoritos

 

Na passada quarta-feira, dia 29 de Setembro, o primeiro-ministro José Sócrates convocou o Secretariado e a Comissão Política Nacionais do PS para lhes comunicar as medidas de austeridade que o governo aprovou, que se destinam a reduzir o défice orçamental, e que constam do PEC 3.

Em declarações aos jornalistas presentes no Largo do Rato, onde se localiza a sede nacional do Partido Socialista, Augusto Santos Silva, Ministro da Defesa, à pergunta se o governo não poderia ter ido mais longe no corte das despesas, de forma a evitar mais um aumento de impostos, respondeu no seu habitual tom inusitado, execrável e jocoso que mais cortes na despesa, para além dos anunciados, só se fosse no papel, nos alfinetes e nos clipes.

 

Inadmissível no tom e reles no conteúdo, esta afirmação parece confirmar o que temos vindo a defender em relação ao ministro da defesa: que é uma figura cinzenta, irresponsável e que goza com a situação difícil em que se encontra o país e a maioria dos portugueses.

Aliás, também o ministro das finanças, Teixeira dos Santos, já havia afirmado no parlamento há alguns dias atrás que a redução do défice pelo lado da despesa estava quase no seu limite, que não vislumbrava em que é que se podia reduzir mais em termos de despesas e que não era possível cortar mais, por exemplo, nas despesas com a segurança social, com a saúde ou com as pensões.

Pela nossa parte, deixamos seguidamente um texto, sob o título “Propostas para minimizar o peso da despesa do Estado nas contas públicas” que fizemos publicar no nosso anterior Blog, que foi escrito na sequência de um apelo feito pelo nosso conterrâneo e amigo Francisco Vieira, e que passamos a reproduzir na íntegra:

 

“Há dias, numa "rede social", Francisco Vieira secundava um "levantamento popular", que já se vem notando no país há algum tempo, a favor da apresentação de propostas que visem o corte nas despesas do Estado. Não querendo nós apropriar-nos aqui dessas propostas, permitimo-nos, no entanto, elencá-las numa simples reflexão sintética daquelas que, de acordo com um já largo espectro da população, poderiam ser as próximas medidas de austeridade a apresentar a Bruxelas e aos portugueses. Assim, cavalguemos no seguinte:

1º Extinção dos Governos Civis;
2º Redução de 230 para 180 deputados na Assembleia da República;
3º Imposição da regra de 10 para 1 nas entradas na Administração Pública (ou seja, pelo menos, por cada 10 funcionários que saiem, só entra 1);
4º Reduzir o número de ministros, secretários de estado, "subs", assessores, secretárias, conselheiros, adjuntos de conselheiros e por aí em diante;
5º Trocar as flores naturais nas cerimónias oficiais por flores de plástico (como a França já fez);
6º Cortar as viagens em primeira classe de quaisquer titulares de cargos públicos, com excepção dos titulares dos órgãos de soberania;
7º Reduzir ou extinguir quaisquer ajudas de custo, benefícios, benesses e outras coisas tal;
8º Extinguir as reformas vitalícias;
9º Redimensionar a frota automóvel, reduzindo a quantidade e a qualidade da mesma;
10º Cortar nos investimentos inúteis e desnecessários, como já começam a ser as autoestradas;
11º Extinguir serviços e institutos públicos replicados, ineficientes e que só servem para empregar "boys" e clientelas;
12º Extinguir empresas municipais, obrigando as câmaras a integrá-las na sua estrutura e a afectar-lhes os seus recursos;
13º Retirar da Constituição da República Portuguesa o princípio despesista e clientelar da instituição em concreto de regiões administrativas;
14º Privatizar empresas públicas deficitárias, procurando salvaguardar sempre o princípio da subsidiariedade, em que ao Estado cumpre "apenas" velar por aqueles sectores que a iniciativa privada não cumpre tão bem e de forma universal, como a saúde, a educação, a protecção social, a energia...
15º Aceitar a "recomendação" de Bruxelas de acabar com as "Golden Shares" em empresas estratégicas e, com isso, poupar em prémios chorudos de administradores nomeados e medíocres, que chocam e escandalizam o comum dos mortais;
16º Indexar à universalidade dos funcionários públicos um sistema de avaliação de desempenho justo e moralizante, que sirva de referência para aumentos salariais, promoções ou outros;
17º Extinguir juntas de freguesia em concelhos de grande densidade populacional, que apenas replicam serviços e absorvem recursos públicos, começando por algumas em Barcelos;

18º Definir regras rigorosíssimas nos concursos públicos, a todos os níveis da administração, para evitar as famosas e criminosas derrapagens orçamentais, em que há luvas para todos, todos saíem a ganhar, e o “Zé Povinho” é que se lixa;

19º Indexar os aumentos salariais na função pública à inflação, à produtividade e à conjuntura do momento, proibindo expressamente os aumentos eleitoralistas e acima da inflação em ano de eleições;

20º Incentivar os funcionários a poupar em recursos escassos, como a água, a energia, o papel…;

21º Reduzir os gastos em telecomunicações, incentivando o uso do telemóvel pessoal e a utilização dos meios públicos com ponderação e bom senso.

22º Restringir as nomeações políticas ou os favores de carácter pessoal, subordinando-as a critérios claros de curriculum, competência e idoneidade…”.

 

 

Notas finais: houvesse vontade política desta gente trapalhona, trapaceira e oportunista, e de certeza absoluta que não era preciso sacrificar mais os portugueses com aumentos de impostos e outras coisas tais.

 

José Ortega y Gasset disse: “Quando a política se entroniza na consciência e preside a toda a nossa vida mental, converte-se numa doença gravíssima”.

 

Nós reformulamos a citação: quando a política se entroniza na consciência de gente corrupta e sem escrúpulos, converte-se num mal insofismável para os cidadãos.


comentar
publicado por João Carlos Pereira e Friends, em 01.10.10 às 23:03link do post | adicionar aos favoritos

 

Volvidos cerca de quatro meses sobre a apresentação do PEC 2, eis que nos surge o primeiro-ministro José Sócrates e o ministro das finanças Teixeira dos Santos, na passada quarta-feira, dia 29 de Setembro, a anunciar ao país, à Europa e ao Mundo, um novo pacote de medidas adicionais ao PEC 2, a constarem do OE 2011, desta vez na sua terceira versão, o PEC 3. Das medidas anunciadas, sobressaem à partida a redução de 5% nos salários da função pública e o aumento do IVA para 23%. Mas, vejamos mais em pormenor estas medidas:

 

- Ao nível da despesa:

1. Corte de 5% nos salários dos funcionários públicos, onde se incluem todas as entidades, como sejam os institutos e empresas públicas (a medida visa atingir um corte de 5% na massa salarial, começando com uma descida de 3,5% para os rendimentos brutos entre 1500 e 2000 euros, atingindo os 10% para os rendimentos mais elevados);

2. Congelamento das pensões e das progressões automáticas na administração pública;

3. Eliminação do 4º e 5º escalão do abono de família e eliminação do aumento extraordinário de 25% nos primeiros dois escalões, também do abono de família;

4. Cortes nas ajudas de custo, horas extraordinárias e acumulação de funções;

5. Redução de 20% nos gastos com o RSI (Rendimento Social de Inserção);

6. Redução de 20% nos gastos com a frota do Estado;

7. Redução do número de trabalhadores contratados;

8. Congelamento, até ao final do ano, de todas as despesas de investimento;

9. Cortes em sede de PIDDAC para 2011.

 

- Ao nível da receita:

10. Aumento da taxa normal do IVA para 23%;

11. Introdução de limites às deduções das despesas de saúde e educação em sede de IRS;

12. Criação de um novo imposto sobre a banca;

13. Actualização das taxas, multas e penalidades (as taxas dos serviços públicos serão aumentadas, em especial nas áreas da Justiça e da Administração Interna);

14. Aumento da contribuição dos trabalhadores para a CGA (Caixa Geral de Aposentações), que aumentará 1%;

15. Transferência de 2600 milhões de euros de um fundo de pensões da Portugal Telecom para a órbita do Estado.

 

Com estas medidas, o governo prevê conseguir um corte na despesa pública de 3420 milhões de euros, ao passo que as medidas pelo lado da receita deverão gerar um encaixe de 1700 milhões. Tudo somado, o governo espera que estes 5120 milhões de euros sejam suficientes para alcançar o objectivo de 4,6% de défice no final de 2011.


mais sobre mim
Outubro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


links
pesquisar
 
subscrever feeds
Contador
free counters
Blog iNovOurém no Facebook
Google Translate
TWITTER
Followers
blogs SAPO